| em 14 junho 2010

Mente: Baixo rendimento em treinos e competições pode ser psicológico

O rendimento nos treinamentos ou competições está abaixo do normal. Exames clínicos apontam que fisicamente o atleta não apresenta nenhuma deficiência. Também não tem um problema emocional aparente que explique o fato. O que fazer? Esportistas de diferentes níveis, do amador ao profissional, enfrentaram esse tipo de situação. Sentiram angústia de não conseguir reverter suor e empenho em marcas. Nesses casos, é preciso mergulhar fundo na psique do corredor em busca do equilíbrio entre corpo e mente.

O primeiro passo desse equilíbrio é eliminar qualquer probabilidade de problemas físicos, explica a psicóloga esportiva Maria Carolina Rodrigues, doutoranda da Faculdade de Educação Física da Unicamp.

“Em seguida, deve-se procurar investigar questões a respeito da vida do atleta. Qualquer indício de alteração na rotina, seja no contexto esportivo ou na vida pessoal, mesmo que aparentemente insignificante, pode trazer conseqüências para o atleta como desmotivação e baixo rendimento. Isso se dá pelo fato de que algumas reações emocionais são inconscientes e, portanto não reconhecidas pelo atleta, o que torna difícil, muitas vezes, diagnosticar inicialmente os motivos reais pelo qual o esportista apresenta este comportamento”.

Segundo o treinador Luis Bernardi, da equipe Find Yourself, nesses casos o técnico tem que ser o “ombro amigo” para poder ajudar o corredor. “A melhor solução é tentar uma aproximação mais íntima da vida do atleta, dos seus anseios, objetivos, dificuldades. Tentar ser um ouvido amigo, conselheiro, esquecendo o papel de técnico, de resultados, de cobrança de treinamento, etc. Entender o processo de angústia ou medo, e por intermédio de uma interação maior, mostrar comprometimento na história da pessoa”.

Com relação ao grau de influência da mente no rendimento esportivo, uma coisa é certa. Atleta intranqüilo não rende. “Até hoje não foi estabelecido um estudo da magnitude da influência e poder da mente. Creio que é maior do que provavelmente imaginamos”, comenta o médico e treinador Henrique Viana.

E a psicóloga esportiva completa: “Não existe um momento determinado para a influência da mente. O que existem são momentos em que o atleta utiliza mais essa condição emocional para superar situações na competição que exijam mais dele como: decisão de pontos, final de jogo, recuperação de resultados, etc”.

A experiência de Bernardi também comprova que o corpo depende da mente para executar o melhor. “Não adianta você ter uma excelente capacitação física se não sabe lidar com determinadas situações, tais como correr na frente, ganhar, perder, cobranças de patrocinador e familiares. Um equilíbrio entre os treinamentos e objetivos a serem alcançados faz a diferença na hora de conquistar tais metas. O atleta precisa confiar no caminho a ser seguido, ter boa auto-estima e principalmente tranqüilidade na hora de ser colocado em desafio. Vale ressaltar que expectativa e ansiedade devem existir na medida certa para não se reverter um quadro positivo em negativo.”

Profissionais aconselham estar sempre atento ao comportamento do corredor, tanto dentro quanto fora de treinos e provas. Normalmente, quando o problema é de ordem emocional, o próprio atleta começa a dar indícios de seu desequilíbrio, já que a prática esportiva exige uma condição psicológica adequada para o cumprimento das metas. Falta de concentração, cansaço excessivo, nível elevado de ansiedade, lesões constantes e alto rendimento em treinos com resposta contrária em competição são alguns sinais de que o praticante não está bem psicologicamente.

Diversos fatores emocionais podem causar efeitos negativos na performance, como baixa autoconfiança, problemas externos ao contexto esportivo (família, relacionamentos), dificuldades na relação com o técnico e/ou equipe, cumprimento de metas irreais e excesso de treinamento (overtraining). As soluções são várias, as quais sempre dependerão da complexidade de cada caso. Um atleta é diferente do outro, tem um perfil psicológico diferenciado. O mais importante, no entanto, é estar entregue a um profissional adequado para oferecer-lhe as diversas soluções. Por isso técnicos e coordenadores de equipe apostam no trabalho multidisciplinar, o qual dá suporte completo ao corredor em qualquer situação.

“Depois de diagnosticado o problema, devemos definir por uma abordagem mais direcionada conforme a gravidade encontrada, seja por uma simples conversa com o técnico como um encaminhamento para a psicologia esportiva”, relata o coordenador da equipe Pé de Vento (RJ), Henrique Viana. Para Luis Bernardi, o psicólogo do esporte é um profissional importante na evolução de um atleta, pois tem capacitação para perceber a realidade do corredor com ele mesmo, bem como a sua interação dentro da equipe.

Constatar que o grande obstáculo do corredor é psicológico se torna uma tarefa difícil pelo fato de o próprio atleta dificilmente falar sobre o assunto ou se conscientizar da situação. Por isso o treinador Gilmário Mendes Madureira, diretor-técnico da Multsport Clube de Corredores, afirma que a confiança mútua entre técnico e aluno é fundamental para elucidar o problema.

"Muitos atletas se fecham e fica difícil penetrar no seu mundo. O treino à distância nem permite que estes fatos venham à tona. Mas quando o convívio é quase que diário, o técnico deve intervir o mais rápido possível. Não vejo muitas chances do atleta resolver o seu problema sozinho.
Nem que seja um amigo, ele tem de procurar”.

por Renata Rondini
Fonte: interesportes.com.br



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