| em 01 julho 2010

Saiba como identificar e tratar a doença que pode causar obesidade abdominal


Sídrome metabólica (SM) é o conjunto de fatores de risco que, associados, elevam as chances de desenvolver doenças cardíacas, derrames e diabetes. A SM também aumenta a mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular em cerca de 2,5 vezes. Nos Estados Unidos estima-se que 24% da população adulta sejam portadores da SM e que aproximadamente 50% a 60% dos americanos com mais de 50 anos também façam parte dessa preocupante população de alto risco cardiovascular.

Embora ainda seja alvo de debate entre os pesquisadores, estudos revelam que o principal determinante desta síndrome é a obesidade abdominal e, secundariamente, a chamada resistência à insulina a ela associada. Por esta razão, na presença de obesidade abdominal é obrigatória a investigação diagnóstica para SM segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF). De acordo com a IDF, um indivíduo tem a síndrome metabólica se apresentar circunferência abdominal superior a 80 cm em mulheres ou 90 cm em homens, associada à presença de outros dois fatores entre os citados abaixo:

Triglicerídeos menor ou igual a 150 mg/dL

HDL-C maior que 40 mg/dL para homens e que 50 mg/dL para mulheres

Pressão arterial menor ou igual a 130 e/ou 85mmHg

Glicemia de jejum menor ou igual a 100mg/dL


Conheça as causas da síndrome

Estudos comprovam que, independentemente de fatores genéticos, as causas mais comuns da SM são a alimentação desequilibrada (rica em açúcar, gordura animal e alimentos processados), a falta de exercícios físicos, o estresse, estilo de vida inadequado, oxidação e problemas da tireóide, fígado intoxicado e, principalmente, o aumento das células de gordura que ficam na região intra-abdominal ou visceral.

As células de gordura que se estocam na região abdominal costumam ser bastante ativas e são responsáveis pela fabricação de substâncias que desequilibram nosso organismo. Ela podem até migrar para outros lugares: um deles é o fígado. Neste órgão, as alterações metabólicas causadas pelas células de gordura levam as células hepáticas a produzirem glicose em excesso. Neste cenário, o pâncreas começa a produzir insulina, com o objetivo de incansavelmente colocar toda glicose produzida para dentro das células.

Mas toda essa gordura armazenada na região abdominal libera também ácidos graxos, que impedem a ação correta da insulina (resistência insulínica). Assim, como a insulina não consegue cumprir sua missão corretamente, o açúcar sobra no sangue gerando, então, a diabetes tipo 2.


Como detectar a síndrome metabólica?

Em 1980, pesquisadores descreveram uma síndrome chamada esteato-hepatite não-alcoólica (NASH), caracterizada por pessoas obesas e diabéticas que não usavam álcool, porém apresentavam problemas no fígado muito semelhantes às da hepatite alcoólica, com o órgão aumentado, suas células apresentando alterações em exames laboratoriais e biópsias revelando vesículas de gordura (o nome esteatose vem de gordura), necrose, inflamação e lesões diversas.

O acúmulo de gordura dentro das células do fígado é um fenômeno natural, servindo para armazenar energia. Mas, por vários motivos, pode haver um acúmulo excessivo, e a partir daí, por mecanismos ainda pouco conhecidos, o organismo desencadeia uma inflamação contra as células do fígado, e estas passam a ser destruídas. A depender da intensidade dessa destruição, o fígado não consegue se regenerar, tendo suas células substituídas por cicatrizes.

As estatísticas mostram que em torno de 20% dos obesos morre em decorrência de problemas no fígado. Também se sabe que entre 45% e 100% dos pacientes não apresentam nenhum sintoma do problema, o que piora muito a situação, pois sem que o doente se sinta incomodado com a doença, ela se torna uma assassina silenciosa.

A detecção da presença da SM e seu tratamento o mais precoce possível auxiliam na perda de peso, previnindo o aparecimento da esteatose hepática e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Este tratamento deve incluir uma reeducação alimentar, atividade física regular e o uso de medicações específicas orientadas pelo médico especialista.

Por Denise Rosso, endocrinologista*
Fonte: bemleve.click21.com.br



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