| em 31 maio 2010

Fortalecimento muscular e biomecânica

Atletas e corredores devem dedicar parte de sua preparação a este fortalecimento

Entorses de tornozelo, lesões pela extensão excessiva dos joelhos ou herniações interdiscais, estão intimamente relacionados à falta de fortalecimento muscular em regiões específicas do nosso corpo.

Muitos corredores cometem o deslize de fazer o fortalecimento muscular apenas algumas semanas que antecedem sua corrida principal, onde o mesmo tem um benefício muito inferior se comparado ao que pratica periodicamente com tempo de planejar qual sua real necessidade em relação ao trabalho de fortalecimento.

Aquele corredor que faz o treinamento de força apenas algumas semanas antes da corrida, trás como benefício, apenas uma maior ativação da parte neural do músculo. Simplificando, de forma aguda, seu organismo irá adquirir maior capacidade de recrutamento das fibras musculares dos membros trabalhados, dando-lhe uma falsa sensação de fortalecimento dos músculos e articulações. Em contrapartida, de forma crônica, os benefícios são quase nulos, já que ainda corre o risco de tornar-se um corredor mais pesado. Estudos demonstram que nas primeiras semanas de musculação, o indivíduo tende a ter maior retenção de fluídos em seu organismo, deixando-o conseqüentemente mais pesado, com peso acrescido acima de um quilo na maioria das vezes. Quer dizer, seu rendimento na corrida passa a piorar em vez de melhorar.

Contudo, o corredor que pratica a musculação regularmente vem a ter realmente fortalecimento de seus componentes plásticos e musculares. Para se ter uma idéia, os músculos necessitam de algo em torno de oito semanas para desenvolverem seus tecidos musculares, no entanto a grande maioria dos corredores muitas vezes nem chegam a quatro semanas.

Além da falta de fortalecimento, o que gera lesão em muito corredor é a forma que ele corre. Umas das melhores maneiras de identificar erros biomecânicos durante a corrida, é colocar o corredor na esteira e observá-lo através de seu plano lateral ou frontal. Através destes planos de observação, percebe-se a necessidade do fortalecimento de algumas regiões específicas que podem ser sérias candidatas à lesão.

Como foco de análise tem-se como exemplo a articulação do joelho. Muitos corredores tendem a hiper-estender na fase aérea e, conseqüentemente, mantendo a mesma amplitude na fase de contato com o chão. Isso dá um impacto muito grande nas articulações, acarretando em lesões das partes plásticas do joelho, como os ligamentos. Neste caso a hiper-extensão poderia ser evitada dando o devido fortalecimento da região posterior da perna, os músculos isquiotibiais.

Em contrapartida, o mesmo pode acontecer com a região antagonista dos isquiotibiais, o quadríceps. Em função do pouco fortalecimento desta junção de quatro músculos (vastos medial, intermédio, lateral e reto femural) e também pela falta de flexibilidade da parte posterior da perna, ocorre a hiper-flexão do joelho, acarretando no encurtamento das passadas durante a corrida.

Exemplos como estes existem em várias regiões do nosso corpo, como a região das costas, coluna vertebral, região dos ombros ou cintura escapular, pois são responsáveis pela estabilidade do corpo durante as corridas. No entanto, torna-se imprescindível que estejam fortalecidos e também automatizados corretamente ao movimento adequado à atividade em questão.

Entretanto, é evidente a necessidade de um fortalecimento sério e coerente em paralelo com um profissional capacitado e habilitado. Criar o equilíbrio nos membros do nosso corpo é de extrema necessidade. Isto é conseguido através do fortalecimento, treinamento, alongamento e, principalmente, ser um atleta consciente de suas necessidades.

por Prof. Eric Haddad
Fonte: treinoonline.com.br



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