| em 10 julho 2010

Pais adotivos: Qual é a hora certa de revelar a verdade?

Psicóloga aconselha que pais devem falar o mais cedo possível

Criar uma criança gerada por outra pessoa como se fosse filho biológico é um ato de amor. Os laços afetivos se criam com a convivência e isso faz com que realmente a genética não interfira no amor de pai para filho. Entretanto, há um momento na vida de muitos destes pais que os atormenta: Qual é a hora certa de revelar que ele não é filho biológico?

Segundo a psicóloga Marta Eleonora da Cruz Padrão, os pais devem falar o mais cedo possível. "Ainda pequeno, começar contando historinhas que dê indícios de que ele é adotado, de forma bem sutil. Quando tiver idade que possa realmente entender, falar a verdade", afirma.

A psicóloga afirma que muitos pais ficam inseguros e adiam ao máximo contar a verdade com medo de o filho procurar o pai biológico ou ainda com medo de serem rejeitados. Entretanto, se a verdade demorar a ser revelada e a reação for negativa, deve-se procurar ajuda de um profissional.

"É natural que haja surpresa ou decepção. Dependendo do caso, pode até duvidar dos pais, questionando, por exemplo, 'até quando o que eles estão falando é verdade'", explica.

De acordo com Marta, é normal que a criança, sabendo que os pais são adotivos, faça chantagem do tipo "você não compra isso para mim porque eu não sou seu filho" ou ainda "você não manda em mim porque não é minha mãe (ou pai)" e isso pode ferir os pais.

"O responsável tem a tendência de superproteger o filho adotado, mas amar não é só dizer sim e, por isso, o pai tem que estar preparado para negar e, caso haja uma reação de chantagem, dizer que é filho sim e que o mais importante não é gerar e sim amar. A criança, muitas vezes, faz isso também para testar e ouvir que é amada como filho biológico. Toda criança precisa ouvir sempre que é amada", declara.


A adoção

Antigamente, o processo de adoção era demorado e havia muita burocracia. Com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente e com o pleno funcionamento dos Juizados da Infância e Juventude, adotar uma criança ficou mais seguro para ambas as partes.

As leis brasileiras não estabelecem restrições quanto ao estado civil do adotante. Mas em caso de casado ou vivendo em concubinato, a adoção deve ser desejada e solicitada pelo casal. Já em relação à idade, a legislação exige que a pessoa tenha idade mínima de 21 anos, sendo que o adotante deve ser mais velho que o adotado em, pelo menos, 16 anos. Ou seja, uma pessoa com 21 anos só pode adotar uma criança com até cinco anos.

Uma outra restrição da lei é que irmãos não podem adotar os próprios irmãos e os avós não podem adotar os seus netos. Porém, estes podem obter a guarda dos seus irmãos e netos, respectivamente.

A lei também estabelece um período de tempo chamado de "estágio de convivência", que o juiz expede antes de consentir a adoção. Nesse período, é possível desistir ou cancelar a adoção. Após esse prazo, é feita a formalização do processo e, a partir daí, o adotante não pode mais desistir de criar a criança. Pela lei, a adoção é irrevogável. Então, é necessária muita reflexão e maturidade.


A escolha

A preferência da maioria das pessoas que busca um filho para adotar é escolher uma criança que tenha tipo físico parecido com o delas.

"Grande parte dos casos acontece porque a mãe não quer que todos saibam que o filho é adotado e, assim, evitar que ele sofra preconceitos fora de casa", ressalta Marta. Ela explica ainda que a opção por crianças recém-nascidas acontece porque fica mais fácil criar ao seu ritmo.

Fonte: Agência Unipress Internacional



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