| em 29 abril 2010

Síndrome dos Ovários Policísticos

Se você tem alterações menstruais e/ou não consegue engravidar, obesidade e surgiram diversos pêlos em áreas como: face, tórax, abdome e coxas você pode estar com SOP.


Afinal, o Que é SOP?

Sérgio dos Passos Ramos, especialista em ginecologia e obstetrícia, explica que os ovários não conseguem completar o ciclo de ovulação. Desenvolvem o folículo, mas esse não cresce. O óvulo não é eliminado e acumula no organismo, formando algo parecido com um cachinho de uvas. “A mulher pode menstruar todo mês e mesmo assim não ter ovulação”, revela.


Os ovários também sofrem a influência da insulina, que tem como função transportar a glicose do sangue para dentro das células e abastecê-las com energia. A pessoa que está fora do peso geralmente tem resistência à insulina e vai precisar de maior quantidade do hormônio. Isso estimula a produção de hormônio masculino nos ovários, favorecendo o aparecimento de pêlos em regiões em que normalmente não existem (queixo, acima do lábio superior, seios e baixo ventre). A síndrome se inicia na puberdade e é progressiva.


Qual é a sua Causa?

O mecanismo preciso ainda não é conhecido. No entanto, já é sabido que há um aumento na produção de insulina devido a uma diminuição de sua ação nas células do organismo. Esse aumento leva a uma maior produção de andrógenos (hormônios masculinizantes) pelos ovários. Além disso, há uma disfunção no equilíbrio de dois hormônios da hipófise responsáveis pelo controle dos ovários: LH X FSH.(LH-hormônio luteinizante e FSH-hormônio folículo estimulante)


Seus Sintomas e Sinais Físicos

• obesidade
• Infertilidade ou dificuldade de engravidar
• diabete melitius 2
• hipertensão
• colesterol alto
• aumento de pêlos na face, peito, estômago, costas
• cólicas
• irregularidades no ciclo menstrual
• acne, pele oleosa ou caspa
• queda de cabelos
• calvície e cabelos ralos
• pequenas áreas escuras nos braços, pescoço, peito e coxa


Diagnóstico

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Norte-americano o aumento de andrógenos e a anovulação são duas características capazes de levar ao diagnóstico. É importante, no entanto, que se descarte outras causas como tumores secretores de andrógeno, doenças da glândula supra-renal e aumento da produção de prolactina (hormônio produzido pela hipófise). A maioria das mulheres tem a primeira menstruação numa idade normal, mas iniciam com ciclos irregulares que gradualmente se tornam mais irregulares, geralmente levando a amenorréia.


Para diagnosticar a Síndrome, basta que a mulher apresente dois dentre os sintomas:

• Ovários policísticos no ultra-som (exame de imagem) com mais de 12 folículos na superfície e aumento do volume ovariano acima de 10 ml;

• Falta de ovulação ou deficiência (pode ocorrer a ausência da menstruação);

• Sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo (acne, queda de cabelo, aumento de pêlos no rosto, pele oleosa), que são sinais de masculinização da mulher, devido ao excesso de hormônios masculinos, conhecidos como androgênios.

• Mulheres que apresentam apenas sinais de ovários policísticos ao realizar o ultra-som, sem que haja desordens de ovulação ou hiperandrogenismo, não devem ser consideradas portadoras da SOP.


Exames necessários

Todas as mulheres devem fazer acompanhamento ginecológico periódico (pelo menos uma vez por ano). O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos é feito através de ultra-som pélvico e exames clínicos e laboratoriais.

Entre os exames laboratoriais, recomenda-se a realização das dosagens:

• prolactina
• hormônio tireóide-estimulante (TSH)
• hormônio luteinizante (LH)
• folículo-estimulante (FSH)
• perfil de androgênio.

Como a SOP está associada ao maior risco de doença cardiovascular e resistência à insulina, também se recomenda a dosagem de perfil lipídico, glicemia e insulina de jejum.

A ultra-sonografia pélvica ou transvaginal é método de imagem também utilizado no auxílio diagnóstico da SOP. Podem-se observar ovários com características de múltiplos cistos de 0,4 a 0,7 cm e volume ovariano aumentado, normalmente maior que dez centímetros cúbicos. Deve-se lembrar que a ausência de imagem de ovários micropolicísticos não exclui o diagnóstico da SOP.


Tratamento

Se a fertilidade não é objetivo imediato, primeiramente realiza-se o manejo dos sintomas de hirsutismo, acne e oligomenorréia (diminuição do fluxo menstrual) e, em segundo lugar, procede-se à avaliação e melhora dos riscos à saúde, dos quais os mais importantes são a doença cardiovascular e a diabete.

Como não se conhecem as causas da síndrome dos ovários policísticos (SOP), tratam-se os efeitos da doença.

• aumento de pêlos, receita-se medicamento para reduzir a produção ou é feito tratamento estético.

• A mulher que pára de menstruar passa a tomar pílula anticoncepcional.

• O sangramento uterino difuncional e a anovulação devem ser tratados com progestogênios.

• Para os casos de infertilidade, utiliza-se medicamentos para indução da ovulação. A SOP causa a infertilidade na maioria dos casos, devido à dificuldade ou à falta de ovulação.

Deve-se lembrar que alguns tratamentos são mutuamente exclusivos. Como exemplo, pode-se citar que o desejo de fertilidade deve-se evitar o tratamento do hirsutismo (excesso de pêlos), já que os medicamentos utilizados para o tratamento desse problema podem causar alterações no feto.

• As mulheres obesas com SOP devem ser avaliadas quanto à presença de resistência à insulina. Deve-se ainda pesquisar a ocorrência de outros agravos como hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade central e intolerância à glicose, como também o desenvolvimento da síndrome metabólica.

• O aumento de peso é tratado com dieta com baixas calorias, ingestão de pouca gordura e exercícios, que promovem melhora da sensibilidade à insulina e podem também resultar na diminuição dos níveis circulantes de androgênios, resolução espontânea das menstruações e mudam o quadro de resistência à insulina.

Recentemente tem sido mostrado a associação da SOP à resistência periférica à ação da insulina o que pode levar à intolerância à glicose e ao diabetes mellitus tipo 2.

As mudanças no estilo de vida observadas a partir da segunda metade do século XX, que incluíram alterações nos hábitos alimentares e a adoção de estilo de vida sedentário, contribuíram para o aumento da freqüência de dislipidemia, obesidade, diabete melito e hipertensão. A ocorrência concomitante de todas estas alterações, associada a um quadro de resistência insulínica, compõe a chamada síndrome metabólica, que cursa com importante aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares severas.

Quais são as Possíveis Complicações da SOP?

A importância de se conhecer a SOP também decorre das implicações na saúde da mulher a longo prazo. A síndrome dos ovários policísticos influencia na saúde reprodutiva, podendo causar, além da irregularidade menstrual, infertilidade.

Por estar associada à obesidade, mulheres com SOP apresentam risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Além disso, ocorre influência no metabolismo ósseo, com diminuição da massa óssea, e maior risco de câncer de endométrio e ovário.

A SOP não tratada tem progressão até a menopausa, quando devido à falência ovariana, cessa a produção de estrógenos e andrógenos. Estudos em andamento têm relacionado a SOP com um maior risco de doenças cardiovasculares o que fica reforçado devido às alterações de gorduras (colesterol total e frações e triglicérides) corporais também presentes na SOP.

As outras complicações estão relacionadas com as alterações resultantes da anovulação: infertilidade, irregularidades menstruais variando de amenorréia a hemorragias uterinas, hirsutismo e acne. Mais importante ainda é a exposição do endométrio (revestimento interno uterino) contínua ao estrogênio, sem a presença da ação da progesterona contrabalançando-o, por encontra-se ausente devido às alterações hipófise – ovarianas. Essa exposição contínua pode propiciar o aparecimento de câncer de endométrio cujo risco é três vezes maior em mulheres com SOP. Além disso, há estudos sugerindo que a anovulação crônica durante a idade fértil, está relacionada com maior risco de câncer de mama após a menopausa.



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