| em 12 agosto 2010

As principais dúvidas, dos pais, para falar de sexo com os filhos

Eles perguntam, mas quem tem dúvidas são vocês. Descobrimos as principais e contamos como dialogar com as crianças sem susto


Se você acha que já resolveu todos os seus problemas sexuais, espere até ouvir a primeira pergunta do seu filho sobre o assunto. Ela geralmente chega a seco, sem nenhuma preliminar. A sociedade atual oferece estímulos para gerar curiosidade sobre tudo, incluindo sexo. "Criamos nossos filhos para terem autonomia, voz própria. Eles são espontâneos porque têm espaço para perguntar", diz a educadora sexual Maria Helena Vilela. Cada um tem sua forma de lidar com o tema, uns mais naturalmente, outros mais tolhidos. Não importa qual a sua, mas fale sempre a verdade, colocando o ponto final na frase conforme a capacidade de entendimento do seu filho. A seguir, você encontrará respostas para perguntas e situações típicas da infância. É a nossa ajuda para os pais sobreviverem ao desenvolvimento sexual dos filhos.

1 - Minha filha nos pegou namorando. Estávamos só nos beijando e ela gritou: "Credo, vocês não têm nojo?"

É hora de explicar a ela que o ato parece esquisito à primeira vista, mas é uma das melhores coisas da vida. E que, se for quem a gente gosta, nunca será nojento, e sim muito gostoso. Lembre-se de que ela pode ter pensado em nojo, mas também pode ter apenas sentido ciúme de os pais estarem juntos sem ela.

2 - Meu filho gosta de mexer no pênis. Faz isso em qualquer lugar, desde que sinta vontade. Como dizer a ele que não dá para fazer isso na frente dos outros?

Ok, a situação é constrangedora, principalmente quando acontece na frente de pessoas não tão íntimas. Fazer alarde só incentivará o ato. Respire fundo e explique que, sim, as pessoas gostam de se tocar nessa parte do corpo porque dá uma sensação gostosa. Mas que se trata de algo muito particular e existe local certo para fazer isso, sozinho, e não na frente dos outros.

3 - De namorado, igual na novela. É assim que meu filho quer que sejam os meus beijos!

Não. Seja direta desde sempre: esse tipo de beijo só no papai. Diga que um dia ele terá uma namorada e vai beijá-la assim também. Dessa forma, você impede a idealização do amor pela mãe e deixa claro quais os papéis de pais e filhos. Cada um, cada um.

4 - Tomar banho comigo vai fazer meu filho se interessar por sexo mais cedo?

Crianças não funcionam assim. Tomar banho com um adulto não desperta vontade nele de ter relações sexuais, mas aumenta a curiosidade em relação às transformações corporais de meninas e meninos. Aí é o momento de você explicar que algumas mudanças hormonais vão ocorrer no corpo dele para prepará-lo para a idade adulta. Vale usar até desenhos didáticos para isso. Além de uma conversa divertida, o diálogo vai aplacar o interesse dele.

5 - Minha sobrinha, de 7 anos, está apaixonada pelo amiguinho de classe. E me perguntou que gosto tem um beijo! Devo me preocupar?

Calma. É muito comum ouvir crianças dessa idade dizendo que namoram, mas geralmente é apenas uma paixão platônica, sem atos concretos. Responda a verdade sobre o beijo, sem estender o assunto ou entrar em detalhes. Não valorize sentimentos e sensações aos quais ela não está preparada para ter. Isso pode estimular uma sexualidade precoce.

6 - Com apenas 5 anos, minha filha tem vergonha de ficar só de calcinha na piscina ou em casa. Isso é sinal de que a sexualidade já aflorou?

Não é para tanto. Mas respeite os limites dela, sem impor sua vontade. A atitude da menina pode ser sinal de que em algum momento os pais demonstraram a ela que não era legal ficar de calcinha. Então, pense no que já falou para ela. Por outro lado, crianças repetem nossos comportamentos e não é comum ver adultos desfilando de calcinha por aí, não é?

7 - Durante um capítulo da novela, a personagem disse que queria fazer um papai-e-mamãe. Minha filha me perguntou o que era isso...

É. Essas passadas na frente da televisão na hora da novela sempre causam rebuliço. Mas lembre-se de que, quando uma criança faz uma pergunta relacionada à sexualidade, precisamos tentar responder dentro do universo verbal dela, exatamente o que perguntou, sem ir além do necessário. Se é uma criança de 5 ou 6 anos, por exemplo, diga simplesmente que essa é uma maneira de namorar. Nessa idade, eles não têm conceitos específicos sobre sexualidade. Com uma criança mais velha, a resposta pode ser um pouco mais elaborada, revelando que se trata de uma forma de transar.

8 - Quando troco as fraldas de minha filha, de 1 ano, ela gosta de mexer na vagina e às vezes coloca um brinquedo no meio das pernas. Por que ela faz isso?

É muito simples. Ela faz isso porque está descobrindo que a região pélvica traz sensações gostosas. E isso acontece sem maldade ou malícia. É o início da descoberta de seu corpo. Essa etapa é natural. A criança vê o toque genital como algo que traz sensações muito boas, assim como qualquer outra região do corpo. Para ela, daria no mesmo mexer na orelha ou no cotovelo, por exemplo.

9 - Flagrei um garoto de 3 anos mostrando o pênis à minha filha. Fiquei estática! Não é para menos! Ninguém imagina passar por isso na vida.

É natural eles tentarem descobrir as diferenças corporais entre meninas e meninos. Mas crianças depois dos 5 anos merecem mais supervisão dos pais até para não se machucarem nessa exploração. O ato não é sinônimo de sexualidade precoce e, sim, de auto-conhecimento. Agora, se você não sabe lidar com isso, invente outra brincadeira para eles.

10 - Sempre tomei banho com a minha filha. Agora, com 6 anos, começou a observar mais e brincar, dizendo que quer mamar no meu peito. Não sei como agir.

Ninguém disse que iria ser fácil ter filhos, não é? É normal nessa idade eles ficarem mais atentos e curiosos em relação às mudanças corporais. Não corra o risco de reprimir o seu filho, trate o assunto com naturalidade. Mostre seu corpo, deixe-a tocar e conte que quando crescer também será assim. Mas coloque um limite, ok? Explique que ela não é mais bebê e por isso não pode mamar no peito.

11 - Tomei bronca da professora da minha filha, de 5 anos, porque ela levou uma camisinha que achou no meu quarto para a escola. E ficou brincando de bexiga!

Primeiro, trate de guardar as camisinhas em um lugar mais escondido. Assim você não gera uma curiosidade precoce. Nesse caso, parece que sua filha nem sabia a real finalidade do preservativo nem questionou sobre isso - quis apenas se divertir. Não se preocupe, nessa idade não existe malícia alguma. Mas vale checar se a escola tratou o assunto da mesma maneira como você trata.

12 - Durante o banho, meu filho, de 6 anos, fica com o pênis ereto. Ele quer uma explicação.

Simples: diga a ele que isso acontece algumas vezes com os meninos e é natural. Só dê continuidade ao assunto se ele perguntar mais. A resposta deve ter o tamanho proporcional à curiosidade dele. Quanto a você, não se preocupe porque faz parte do autoconhecimento.

13 - Minha filha perguntou por que fecho a porta do quarto à noite. O que respondo?

Que tal a verdade? Isso mesmo, que vocês vão ficar juntos, sozinhos. E que casais precisam de privacidade para namorar, matar a saudade. Da mesma forma quando ela vai para o quarto dela ouvir música ou fazer lição de casa e prefere ficar sozinha. Acostume sua filha com a idéia de que os pais também são gente, namoram, têm direito à privacidade, têm uma vida só deles.

14 - No café-da-manhã, meu filho comentou que o primo mais velho transou com a namorada. Será que ele tem noção do que falou?

Nem sempre a criança sabe o significado do que fala. Às vezes, está apenas repetindo um termo que não entende. Se você nunca explicou o que é transar para o seu filho, pergunte se ele sabe o que é – mas esteja preparado para a resposta porque o garoto pode realmente saber a verdade e você tomar um susto. Escute, complete informações se for necessário ou, se notar que ele não sabe de nada, diga apenas que é um tipo de carinho feito quando se é adulto.

15 - Não tenho a menor idéia de como chamar os órgãos genitais do meu filho!

Cuidado, a criatividade para denominar as partes íntimas é espantosa! Não invente muita moda. Se quiser dar algum apelido, dê. Mas fale, em seguida, os nomes científicos para a criança saber que pênis é pênis e vagina é vagina, e não algo como periquitinha.

16 - Às vezes, percebo que minha filha, de 9 anos, quer privacidade, vai para o quarto com amiguinhos e amiguinhas e acho que a brincadeira pode resultar em algo mais apimentado. É o caso de proibir?

A verdade - difícil de assimilar - é que esse tipo de brincadeira vai acontecer na escola, na sua casa ou mesmo na casa da amiga. A curiosidade existe e as crianças vão tentar descobrir o que podem. Por outro lado, ela também tem direito a um pouco de privacidade. Proibi-la de ficar sozinha com os amigos só vai causar mais confusão. Supervisione de longe, combinando, por exemplo, que a porta ficará entreaberta e você entrará lá de vez em quando. Se você oferecer atividades legais quando os amigos forem em casa, esses momentos nem vão existir.

17 - Meu filho quer tomar banho com a amiguinha depois da piscina. Deixo?

Acredite: nada de nocivo pode acontecer entre eles. Se são da mesma idade, podem até matar curiosidades sobre o próprio corpo, sem malícia. Se quiser, fique por perto. Mas tudo tem de ser natural para você. Se acha que não consegue lidar com a situação, o melhor a fazer é não deixar que tomem banho juntos. Proíba se as idades forem muito diferentes.

18 - Minha filha tem 8 anos e está super-interessada em tudo que envolve namoros. Como agir?

Fugir do assunto vai criar ainda mais expectativa na criança. Responda a tudo com a naturalidade que você conseguir, mas diga a todo momento que ela ainda é muito nova para namorar.


Fonte: Revista Crescer



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