| em 17 julho 2010

Cabeça quente: 10 questões sobre enxaqueca

A enxaqueca é uma doença comum, especialmente para as mulheres, que têm três vezes mais chances de sofrer com o problema do que os homens. Apesar disso, o neurologista Getúlio Daré Rabello, do Hospital das Clínicas de São Paulo, frisa que é possível conviver bem e viver normalmente com a ajuda de orientação médica, tratamento preventivo e algumas informações básicas.

1 – Como sabemos se temos apenas uma dor de cabeça ou se sofremos de enxaqueca?

A crise de enxaqueca é recorrente. Vem e volta com alguma frequência. A dor de cabeça comum costuma ser um sintoma de outra doença. Se você não está com gripe, sinusite ou qualquer outra condição e está sofrendo de crises regulares de dor de cabeça, você pode ter enxaqueca.

2 – O que a paciente sente?

A crise de enxaqueca é caracterizada por dor latejante e pulsátil. Muitas vezes, é em apenas um lado da cabeça. Luz, barulho e cheiros fortes incomodam. A visão pode fi car embaçada. Tarefas da rotina, especialmente as que envolvem esforços físicos, podem piorar a intensidade dos sintomas. A dor de cabeça também pode vir acompanhada de enjoo.

3 – Quanto tempo dura a crise?

Sem medicação, as crises costumam durar entre 4 e 72 horas.

4 – O que desencadeia a crise?

Os fatores que desencadeiam as crises de enxaqueca variam de pessoa para pessoa e não há uma regra geral. Os mais comuns são ingestão de cafeína, de bebidas fermentadas (como a cerveja) e de alguns alimentos; cansaço; sono (dormir mais ou menos de 8 horas) e o estresse. Para as mulheres, as flutuações hormonais da TPM e do período de menstruação também podem iniciar uma crise. O mais importante é prestar atenção no que você fez ou comeu 24 horas antes da crise e descobrir o que resultou em enxaqueca.

5 – Como tratar a crise?

A crise pode ser aliviada com analgésicos, anti-inflamatórios e remédios para vômito e ansiedade.

6 – Como prevenir a crise?

Sono, alimentação e atividade física regulares são as primeiras indicações para driblar a crise. Não há um remédio específico para a enxaqueca, mas alguns medicamentos como os antialérgicos, os antidepressivos e os usados no tratamento da hipertensão previnem as crises.

7 – Há tratamentos alternativos?

A crise só pode ser aliviada com medicamentos, mas métodos alternativos como a acupuntura e o relaxamento são bons complementos ou alternativas para o tratamento preventivo.

8 – Como é feito o diagnóstico?

Um médico chega à conclusão de que seu paciente tem enxaqueca por exclusão. Não há um exame que a diagnostique. Se a pessoa é saudável e a causa das dores não é encontrada, ela deve estar sofrendo com enxaquecas.

9 – Quem tem mais chances de sofrer com a enxaqueca?

A enxaqueca é mais comum entre as mulheres, devido à alta variação hormonal. Para cada homem, há quatro mulheres que sofrem com o problema. Além disso, a enxaqueca é genética. Se alguém da sua família tem, há mais chances de você também ter.

10 – Qual médico procurar?

O neurologista costuma ser consultado quando o assunto é enxaqueca, mas um clínico geral ou o próprio ginecologista também podem orientar as pacientes com enxaqueca.


O alívio pode estar no seu prato

A dor de cabeça é um sintoma tão amplo e tão complexo que, muitas vezes, é difícil diagnosticá-la corretamente e cortar o mal pela raiz. Justamente porque está associada a uma série de outros fatores aos quais somos submetidas diariamente (estresse, poluição, ansiedade, má alimentação, má postura, sedentarismo, automedicação…). A lista é extensa e você a conhece bem! Então, vamos ser práticas. Ela incomoda, lateja, incapacita, enerva… E você quer alívio imediato, certo? Bom, saiba que pode obter excelentes resultados prestando um pouco mais de atenção ao que você coloca no seu prato. Os especialistas estão cada vez mais convencidos do papel determinante da alimentação nesses casos. Estudos estimam que entre 20 e 30 por cento das crises de enxaqueca têm componentes alimentares associados.


Asseguir o que faz mal e o que faz bem para quem sofre com fortes dores de cabeça!


Faz mal

• TIRAMINA: libera as prostaglandinas, que geram a inflamação.

Onde encontrar: peixes defumados, queijos curados, fígado de galinha, figos e vinho tinto.

• NITRATOS E NITRITOS: substâncias utilizadas para realçar a cor e o aspecto de carnes e outros alimentos processados e em conserva. Sua ação vasodilatadora pode facilitar o gatilho da enxaqueca.

Onde encontrar: toucinho, carnes processadas, cachorro quente, salames e embutidos em geral.

• GLUTAMATO MONOSSÓDICO: aditivo que realça o sabor dos alimentos industrializados. Pode levar à liberação de acetilcolina (substância química estimulante da função muscular), bem como inibir a absorção de glicose por parte das células cerebrais. Pessoas
sensíveis podem sentir uma sensação de aperto e queimação no peito, dores na cabeça, pescoço e ao redor dos olhos, sudorese, ondas de calor e alterações do humor 20 minutos após o consumo.

Onde encontrar: carnes processadas, alimentos em conserva e fermentos.

• CAFEÍNA: é uma substância estimulante que, em alguns casos, pode causar uma dependência psíquica e de tolerância (a mesma quantidade já não provoca o mesmo efeito) quando consumida em excesso diariamente. Nesses casos, pode desencadear dor de
cabeça devido ao baixo teor de cafeína na circulação (por exemplo, aos finais de semana, quando longe do escritório, ingerimos menos xícaras de café).

Onde encontrar: café, chás e chocolates.

• SINEFRINE: também possui ação estimulante.

Onde encontrar: frutas cítricas.

• FENILALANINA E ASPARTAME: adoçantes artificiais que podem desencadear as dores de cabeça.

Onde encontrar: alimentos à base de cola (como chás e refrigerantes) e adoçantes artificiais.

• GELADOS: após o consumo de bebidas geladas ou sorvetes, algumas pessoas sentem dor de cabeça, geralmente no topo da cabeça, nos olhos ou nas têmporas (raramente em outras áreas) e não latejante. Isso acontece porque o alimento frio, em contato com o céu da boca, faringe e esôfago, desencadeia um ato reflexo que provoca a dor. Se não der para evitar o consumo, faça-o bem devagar, em pequenas quantidades e esporadicamente.

Onde encontrar: sorvetes, milkshakes e outras substâncias geladas.

• FENÓIS, ALDEÍDOS E SULFITOS: os fenóis são substâncias naturalmente presentes nas uvas, os aldeídos resultam do processo de destilação e os sulfitos são conservantes geralmente utilizados em vinhos e champanhes. São os causadores da famosa ressaca.
Os sulfi tos ainda podem desencadear outros sintomas, como asma, pressão baixa, sensação de ondas de calor, distúrbios intestinais, taquicardia, fraqueza e ansiedade.

Onde encontrar: álcool e frutas secas.

• OUTROS ALIMENTOS: podem desencadear crises de enxaqueca.

Onde encontrar: abacate, banana, amora, suco de maçã, uva, nozes, cebola e produtos lácteos.

• FATORES EXTERNOS

Alergia, tabagismo, menstruação, estresse físico ou mental, excesso de ingestão de açúcar e doces, fome, falta de sono, ruídos ou luzes muito fortes e anticoncepcionais de via oral podem desencadear as crises.


Faz bem

• ATUM, SARDINHA, ARENQUE, SALMÃO E LINHAÇA: alimentos ricos em ômega 3.

• GENGIBRE: é anti-inflamatório.

• SOJA: rica em isoflavona, modula o magnésio durante o período pré-menstrual.

• AVES, COGUMELOS E QUINOA: ricos em riboflavina, que aumenta a energia das células nervosas.

• ABÓBORA, ARROZ E AMARANTO: ricos em magnésio, que está em falta nas enxaquecas.


Cardápio antienxaqueca

Elaborado pela Dra. Sylvana Braga, médica ortomolecular, nutrologista, reumatologista e fisiatra.


Café da Manhã

• Iogurte desnatado batido com leite e ½ papaia
• 1 colher de linhaça dourada (ômega 3)


Lanche da Manhã

• 1 maçã verde


Almoço

• Salada de grão de soja (isoflavona) com folhas verde-escuras (ômega 3)
• Peito de frango (riboflavina) com molho de gengibre (anti-inflamatório)
• Arroz integral


Lanche da tarde

• 1 copo de água de coco


Jantar

• Salada de amaranto (magnésio) com atum (ômega 3)
• Purê de abóbora (magnésio)
• Salmão (ômega 3) com molho de cogumelos (riboflavina)
• Quinoa (riboflavina)


Ceia

• 1 fatia de abacaxi pérola (magnésio)


Mito ou verdade?

Ficar muito tempo sem comer pode desencadear dor de cabeça?

VERDADE: o jejum, mesmo que apenas por algumas horas, pode causar uma crise de enxaqueca. Os especialistas ainda não sabem ao certo o motivo, mas acreditam que a queda de açúcar no sangue em decorrência da falta de alimentação pode provocar uma vasodilatação e, consequentemente, a dor de cabeça. Por isso, ainda vale a recomendação de se alimentar a cada três horas, não apenas para apaziquar o “monstro” do apetite voraz, como também o “dragão” da enxaqueca.

Por Maria Alice Rangel Vila
Fonte: Revista Vitta/ ed.7



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