| em 16 fevereiro 2011

Cérebro, uma região de muito prazer


Conheça as substâncias que atuam em nosso sistema nervoso e que estão por trás do sentimento de bem-estar. E o melhor: saiba as atividades que podem desencadeá-los e te deixar mais feliz


Se compararmos nosso humor a uma máquina, podemos identificar as diversas peças lubrificantes que compõem a estrutura mecânica e, como no caso dos motores, fazê-lo trabalhar melhor. No caso do nosso bem-estar, os lubrificantes são os hormônios neurotransmissores dopamina, endorfina, serotonina e noradrenalina. Eles são liberados todos os dias na corrente sanguínea, mas há maneiras de produzi-los em maior quantidade e ser mais feliz.

“Não causa dependência física e não vicia. Tem gente que acaba ficando viciado na prática que libera esses neurotransmissores, como exercícios físicos ou consumir chocolate, mas a ausência da substancia não causa nenhum tipo de sintoma de abstinência”, diz Ruth Clapauch, biocientista vice-presidente da endocrinologia do Instituto de Saúde e Bem-Estar da Mulher (Isbem), no Rio de Janeiro.

A médica destaca o exercício físico como principal. “A endorfina é liberada quase que exclusivamente desta maneira. As outras podem ser liberadas com outras atividades, comida, música. Varia de pessoa para pessoa. É legal que cada um observe quais atividades lhe dão prazer e continue a praticá-los”, defende Ruth.

“Esses hormônios são uma maneira do organismo recompensar certas atividades. Fazer exercício físico faz bem para o corpo, mas dá trabalho. Para compensar o bem que estamos fazendo, ele libera hormônios que te deixam feliz e satisfeito, um modo de recompensar e estimular a prática”, explica o bioquímico Antonio Carlos Salgado, especialista em endocrinologia e metabologia. Segundo o especialista, a mesma, a mesma teoria é válida para o consumo de açúcar ou chocolate, por exemplo. “Por conta de nossos ancestrais, nosso organismo está habituado a fazer reservas de energia. Quando consumimos açúcar, a recompensa é uma felicidade imediata. Essa é a mais perigosa, pois são substancias viciantes e que engordam”, explica. A dica é consumir uma quantidade determinada ao dia.

Esses hormônios são tão importantes para o organismo que há estudos relacionando a depressão a baixos níveis de serotonina no organismo, o que pode ser compensado com a prática esportiva. “Há quem se trate com antidepressivos, que são remédios que inibem a recaptação dos neurotransmissores pelos hormônios (depois de ser liberado no organismo e causar a sensação de felicidade, os neurotransmissores voltam para a vesícula sináptica. Porem dependendo do grau da depressão, o uso destes medicamentos pode ser tranquilamente substituído por caminhada ou bicicleta”, indica Salgado.

Além dos antidepressivos, existem drogas sintéticas que forçam a liberação hormonal. “O problema é que liberar de maneira não natural faz com que o corpo entre, depois, em um processo para se autorregular. Isso causa abstinência e depressão. Ao longo prazo, há risco de dependência psicológica”, pondera Salgado. Outro modo negativo de liberar a noradrenalina é com jogos ou compras. “Vitórias e aquisições causam euforia, é gostoso. Mas tem gente que acaba ficando viciado nestas atividades por causa do sistema de compensação”, alerta o bioquímico.

“Quem tem altas taxas destes hormônios no sangue vive melhor, mais feliz, dificilmente se irrita, tem melhor qualidade de sono e tem o sistema imunológico mais resistente. Ou seja, buscá-los é escolher ter mais qualidade de vida”, enumera Ruth.


HORMÔNIOS DA FELICIDADE

ENDORFINA

Características: Neurotransmissor que se divide em mais de 20 categorias diferentes, todos com ações parecidas. É produzido na glândula pituitária ou hipófise e armazenado nas vesículas sinápticas.

Efeitos: Relaxa e dá prazer, causando a sensação de bem-estar e euforia. Também aumenta a resistência, pois melhora o sistema imunológico, combate os radicais livres, diminui a produção dos hormônios do estresse e melhora a memória

Como liberar: Praticando exercícios físicos. Quanto maior a intensidade, maior a quantidade de endorfinas liberadas. Sorrindo – estudos comprovam que quanto mais você sorri, mais a felicidade permanece com você.


DOPAMINA

Características: Neurotransmissor. É produzida no cérebro e armazenada nas vesículas sinápticas. Trabalha no sistema de compensação do organismo

Efeitos: Ativa os centros do prazer de determinadas áreas do cérebro

Como liberar: Consumo de alimentos como café, chocolate e gordura. Escutar música, principalmente canções que você goste. Fazer trabalho voluntário ou doações Obter conquistas pessoais pó profissionais. Se apaixonar e fazer sexo


NORADRENALINA

Características: Neurotransmissor produzido na glândula adrenal e armazenado nas vesículas sinápticas

Efeitos: Regula a pressão sanguínea, melhora o humor, diminui a ansiedade e aumenta o estado de atenção e o desejo sexual

Como liberar: Praticar exercícios. Se apaixonar e fazer sexo


SEROTONINA

Características: Neurotransmissor produzido no intestino e no cérebro e armazenada nas vesículas sinápticas

Efeitos: Melhora o humor e causa relaxamento. Diminui a insônia e os estados de ansiedade e aumenta a afetividade

Como liberar: Praticar exercícios. Consumir açúcar, chocolate, pimenta, gorduras, peixes, laticínios, leguminosas como feijão e carboidratos. Tomar sol


- GLOSSÁRIO

Neurotransmissores: Substâncias produzidas e armazenadas nos neurônios. Tem bolsas chamadas vesículas sinápticas

Glândula adrenal: Localizada acima dos rins, converte proteínas e gorduras em glicose

Glândula pituitária: Localizada no hipotálamo (região que liga o sistema nervoso e endócrino e regula a secreção hormonal). É responsável pela liberação de hormônios


Fontes: Folha Universal - “O segredo Serotonina” (Ed Cultrix), Geraldo José Ballone (psiquiatra), Ruth Clapauch (biocientista especialista em endocrinologia e metabolismo)



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