| em 28 junho 2010

O batismo no Espírito Santo e o batismo pelo Espírito Santo

A doutrina do batismo com o (ou no) Espírito Santo é uma doutrina tão atual quanto são as demais doutrinas cardeais da Bíblia. Porém, essa experiência, mais que uma teoria doutrinária, ou uma doutrina retida no tempo, tem sido alvo de desconexas e insustentáveis polêmicas. Não só da parte dos evangélicos tradicionais, mas até mesmo entre os pentecostais, que questionam, acima de tudo, a glossolalia, que é a evidência primária e física do batismo no Espírito Santo.

Naturalmente, os que negam a atualidade da experiência do Pentecoste com a evidência do “falar em línguas” não negam o fato bíblico, mas negam a sua evidência atual. Há os que até ensinam a necessidade do Batismo no Espírito Santo sem precisar da experiência glossolálica. Outros, mais radicais, entendem que a experiência das línguas foi ontológica, isto é, aconteceu apenas nos primórdios da igreja depois do pentecostes.

A primeira lição que aprendemos acerca desse assunto é que o Batismo no Espírito Santo é uma experiência para os que já foram regenerados pelo Espírito Santo. Por isso, no ato da conversão, o Espírito Santo conduz o pecador arrependido à submissão ao senhorio de Jesus Cristo e entra na sua vida.

Há uma relação vital da atuação do Espírito Santo na vida do pecador arrependido. São três esferas de atuação no campo da convicção: na esfera da mente (Ne 9.20; Rm 8.27; ICo 2.10, 11), o Espírito Santo convence intelectualmente o pecador pela Palavra de Deus; na esfera do sentimento, Ele desperta o interesse, o desejo pela salvação (Ef 4.30; Rm 15.30; Ap 22.17); e na esfera da vontade, o Espírito Santo opera com o objetivo de promover uma decisão pela salvação (ICo 12.3, 11). Jesus ensinou sobre o papel do Espírito na área da convicção conforme lemos em João 16.8-10. Nesse texto, o E spírito Santo tem ação tríplice, porque Ele convence do pecado, em relação ao passado; convence da justiça da justiça, em relação ao presente, mostrando que Cristo cumpriu a justiça da lei na sua morte no Calvário; e convence do juízo, mostrando o juízo efetuado no Calvário e apontando para o futuro, para a absolvição no Juízo Final.


Doutrina dos Batismos

O autor da Carta aos Hebreus no capítulo 6 e versículo 2 cita a “Doutrina dos Batismos”, indicando, sem dúvida que há mais de um batismo como doutrina cristã. A despeito da linguagem metamórfica acerca dos batismos, dois deles são evidentes na experiência cristã: o batismo em águas, como sinal de conversão e arrependimento; e o batismo com o Espírito Santo. Portanto, a citação de dois batismos é inegável e cada qual tem o seu valor espiritual e é indispensável na vida do cristão. Quando Paulo declara que “há um só batismo” (Ef 4.5), está se referindo ao batismo de arrependimento, que é físico e realizado por imersão em águas. É um batismo literal.

A expressão “há um só batismo” tem um caráter particular, referindo-se única e exclusivamente ao batismo em águas. Não há contradição quando, mais à frente, o autor da Carta aos Hebreus fala da “doutrina dos batismos” (Hb 62). O autor de Hebreus, ao usar o plural “batismos”, se referia-se à distinção entre “o batismo de João”, o batismo de prosélitos do judaísmo e o batismo cristão. Ora, o batismo cristão não é o mesmo que o batismo no Espírito, mas refere-se ao batismo físico por imersão que ilustra a entrada ao Corpo de Cristo, a Igreja (Gl 3.27). Não há nenhuma inocência em falar da doutrina do batismo no Espírito Santo, cuja evidência encontra-se em passagens como Atos 2.1-4.

Alguns grupos cristãos rejeitam a interpretação pentecostal do batismo com o Espírito Santo, afirmando que os pentecostais que crêem na evidência física do falar em línguas insistem em “precedentes históricos” como uma experiência pós-converão. Entendem que o batismo com o Espírito é uma incorporação do crente em Cristo Jesus. Declaram ainda que não seria adequado formular uma doutrina a partir de experiência que ficou restrita aos primeiros dias da Igreja após o Pentecostes.

Para entendermos o sentido das preposições gramaticais “com”, “pelo” e “no” no contexto da experiência do batismo no Espírito Santo, precisamos distinguir cada preposição no seu contexto doutrinário. Expressões como “ser batizado no” ou “ser batizado com”, ou “ser batizado pelo Espírito”, são conhecidas nas Escrituras.


Batizado “Pelo” e “No”

1) Batizado com (ou no) Espírito (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33; At 1.5; 11.16)
___ Todos esses textos usam a preposição grega en, que pode ser entendida em nossa língua como “no” ou “com”, e indica “batizado em (do grego en) o Espírito Santo”.
A palavra batismo aparece na forma verbal baptizõ, que significa imergir. A preposição “no” concorda melhor com o original porque indica uma experiência em que o crente é imerso no Espírito. O batismo de João era administrado na água e tinha um sentido especial de mudança de vida, porque era o batismo de arrependimento. Porém, o batismo no Espírito é um batismo efetuado por Cristo. Ele é batizador com o Espírito Santo. Essa é uma experiência que acontece na vida do pecador após a conversão r regeneração.

2) Batizado pelo Espírito Santo (ICo 12.13) – Sem dúvida, há uma distinção entre os textos de Atos 1.5 e ICorintios 12.13. No primeiro texto (At 1.5), o batizador é Cristo e no segundo tecto (ICo 12.13), o batizador é o próprio Espírito Santo. No primeiro texto, o crente experimenta o poder do Espírito para testemunhar com a evidência física da glossolalia. No segundo texto, o Espírito incorpora o crente no Corpo de Cristo. Nos dois textos, encontramos a preposição “en” (gr), designando o Espírito Santo como o meio pelo qual o crente é batizado. Ser batizado pelo Espírito (ICo 12.3) é uma operação que toma lugar no novo nascimento. É nessa operação espiritual que o pecador tem um tipo de batismo do Espírito, quando é conduzido pelo Espírito a se submeter ao senhorio de Cristo. O Espírito entra na vida da nova criatura (IICo 5.17).

3) Ser cheio do Espírito (Ef 5.18) – Alguns teólogos entendem que há um batismo no Espírito e muitos enchimentos. Essas idéias não desfazem a operação do Espírito Santo. Há uma diferença entre “ser” cheio do Espírito e “ser batizado com o Espírito”. Um crente pode ser cheio do Espírito sem ser batizado com o Espírito. Ser cheio do Espírito implica em uma efusão espiritual (Ef 5.18), que significa um derramanento interior ou algo derramado por cima e dentro. Toda nova criatura pode ser cheia do Espírito para manifestar o fruto do Espírito. É como tomar uma vasilha e derramar dentro dela a água da fonte. Isso significa encher do Espírito. Porém, se tomar a vasilha e mergulhá-la na fonte, ele ficará molhada por dentro e por fora. A primeira experiência normativa do Espírito com os discípulos de Cristo no dia de Pentecostes foi uma efusão, uma derramamento do Espírito sobre suas vidas. O texto diz claramente: “E todos foram cheios do Espírito Santo”, At 2.4. A segunda experiência daquele dia, após a efusão (derramamento), foi a imersão no Espírito Santo (isto é, o batismo com o Espírito Santo), como diz o texto a seguir: “E começaram a falar em noutras línguas”, At 2.4.


por Elienai Cabral, pastor, escritor, líder da Assembléia de Deus em Sobradinho (DF) e comentarista de Lições Bíblicas da CPAD.

Fonte: Jornal Mensageiro da Paz



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