| em 20 maio 2010

Os efeitos do treinamento intenso na saúde da mulher atleta

Quando se fala em atletas de alto nível, muitas pessoas comparam os mesmos como um sinônimo de qualidade de vida, e que possuem uma saúde bem acima dos indivíduos considerados normais ou “mortais” como muitos dizem.

Mas na verdade não é bem assim. Podemos comparar os atletas de alto nível como um carro de Fórmula 1 e as pessoas que praticam uma atividade física de forma regular sem o intuito de competir visando a penas o aumento de suas qualidades físicas como um carro de passeio que nós compramos nas concessionárias.

Os carros de Fórmula 1 são exigidos ao extremo durante todo o campeonato mundial, sendo necessário às vezes, a reposição de peças após algumas voltas em um determinado circuito. Já os carros de passeio (quando utilizados de forma correta) duram muitos anos, sendo somente necessário realizar as manutenções que os fabricantes recomendam.

Tudo isso pode estar sendo uma analogia meio sem nexo, mas na verdade é o melhor exemplo para explicar o que os atletas de alto nível fazem com seu organismo. Os atletas, tanto os homens quanto as mulheres visam apenas ótimos resultados e para isso têm que passar por treinamentos muito intensos ao longo de toda a temporada.

Imaginem o tanto de treinamento que um fisiculturista feminino e masculino têm de realizar para desbancar seus adversários em um campeonato onde estão os melhores do mundo!!! Mas neste artigo estaremos descrevendo os efeitos de um treinamento intenso na saúde da mulher atleta. Algumas mulheres podem sofrer de uma síndrome chamada de TRÍADE DA MULHER ATLETA, mas alguns pesquisadores preferem o termo TRÍADE DA MULHER, pois essa síndrome de distúrbios acomete também mulheres fisicamente ativas na população geral que não se enquadram no modelo da atleta competitiva típica (McARDLE et al, 2003).

O nome tríade é devido a três grandes alterações orgânicas que acomete essas atletas: osteoporose, alimentação desordenada e amenorréia.

É provável que muitas mulheres jovens que participam de desportos venham a sofrer de pelo menos um dos distúrbios da tríade, principalmente o da alimentação desordenada. Por isso muitos pesquisadores concordam que, pelo simples fato da mulher atleta treinar intensamente e com isso acabar não se alimentando de forma adequada, irá levar com certeza as outras alterações como osteoporose e amenorréia.

Estaremos descrevendo detalhadamente cada uma dessas alterações citadas acima: Todos os problemas da atleta são agravados com a ingesta precária de nutrientes necessários, e acaba proporcionando uma ingestão insuficiente de cálcio levando a OSTEOPOROSE muitas vezes.

Então, a osteoporose acaba reduzindo os benefícios dos exercícios para a manutenção da massa óssea pela ALIMENTAÇÃO DESORDENADA.

A falta de menstruação (AMENORRÉIA) está associada à diminuição abrupta do peso corporal (principalmente a diminuição do tecido adiposo) em desportos como: fisiculturismo, corridas de longa distância, balé, ginástica.... Mas porque a menstruação é interrompida pelo simples fato do tecido adiposo diminuir para percentuais muito baixos???

Tecido corporal baixo significa perda de peso e muitas vezes, uma diminuição do tecido gordo, unindo isso a uma alimentação precária como já dito anteriormente, leva a uma diminuição da síntese de estrogênio (hormônio importante para o ciclo menstrual) e a síntese de estrogênio depende de lipídios para a sua formação, fazendo com que seja interrompida a menstruação, tornando um ciclo menstrual irregular, síndrome esta chamada de oligomenorréia.

Por isso, as mulheres têm um percentual de gordura considerado excelente de 15% (bem acima dos homens, que fica em média entre 7 a 10% - dependendo do estilo de vida e modalidade desportiva do praticante pode ser maior ou menor que este valor descrito).

O hormônio estrogênio não é somente importante para o ciclo menstrual, aliás, sua principal função dentro do metabolismo é sobre a fixação e absorção de cálcio nos ossos. Pesquisadores admitiram que a disfunção menstrual repetida produzia uma massa óssea permanentemente abaixo do ideal durante a vida inteira (DRINKWATER et al, 1990).

Essa condição fazia aumentar o risco das mulheres virem a desenvolver osteoporose precoce e fraturas de estresse, até mesmo depois que as atividades atléticas competitivas fossem interrompidas.

O Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda uma intervenção não farmacológica quando do aparecimento desses sintomas:

1. Reduzir a intensidade do treinamento em no mínimo 20%;

2. Aumentar a ingesta e realizar dietas compatíveis com o gasto dentro de seus treinamentos;

3. Manter a ingesta de cálcio em 1.500 mg.

É claro que um treinamento realizado dentro dos princípios científicos do treinamento, bem planejado, utilizando conhecimentos de fisiologia do exercício e o mais importante, respeitando a individualidade e particularidade da mulher atleta; a probabilidade dessa síndrome ocorrer fica diminuída.

Por isso, não somente as mulheres atletas, mas aquelas que praticam exercícios de forma regular, devem sempre procurar orientação de profissionais de Educação Física bem qualificados para não correr este risco!!! Por isso, treine com sabedoria; pois, treinar demais não significa estar bem treinada.

Por Prof. Ms. Fabiano Peres

Fonte: educacaofisica.org

BIBLIOGRAFIA

AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Manual das Diretrizes do ACSM para os Testes de Esforço e sua Prescrição. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan, 5 Ed., 2001.

DRINKWATER BL, et al. Menstrual history as a determinant of current bone density in young athletes. JAMA, 1990; 263:545.

McARDLE, W. D., KATCH, F. I., KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan, 5 Ed., 2003.
WILMORE, J. H., COSTILL, D. L. Fisiologia do Esporte e do Exercício. São Paulo, Ed. Manole, 2ª Ed., 2001.



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