| em 13 abril 2010

A administração do tempo e a produtividade do músico cristão


A música já existia na mente e no coração de Deus de maneira plena e consistente, e tenho certeza de que tudo o que conhecemos não se aproxima do que Deus planejou. Ainda estamos no “cantochão” da música divina.

A Bíblia registra no livro de Jó um expressivo diálogo poético entre Deus e Jó, no qual o Senhor afirma que, antes da fundação do mundo, já havia música no Céu, pois “os anjos alegremente cantavam” para glorificar ao Criador. Portanto, podemos afirmar que a música tem origem divina, sendo primeiramente executada no Céu. Deus, o Todo-Poderoso, criou a música e o primeiro concerto foi realizado num palco celestial!


Deus criou o tempo e o espaço. Muitas vezes não entendemos como Ele se utiliza dessas grandezas. Precisamos, através da fé, admitir que Deus é extremamente poderoso e organizado. Todas as coisas se colocam no espaço próprio!

Percebemos: toda criação, no seu tempo e no seu espaço, foi criada e posicionada de maneira harmoniosa e cooperativa. Não há conflitos entre os elementos da criação. Sem ousarmos estudar astrologia ou sermos cientistas, podemos perceber exemplos peculiares a respeito disso. Vejamos o sol não se desvia de seu espaço de ação e coopera transmitindo luz e calor em tempo integral com outros planetas de nossa galáxia, em especial a Terra e a nossa lua. Como o sol é importante para nós humanos, para nossa fauna e para nossa flora!

O ciclo da vida depende totalmente dessa organização e cooperação mútua e Deus determinou, ordenou e administra ininterruptamente todos os seus movimentos suas ações e reações. Para a natureza, Deus não fez proposta. Deus ordenou.

Ao homem, Deus fez uma proposta e ainda o aconselhou: “Eis que lhe proponho a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolha pois a vida para que vivas, tu e tua semente”, Dt 30.19.

Deus tem sido fiel a esta proposta. Ele tem respeitado sempre a nossa liberdade de escolha. Infelizmente, a maioria dos homens optou pela morte e pela maldição. Mas, há um povo que fez a melhor escolha e encontrou a vida eterna em Cristo Jesus, e esse povo se organizou em ministérios pertinentes e tem como metas prioritárias a adoração e o evangelismo, atendendo ao Ide de Jesus.

Esse Ide não admite espera, não admite reflexões vazias, é imediato, tem que ser em tempo e fora de tempo, em qualquer lugar, a todos que entendem nosso comunicado, seja oral, escrito ou por mímica, no de surdos mudos. Oportunamente, questiono: Estamos pregando para os surdos mudos? “Como crerão se não há quem pregue?” Estamos treinando pessoas na linguagem de libras (mímica) para assim procederem? Jesus não morreu por eles também?

No desenvolvimento do nosso Ministério Musical, estamos incumbidos dessa ordem imperativa do Senhor – “Ide e pregai”.

Será que não estamos em passos lentos ou quase paralisados?

Vamos analisar um pouco.


A) Será que o ministro de música:

1) Não tem sido uma pessoa que organiza todo o projeto musical do ano junto aos outros regentes?
2) Não tem treinado e orientado seus regentes dentro das técnicas musicais e da disciplina bíblica, gerando valores espirituais com ênfase no quesito remir (administrar) o tempo (Ef. 5.16)?
3) Tem atentado para o tipo de música que tem sido trazida para sua igreja, com relação ao seu conteúdo temático, seu ritmo etc?
4) Tem sido um bom elo entre seus comandados e o seu pastor?


B) Será que o regente:

1) Não prepara direito seus ensaios, provocando dispersão entre os componentes e com isso não conseguindo rendimento e perdendo tempo?
2) Não se aperfeiçoa, não trás músicas novas, evitando o enfado e a falta de desafios?
3) Demora em demasia em entender à solicitação do pastor, no momento do louvor, utilizando esse momento para escolher o hino a ser executado, distribuir pastas, ligar instrumentos, afiná-los, ficar anunciando a tonalidade?
4) Não transmite ao grupo que o objetivo de todos não é uma apresentação musical, mas, sim, uma pregação cantada e que, para isso, deve existir preparação contendo leitura apurada de partitura, ensaio individual e coletivo na busca de boa dicção, e afinação, oração, estudo da Bíblia e alta conscientização?
5) Não propicia uma comunicação eficaz entre seu grupo e o ministro de música da igreja?


C) Será que o instrumentista ou cantor:

1) Acha que o que estudou é o suficiente e que já domina bem seu instrumento?
2) Acha que, para cantar, não é necessário passar pelas aulas de canto, visando conhecer seu sistema fonador, atingindo a região de maior brilho de sua voz, dominando sua respiração, enfim dominado toda a arte e ciência desse assunto?
3) Acha que não precisa percepção musical? Atente para isso: “Se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” ICo 14.8.
4) Acha que o seu instrumento só deve ser tocado na igreja e não em casa? Não sabe que a habilidade é conseguida através de intenso treinamento? Atente para como os atletas fazem! Atentem para os músicos e cantores profissionais, que estudam até 8 horas por dia! Atentem para o que a Bíblia nos diz: “Os filhos das trevas são mais prudentes que os filhos da luz”, Lc 16.8.
5) Acha que os acessórios de seu instrumento (cordas, palhetas etc) são eternos e não se desgastam? Já percebeu que sonoridade diferente aparece quando uma revisão é feita?
6) Acha que os instrumentos, especialmente os elétricos, devem ser ligados e afinados após o início do culto? Não aproveitou o tempo de antecedência que você tinha?
7) Acha que não precisa freqüentar a Escola Dominical, cultos de doutrina, cultos de oração, de vigília, pois é “levita”? Pensa que, para ser “levita”, basta tocar? Será que esse rótulo “levita” não está atrapalhando, não está iludindo? Você sabe realmente como e porquê, e em que condições, um levita era convocado e como ele se comportava em seu ministério?
8) Acha realmente que alguém pode ser curado ou ter sua vida liberta de demônios quando você estiver tocando?


D) Será que os pais:

1) Estão destinando tempo de qualidade a seus filhos? Tempo de qualidade pode ser determinado por pequenos espaços de tempo, desde que sejam utilizados com a maior eficácia possível, com objetividade e repletos de significação de amor.
2) Crêem que a musicalização infantil despertará a criança nessa arte e em outras? Sendo aplicada no meio ambiente da igreja, ela estará se desenvolvendo como adoradora, despertando o seu dom.
3)Acreditam que seus filhos participando de grupos musicais, fortalecerão seu caráter cristão?
4) Acreditam que seus filhos serão fortalecidos na fé? Conheça o que aconteceu comigo. Dois fundamentos bíblicos serviram de sustentação para minha vida. São eles:
a) “Educa a criança no caminho em que se deve andar” – O meu pai aplicou com eficácia e obediência esse princípio e obteve êxito. A prova está no ministério que o Senhor me confiou.
b) “A fé vem pelo ouvir” – Por participar da orquestra desde os 9 anos, sempre estava exposto às pregações e, por assim ser, minha fé foi “adubada”, adquirindo consistência tal que tem me assegurado a permanência ininterrupta na do Pai até os dias de hoje e, por certo, até que o Senhor me recolha.

Queridos pais, instrumentistas, cantores, regentes e ministros de música: reflitam profundamente sobre todos os questionamentos aqui elencados, que propositadamente formulei em forma de perguntas, pois elas provocam a ida e a vinda de pensamentos e se tornam muitas vezes auto-explicativas.

Percebam que a maioria dos participantes da área musical só freqüenta a igreja aos domingos, muitas vezes por motivos justos, mais saliento que o tempo em que essas pessoas passam em contato com as “coisas de fora” é imensamente maior que o tempo dentro da casa do Senhor congregando e cultuando.

O tempo em que somos bombardeados pelos torpedos de Satanás é inquestionavelmente maior. O culto a Deus perdura duas horas tão somente. Duas horas no domingo à noite. Temos ou não que administrar o tempo dentro dessas duas horas? Essa administração está ou não inserida nos estudos individuais, nos preparos dos regentes, nos ensaios bem elaborados, no conhecimento prévio de todos os participantes daquilo que vai acontecer, quando forem acionados?

Administremos bem o tempo, porque os dias são realmente maus. Agindo assim, estaremos sendo sábios.


Pastor Nilson Didini Coelho é formado em Teologia, Engenharia Civil e Música. É maestro da AD na Lapa, São Paulo (SP), professor e autor do livro Manual do Líder de Louvor (CPAD).

Fonte: Jornal Mensagem de Paz – Março 2010.



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