| em 18 setembro 2011

Verão: Conjuntivite, olho seco e ceratite são problemas típicos desta estação


Que o verão reserva muitas surpresas não há dúvidas. Dias ensolarados, praias lotadas, água de coco, muito sorvete e diversão. Mas nem todos os ventos da estação são bons, as altas temperaturas oferecem muitos riscos para a saúde. Olho vivo! Pesquisas apontam que no verão as doenças e complicações oculares tornam-se mais frequentes. O risco de contágio também é maior já que as pessoas se concentram em shoppings, praias e clubes.

"O aumento da umidade do ar e as altas temperaturas favorecem a proliferação de microorganismos que gostam de temperaturas acima dos 36 graus e que são responsáveis por inflamações e infecções nos olhos", explica Flávio Rezende, oftalmologista e professor da escola médica de pós-graduação da Universidade Católica (PUC), no Rio de Janeiro.


Grande vilã do verão: a conjuntivite

Com um aumento na incidência de até 20%, a conjuntivite é a maior vilã da estação. "É uma inflamação na conjuntiva - membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular e a parte interna das pálpebras - e pode ser de três tipos: viral, alérgica e tóxica", diferencia Liana Liana Toffano Coutinho, oftalmologista e sócia diretora da Clínica de Olhos São Franscisco de Assis, no Rio de Janeiro.

Se a conjuntivite viral tem sua incidência aumentada devido a facilidade de contágio pelas águas contaminadas da piscina e do mar, "a conjuntivite por alergia é favorecida pelas alterações climáticas que propiciam a concentração de alérgenos no ar. Já a tóxica é causada pela sensibilidade ao contato com produtos químicos, tais como: cloro de piscina, protetores solares, bronzeadores e maquiagem", revela a oftalmologista.


Higiene é tudo!

A boa notícia é que esse ano os especialistas acreditam que a incidência da doença será bem menor. "Com a gripe suína, as pessoas se conscientizaram de que é preciso lavar a mão com frequência, pois é via fácil de transmissão de muitas doenças", justifica Flávio, que recomenda: "Pessoas com conjuntivite devem evitar as multidões e o compartilhamento de objetos, lavar as mãos com água corrente e sabão e usar álcool gel com frequência".

A conjuntivite pode durar de sete a quinze dias e seus principais sintomas são: "olhos vermelhos, lacrimejamento, pálpebras inchadas, sensação de areia nos olhos, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz), coceira, ardência leve e colamento dos cílios", enumera Liana.

Ainda que as manifestações sejam semelhantes nos três tipos de conjuntivite, Flávio explica que cada uma tem tratamento diferenciado e alerta: "O importante é não se automedicar. As pessoas costumam achar que o colírio é solução para qualquer conjuntivite mas eles têm constituições diferentes e o que pode ser indicado para um caso pode ser contraindicado para outro". Para o alívio imediato, no caso de desconforto e coceira, o especialista recomenda o uso de água boricada ou soro fisiológico gelado (lembrando que o frasco deve ser novo e não aquele há meses no banheiro).


Outros males da estação

Problemas graves como a ceratite actínica também lota os consultórios oftalmológicos. "A ceratite ocorre quando os raios ultravioleta - mais intensos nesta estação - atingem os olhos, ‘queimando' a córnea e trazendo dor, fotofobia e vermelhidão", revela Liana. "Mesmo quando não se olha diretamente ao sol, a reflexão da luz na areia pode causar a inflamação", alerta Flávio. Além disso, se não for tratada a tempo, a ceratite actínica pode evoluir para uma úlcera de córnea. Todo cuidado é pouco!

O ressecamento ocular é outra queixa comum do verão. "O aumento da evaporação do filme lacrimal pelas altas temperaturas e o uso mais constante do ar-condicionado levam ao chamado olho seco", explica Liana. "Por questões hormonais, ele é muito mais freqüente em mulheres que estão na menopausa", enfatiza Flávio. Nesses casos, o uso de colírios lubrificantes para prevenir o ressecamento é a melhor solução.

Por mais estranho que seja seu nome, é bem provável que você já tenha ouvido falar em pterígio. "Ele é outro vilão do verão, principalmente, em países tropicais como o Brasil e em regiões mais quentes como o Nordeste (incidência de 80%). Trata-se de uma carne que cresce da conjuntiva à córnea. Não é contagioso nem infeccioso, mas pode levar à necessidade de uma cirurgia", explica Flávio.

Além do sol, a água do mar e da piscina oferecem riscos aos olhos. "A alta concentração de sal irrita a vista, assim como o cloro, que apesar de ser usado para o controle de germes, se não for bem dosado pode causar irritações oculares", justifica o oftalmologista. "Se evoluir para um problema mais grave, a irritação causada pelo cloro e pelo sal pode levar à conjuntivite tóxica", lembra Liana.


De óculos escuros

Como já dizia Raul Seixas: "Quem não tem colírio, usa óculos escuros". De fato, eles são os maiores aliados do verão. "Os óculos de sol são capazes de bloquear até 99% dos raios ultravioleta que chegam aos nossos olhos", garante Liana. Mas é preciso fazer a escolha certa. "Deve-se optar sempre pela compra em locais de boa procedência (então, exclua os camelôs) e com prescrição do oftalmologista, lembrando sempre que a cor da lente não tem a ver com o fator de proteção solar (FPS) dos óculos. Uma lente branca pode oferecer mais proteção que uma lente preta", adverte Flávio.

Chapéus de abas largas, barracas e uma dieta rica em líquidos e vitaminas ajudam a preservar a saúde dos olhos. "A ingestão de vitamina C fortalece o sistema imunológico, tornando o organismo mais resistente a infecções. Substâncias antioxidantes como a vitamina C e E, o zinco, o selênio e os carotenos - presentes nos frutos e vegetais - podem prevenir a degeneração macular (ponto próximo à rotina). Por sua vez, beber bastante água previne o ressecamento ocular", recomenda Liana. E lembre-se: evite o sol entre 10 e 16 horas, pois a maior incidência de raios UVA e UVB nocivos ocorre nesses horários.

Coloque seus óculos escuros e aproveite a estação!


Fonte: Bolsa de Mulher



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