| em 15 abril 2010

O cristão e as questões do seu tempo


É comum se falar hoje em dia sobre a necessidade de engajamento cristão em relação às realidades social e espiritual da sociedade. Porém, é igualmente importante frisar no que consiste esse engajamento, porque há pessoas que confundem com dois extremos: a imposição da fé cristã sobre as outras pessoas e o confinamento de fé em prol apenas de determinadas causas sociais definidas pela sua própria sociedade de nosso tempo.

No primeiro caso, referimo-nos àqueles cristãos que têm uma visão “constantina” do cristianismo. São os que defendem uma Teologia do Domínio, que prega que os evangélicos devem tomar conta, estrategicamente, de todas as principais áreas de comando da sociedade para, então, empurrar o cristianismo “goela abaixo” das pessoas. Não é isso que ensina a Bíblia. O Evangelho deve ser pregado, não imposto. As pessoas são livres para aceitá-lo ou não (Mc 16.15, 16). Devemos pregar esperando que o Espírito Santo convença as pessoas. O nosso trabalho é de persuasão, não é uma luta “contra carne ou sangue” (Ef 6.12). O Brasil só passará por uma transformação espiritual bíblica quando o seu povo se converter a Cristo, e não por um decreto presidencial ou coisa parecida.

No segundo caso, referimo-nos àqueles cristãos que são passivos diante de temas como a legalização do aborto e os projetos que pretendem minar a liberdade religiosa e de expressão, preferindo mourejar apenas em favor daquelas causas que a própria sociedade elegeu como as únicas dignas de nossa atenção e dedicação. Em outras palavras, são cristãos que têm sua agenda determinada apenas pelas demandas escolhidas pelo seu tempo. Não que estas demandas não sejam importantes (a maioria é), mas as outras questões não devem ser desprezadas, mesmo que seja muito impopular atentar para elas hoje em dia.

Ao relermos a história do Cristianismo, encontramos vários exemplos de influência marcante, positiva e transformadora da Igreja na sociedade, inclusive nos Brasil, e em épocas em que os evangélicos eram uma grande minoria e não tinham representantes políticos. O que havia era avivamento espiritual e engajamento político-social.

Não precisamos ir para longe, citando os casos extraordinários do Avivamento Wesleyano do século 18 na Inglaterra ou dos movimentos de reforma social nos Estados Unidos no século 19. Pouca gente sabe, mas muitas das mais importantes transformações sociais que o Brasil experimentou no final do século 19 foram provocadas pelos evangélicos brasileiros. A mídia e os livros escolares de História não falam disso porque não lhes convém, mas qualquer historiador sério confirma isso. Detalhe: na época em que os evangélicos implementaram essas mudanças, eles não representavam nem 1% da população brasileira e não tinha sequer um representante político.

Portanto, o verdadeiro engajamento cristão consiste precisamente na evangelização efetiva de nosso país, na busca de avivamento espiritual pela Palavra de Deus e na defesa dos princípios e valores corretos em meio à sociedade corrompida.

Fonte: Jornal Mensageiro da Paz



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