| em 04 março 2011

Problemas Renais - Prevenir é melhor que remediar

Os rins são responsáveis por funções vitais em nosso corpo. Uma vez comprometidos, podem afetar a saúde de forma irreversível.


Todos os dias passam pelos nossos rins, aproximadamente 1.200 a 2.000 litros de sangue. Responsável pela eliminação dos resíduos tóxicos produzidos pelo organismo (como a uréia e ácido úrico), os rins filtram o sangue, controlam o volume de líquidos e de sais, influenciam as pressões arterial e venosa e ainda produzem e secretam hormônios como a eritropoetina (que interfere na produção dos glóbulos vermelhos), a vitamima D (que controla a absorção intestinal de cálcio) e a renina (que, junto à aldosterona, controla o volume dos líquidos e a pressão arterial). O sangue chega aos rins através das artérias renais. Em seu interior, essas artérias dividem-se em vasos, cada vez menores, até formarem uma rede de vasos muito finos, que constituem o glomérulo – considerado o verdadeiro filtro do rim. São os glomérulos (cerca de um milhão em cada rim) que filtram o sangue, eliminando todas as substâncias indesejáveis através da urina. Quando os rins não funcionam bem, muitas funções do organismo ficam comprometidas.


COMO RECONHECER SE OS RINS ESTÃO DOENTES

Para saber se está com algum problema nos rins, observe a urina: volume, cor, cheiro e a forma como é eliminada. Grandes volumes diários (de três a quatro litros) ocorrem em diabéticos e podem ser a manifestação inicial de outras doenças renais. Alterações como dor, ardência, urgência para urinar, aumento na freqüência (pequenas quantidades várias vezes ao longo do dia ou da noite), inchaço nos pés, nas mãos e nos olhos são outros sinais de alerta. Quando o rim está inflamado, infectado ou aumentado por tumor ou obstrução, ocorre dor nas costas ou nos flancos.


Cardiopatas correm mais riscos

Os principais fatores para as doenças renais são: pressão alta, diabetes, idade acima de 60 anos, histórico familiar e presença de doença cardiovascular.
Outros sintomas que podem aparecer em estágios mais avançados da doença renal crônica (quando ocorre redução significativa da função renal) são cansaço e fraqueza por anemia, falta de apetite, náuseas e vômitos, bem como pele pálida e seca e aumento da pressão arterial. Se há suspeita de doença renal, os exames iniciais são o de urina (que pode evidenciar perda de proteína, glicose, sangue, pus e bactérias) e a dosagem da creatina (se estiver alta, significa que há uma diminuição da capacidade de filtração dos rins). Outro exame que pode ser realizado é a ecografia dos rins ou do abdômen, capaz de demonstrar a presença de cálculos, sinais de obstrução das vias urinárias e alterações na forma e no tamanho do rim.


TIPOS DE PROBLEMAS S RENAIS

1. Pedra no rim – Formações endurecidas nos rins ou nas vias urinárias por causa do acúmulo de cristais de sais na urina, como cálcio, fosfatos, oxalatos, causando Infecções urinárias, volume insuficiente de urina, distúrbios relacionados à eliminação de sais e vitamina D em excesso.

2. Cólica renal – A dor aguda proveniente do trato urinário superior, chamada de cólica renal, é uma das urgências urológicas mais freqüentes, exigindo do especialista, ou do plantonista em unidades de emergência, diagnóstico rápido e preciso além de terapêutica eficiente. A cólica renal é resultado de obstrução aguda do ureter em qualquer de suas porções, desde a junção uretero-piélica (JUP) até o meato ureteral. A obstrução à drenagem ureteral causa imediata elevação da pressão intraluminar da pelve, com conseqüente dilatação aguda e dor.

3. Nefrite – Presença de albumina e sangue na urina, edema e hipertensão.

4. Infecção urinária – Dor e ardência ao urinar. O volume torna-se pequeno, freqüente, turvo, mau cheiroso e, em alguns casos, com sangue. Quando atinge os rins, causa febre, dor lombar e calafrios.

5. Cálculo renal – Provocar dor nas costas, quase sempre a urina apresenta sangue e, em certos casos, pode haver eliminação de pedras.

6. Obstrução urinária – É o impedimento da saída da urina pelos canais urinários, Poe cálculos, aumento da próstata, tumores ou estenoses de ureter e uretra.

7. Insuficiência renal aguda – Causada por uma agressão repentina ao rim, por falta de sangue ou de pressão para formar urina ou obstrução aguda das vias urinárias.

8. Insuficiência renal crônica – Perda irreversível da função renal. Apresenta-se na forma de retenção de uréia, hipertensão arterial e anemia.

9. Doenças multissistêmicas – O rim pode ser afetado por doenças que provocam alterações urinárias, como doenças reumáticas e imunológicas e diabetes.

10. Doenças congênitas e hereditárias – Um exemplo é a presença de múltiplos cistos no (rim policístico).

11. Tumores – Provocam dor, sangue na urina e obstrução urinária.

12. Nefropatias tóxicas – Causada por tóxicos, agentes físicos, químicos e drogas. Caracterizam-se por manifestações nefríticas e insuficiência funcional do rim.


Tratamentos são complexos

Quando os rins estão comprometidos e prejudicando a qualidade de vida do paciente, existe a necessidade de um tratamento. Nos casos em que os rins apresentam altos graus de insuficiência, os medicamentos tornam-se pouco eficazes e, então, o paciente pode se submeter a um processo artificial de filtragem do sangue. A diálise peritoneal aproveita a membrana que reveste a cavidade do abdômen para filtrar o sangue. O paciente recebe através de um cateter uma solução aquosa semelhante ao plasma, que permanecerá no organismo pelo tempo necessário. O procedimento pode ser usado cronicamente por anos, desde que acompanhado regularmente por um médico.

Já a hemodiálise funciona como um “rim artificial” fora do paciente: uma máquina bombeia o sangue para filtragem, eliminando a uréia, a creatinina e outras substâncias prejudiciais. Pode causar dores de cabeça, cãibras e baixa pressão arterial em algumas pessoas. Nos casos externos, a única solução é o transplante.


>> Tratamento para Pedras nos Rins

Contra a dor, analgésicos. Cálculos menores que 5 mm são eliminados sozinhos. Os maiores são bombardeados com ultra-som. Daí, às vezes, é preciso intervir para retirar fragmentos.

>> Tratamento para Cólica Renal

O tratamento da cólica renal visa o alívio imediato da dor. A desobstrução urinária, e remoção do agente causador estarão indicadas de acordo com os resultados dos exames de imagem.
A utilização de antiespasmódicos e analgésicos à base de hioscina e dipirona, por via endovenosa podem reverter quadros intensos de dor e são recomendados como medida inicial do tratamento devido ao seu rápido efeito analgésico.
A associação de antiinflamatórios não-hormonais, pela via intramuscular, pode colaborar no controle da dor, e manter um efeito analgésico mais duradouro.
Em pacientes com cólicas refratárias às medicações acima, podem ser prescritos analgésicos opióides (derivados da meperidina) por via intramuscular ou endovenosa em soluções decimais.


PREVENÇÃO

Pessoas propensas devem evitar o consumo excessivo de alimentos ricos em oxalatos, como café, chocolate, refrigerante à base de cola, entre outros. Beber muita água, principalmente no calor, já que a água ajuda a evitar a formação das pedras.

Fonte: Revista ProTeste – Ano IX – Nº100
www.proteste.org.br



Outros causadores de problemas renais

Por Cida Oliveira
http://saude.abril.com.br


Tudo o que contribui para elevar a pressão sangüínea pode afetar os rins. Por isso, o sal é o grande vilão. Como danifica vasos de todo o organismo, não poupa os que irrigam as unidades filtrantes, que vão sendo destruídas aos poucos. O máximo permitido por dia são 6 gramas, que equivalem a 1 colher de chá rasa. No entanto, o brasileiro exagera mesmo na dose -- ingere nada menos do que o dobro!

A proteína animal, presentes nas carnes e nos ovos, principalmente, também carrega a fama de inimiga dos rins. Isso porque não é excretada e sim devolvida à circulação. O excesso dela, portanto, vai exigir um esforço bem maior desse órgão - daí a grande chance de sobrecarga e dano renal.

Anabolizantes são verdadeiras bombas para o organismo como um todo. E com os rins não é diferente. Esses coquetéis, usados sem critério por quem deseja ganhar massa muscular rapidamente, elevam a quantidade de diversas substâncias no sangue, como frações de colesterol, por exemplo. Com mais sujeira para limpar, eles não dão conta da faxina. E tem ainda um outro risco: essas substâncias aumentam a pressão sangüínea, com todas as conhecidas (e nefastas) conseqüências para a saúde cardiovascular e a renal também, claro.

Criados por nefrologistas americanos, os isotônicos têm a função de repor líquidos e sais perdidos por atletas de alta performance durante treinos e competições. Afinal, com tanto esforço, a perda dessas substâncias é maior, o que debilita o organismo - daí a necessidade de reposição imediata. No entanto, pessoas que fazem atividade física normal, apenas para manter a saúde em dia, não têm por que repor o que não foi perdido. Agora, caso você tenha tido alguma indisposição com diarréias e vômitos, aí, sim, vale recorrer a essas bebidas, mas a quantidade deve ser indicada pelo seu médico.

Criados especificamente para estimular os rins quando não funcionam como deveriam os medicamentos diuréticos não devem ser tomados a torto e a direito -- e isso é muito comum quando se quer emagrecer. Cuidado: se os rins estão em ordem, engolir essas drogas indiscriminadamente só vai sobrecarregá-los. Só um especialista pode recomendar esse tipo de remédio.

Fórmulas para emagrecer são um perigo maior do que se imagina. Óbvio, se forem aviadas sem receita médica ou caso tenham sido prescritas por um profissional sem especialização em endocrinologia. Elas detonam o organismo pra valer. As drogas estimulantes por si só já são nocivas porque fazem a pressão arterial disparar. E os hormônios para estimular o trabalho da tireóide são outro veneno. Como põem o metabolismo para funcionar a todo vapor, aceleram a eliminação de líquidos. Resultado: os rins passam a trabalhar num ritmo alucinante.

Devagar também com os antiinflamatórios. Um dos efeitos colaterais mais associados a essas drogas é que elas interferem na excreção do sal, o que dispara a pressão arterial. Nos casos mais graves, o problema acaba evoluindo para a doença renal crônica.


Fontes: Gianna Mastroianni Kirsztajn, nefrologista do Hospital do Rim e Hipertensão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Nilton Kalil, nefrologista do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS)



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