| em 09 novembro 2012

Carne de peixe ajuda no desenvolvimento cerebral das crianças

Segundo estudo da Universidade de Oxford, o DHA, um ácido graxo ômega-3, melhorou significativamente o desempenho escolar de crianças britânicas

Por mais que as mães se empenhem, algumas crianças não querem comer nada que venha do mar. Em muitos casos, nem o famoso “aviãozinho” resolve. Mas um estudo da Universidade de Oxford, divulgado no mês passado, dá motivos para que elas insistam um pouco mais com os pequenos. Segundo a pesquisa britânica, o aumento no consumo do DHA, um ácido graxo ômega-3 presente em algumas espécies de peixes de água fria, como o salmão e o atum, e também nas algas, pode melhorar significativamente o desempenho escolar das crianças.


Uma outra pesquisa da Universidade de Illinois, EUA, mostrou ao menos dois pontos cruciais para introduzir o peixe na refeição das crianças e aponta que os pais deveriam incentivar o gosto pelo alimento desde pequeno.

“Primeiro porque os bebês precisam de muito ômega-3 para o desenvolvimento do sistema nervoso e dos olhos – e os peixes são ricos nesse elemento. Além disso, quando as crianças mudam a dieta do leite materno para as comidas sólidas o consumo do ômega-3 também cai”, aponta Susan Brewer, nutricionista e pesquisadora responsável pelo estudo.

“Em segundo lugar está o fato de que as preferências alimentares de uma pessoa começam a se desenvolver por volta dos 5 anos de idade, então ajudar seus filhos a experimentar peixes e frutos do mar desde cedo pode contribuir para uma boa alimentação em longo prazo”, completa Brewer.

Os peixes são ricos em ácidos graxos, em especial o ômega-3, e promovem diversos benefícios para saúde, ajudando a prevenir doenças coronarianas. Mas são poucos os adultos que consomem peixes ao menos duas vezes na semana, como é o recomendado por diversos especialistas. Ajudar as crianças a gostarem de peixe – simplesmente apresentando o alimento na infância – poderia ser um fator positivo que ajudaria a manutenção da saúde do corpo para o resto da vida.

A pesquisadora lembra que no início as crianças podem apresentar certa resistência (assim como acontece com diversos tipos de alimentos, especialmente aqueles com gosto acentuado). “Mas alimentos infantis que têm peixe como base são amplamente populares nos mercados asiáticos, por exemplo. Ou seja, não é impossível que uma criança passe a gostar de peixe. Além disso, a Associação Americana para o Coração e a Associação Americana de Pediatria apoiam esse tipo de iniciativa”, afirma.

Outro elemento presente no peixe é o ácido docosahexaenoico (DHA). Essa substância é importantíssima para o bom desenvolvimento de bebês, especialmente os prematuros. “O DHA é importante para o desenvolvimento cerebral e de diversos tecidos nervosos dos bebês. “Ele ajuda as sinapses a ficarem mais eficientes”, aponta a nutricionista Elaine de Pádua, referindo-se a comunicação feita entre as células cerebrais, os neurônios. “Melhora ainda a cognição, que é a nossa capacidade de adquirir conhecimento”, completa a especialista. É fundamental que os pais saibam disso e procurem introduzir diversos tipos de peixes na dieta de seus filhos desde cedo”, finaliza Brewer, cujo trabalho foi publicado no periódico Journal of Food Science.

Para grávidas e crianças, a nutricionista Fernanda Faria recomenda o consumo de duas porções por semana de salmão, cavala, sardinha ou atum. Contudo, ela faz uma ressalva. “Os peixes que estamos acostumados a comprar no supermercado são criados em cativeiros e alimentados com ração. Mas para serem ricos em ômega-3, eles precisam viver em águas geladas e profundas. É lá que esses animais se alimentam das algas, estas sim ricas em ácido graxo”, pondera Fernanda.

Quem não é muito fã de consumir peixe pode recorrer à suplementação de DHA em cápsulas de óleos de peixe ou alga. De acordo com Fernanda, está última opção é a recomendação dos especialistas para os vegetarianos. Também existem diferentes tipos de suco e leite em pó infantil enriquecidos com o ácido graxo disponíveis no mercado.

No Brasil, a venda de cápsulas, suplementos e produtos relacionados ao DHA tem crescido, de acordo com Renata Rezuk, gerente de segmento da DSM, multinacional fabricante destes produtos. “Atualmente, o consumo em maior escala acontece principalmente nos Estados Unidos, México, Ásia e Europa. Mas a procura tem aumentado bastante na América Latina”, afirma Renata.

Elaine diz que as cápsulas e os suplementos de DHA não têm nenhum efeito colateral, mas que as mães e as grávidas devem procurar um obstetra ou um nutricionista antes de ingeri-los ou dá-los aos seus filhos. “Além de recomendar a quantidade necessária para cada pessoa, o profissional especializado também vai indicar os produtos mais confiáveis existentes no mercado”, considera a especialista. Em relação aos sucos e leites, ela diz que não há nenhuma restrição de consumo.

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Informações da University of Illinois College of Agricultural, Consumer and Environmental Sciences e Universidade de Oxford.

Adaptado por Blog Filadélfia

Referências: O que eu tenho? | delas.ig.com.br



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