| em 11 junho 2010

Vida de reflexão e muita oração

Unir-se à Maria era o maior sonho de José, mas antes das núpcias percebe algo estranho na vida da sua futura esposa, e estarrecido conclui: ela está grávida! Mas o carpinteiro, de forma cautelosa fica observando a sua noiva, sem, contudo, deixar transparecer, tristeza, inquietação e amargura... José agia com retidão, sem infamar Maria, pois sabia ele que uma adúltera, pelo rigor da lei, podia ser apedrejada até a morte.Diariamente, quando ela vem da fonte com o seu cântaro; durante o dia, de avental, realizando as tarefas da casa; nos momentos de meditação, com o Livro da Lei, se encaminhando para a reunião na Sinagoga; despreocupada, nas montanhas, visitando a sua prima Isabel. Verificando todos esses momentos e detalhes, certamente fortalece a sua convicção de que Maria está grávida.

Sim, o leve calor que cobre o seu semblante, o seu corpo se avolumando, a flacidez que vai lhe desmanchando as curvas e as linhas de contorno e à medida que estes sinais se acentuam, José interrompe mais freqüentemente o seu trabalho para se entregar a longas cismas, tendo pela frente algumas opções. Uma Opção, Ir embora... Abandonar a esposa, lançar em rosto o seu pecado, enfrentar as chacotas dos vizinhos e conhecidos, com a infidelidade daquela que ele tanto ama e quer.Certamente, acorria a sua mente, o povinho nazareno (na opinião do crítico Natanael) riria da sua confiança ao voto de sagrada fidelidade da mulher... Outra Opção, ficar... Ficando, assumiria a paternidade da criança, levaria para sempre a vergonha da infidelidade de Maria; combinaria com ela guardar segredo, mas a terceira pessoa envolvida, o pai verdadeiro da criança, quem sabe, mais cedo ou mais tarde divulgaria os fatos, dividindo as glórias do filho...

Tomando essa decisão não teria coragem de olhar de frente para Maria, para os amigos... José continuava angustiado, triste, indeciso...Já não podia trabalhar com atenção e diligência. Quando vai à mesa, tem a boca amarga, falta de apetite, mal toca os alimentos - está ficando magro, pálido, desfigurado...À noite, custa-lhe conciliar o sono; quando adormece, tem pesadelos...Vai passando o tempo, Maria percebe-o, e percebendo, sofre vexames; teme pela saúde de José; remédio caseiro é debalde, a doença é do fundo do coração. O que seria a luz para os inocentes, já no ventre faz um homem inocente sofrer e que humilhação! José pensa em abrir francamente com Maria, a idéia é passageira, não deseja magoa-la. Mas um dia, secretamente, no silêncio exemplar das noites da pequena Nazaré, José com um nó na garganta, planeja deixar a casa, pois uma dor muito grande lhe aperta o peito.Considerou todo o tempo que fora feliz ali, sonhando implantar com Maria um lar romântico, com base no amor que lhe sufocava o coração; tempo esse que ele entregava ao labor e à prece, unidos por um afeto (para ele) puro e casto.

Sentia que a amava, mas agora, percebia um agudo espinho perfurando o seu peito, a dor de vê-la infamada, humilhada e perdida. Parece que vemos José abrindo o seu armário e retirando a sua roupa humilde, metendo-a num bornal, pé ante pé, dirige-se à cozinha, enche o canil de água , toma um pedaço de pão que por ela fora feito e aguarda coragem para sair e nunca mais voltar. Através do vão dos batentes, percebe que há uma luz acesa no aposento de Maria e chegam aos seus ouvidos murmúrios abafados de prece. Ela orava. Como podia orar? Que palavras saiam dos seus lábios, pensava... José coloca aos pés do leito o bornal, o cantil e o bordão e deita-se aguardando o cantar dos galos, para sair sorrateiramente e pegar a estrada. Assim deitado, vem à sua mente todos os pormenores da vida comum, dos sonhos, dos desapontamentos - palavras esquecidas, cenas perdidas, gestos, atitudes, fatos insignificantes – surgiam em tropel na sua memória.

A manhã em que uma mulher de Caná parou à porta da Oficina para lhe fazer uma encomenda: à tarde em que lera com Maria aquela escritura do Profeta Isaías; o dia em que dera a um esbonante um pedaço de carneiro assado; a noite em que ela cerzia o seu manto... Agora que ia deixar a cidade, lembra-se nitidamente dos arredores da cidade, revia tudo, as árvores, os barrancos, as casas, a estrada, o lago, aquela pedra grande, a encosta, o revoar dos pombos, o cincerro das ovelhas, até o zunido do vento.Deixava tudo aquilo, porque fora traído... A traição, quanto mal traz ao coração do homem sincero e inocente!De repente, ergue-se, cobre-se com o manto, apanha o cantil, põe o bornal ao ombro, toma o longo cajado, descem as lágrimas dos seus olhos, quando dá o primeiro passo, mas a luz do Quarto de Maria ainda denuncia alguém vigilante e José deixa a sua pequena bagagem para um lado e se deita, esperando a melhor hora... Adormece e alguém fala, em sonho, ao seu coração: - José, filho de Davi! - chamou a voz estranha.

O carpinteiro ouviu um ser, de voz suave mas cristalina e prazerosa: - José, filho de Davi! Não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado foi por milagre de Deus, o qual darás o nome de Jesus. Ele salvará o seu povo dos seus pecados. À medida que o anjo falava, José descansava, mas um peso maior fazia-o cair de joelhos. - Era o maior dos encargos para um homem: a resignação, o silêncio pela proteção em favor de Deus. Após ouvir a voz de Deus, José optou permanecer naquela casa, ficar com Maria, aguardar o nascimento da criança e de vez em quando uma voz falava aos seus ouvidos... “... o que nela se gerou é do Espírito Santo”, “O seu nome será Emanuel – Deus conosco”. Mas Deus sempre teve como desiderato maior preservar a família e este sentimento já está inserido no texto bíblico proclamado pelo anjo: “Ele salvará o seu povo...” Não podemos negar que José passou por momentos difíceis, mesmo assim, desejava fazer o que era nobre e reto. Não se apressou e refletiu até permitir a direção de Deus no seu agir. Concluindo, destacamos que José preservou a família, quando: - não hesitou em silenciar os problemas familiares; - cauteloso, trocou os seus sonhos pelo projeto de Deus; - tomou decisão ouvindo a voz de Deus; - colocou a família acima dos seus desejos e sentimentos.

Sim, a retidão pessoal de José, aliada à sua vida de reflexão e com muita oração, levaram-no a um resultado feliz – na preservação da família. Tomemos José como um grande exemplo: preservemos a família, salvemos o mundo!

Fonte: Atos Dois



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