| em 12 abril 2011

Anorexia Nervosa: Saiba o que fazer para ajudar pessoas com este distúrbio


A anorexia nervosa é uma disfunção alimentar, caracterizada por uma rígida e insuficiente dieta alimentar (caracterizando em baixo peso corporal) e estresse físico. A anorexia nervosa é uma doença complexa, envolvendo componentes psicológicos, fisiológicos e sociais. Uma pessoa com anorexia nervosa é chamada de anoréxica (português do Brasil) ou anorética (português de Portugal). Uma pessoa anoréxica pode ser também bulímica. A anorexia nervosa afeta primariamente adolescentes do sexo feminino e jovens mulheres do Hemisfério Ocidental, mas também afeta alguns rapazes. No caso dos jovens adolescentes de ambos os sexos, poderá estar ligada a problemas de auto-imagem, dismorfia, dificuldade em ser aceito pelo grupo, ou em lidar com a sexualidade genital emergente, especialmente se houver um quadro neurótico (particularmente do tipo obsessivo-compulsivo) ou história de abuso sexual ou de bullying. A taxa de mortalidade da anorexia nervosa é de aproximadamente 10%, uma das maiores entre qualquer transtorno psicológico.

Sintomas

- Peso corporal em 85% ou menos do nível normal.
- Prática excessiva de atividades físicas, mesmo tendo um peso abaixo do normal.
- Em mulheres, ausência de ao menos três ou mais menstruações. A anorexia nervosa pode causar sérios danos ao sistema reprodutor feminino.
- Diminuição ou ausência da líbido; nos rapazes poderá ocorrer disfunção erétil e dificuldade em atingir a maturação sexual completa, tanto a nível físico como emocional.
- Crescimento retardado ou até paragem do mesmo, com a resultante má formação do esqueleto (pernas e braços curtos em relação ao tronco).
- Descalcificação dos dentes; cárie dentária.
- Depressão profunda.
- Tendências suicidas.
- Bulimia, que pode desenvolver-se posteriormente em pessoas anoréxicas.
- Obstipação grave.

A anorexia possui um índice de mortalidade entre 15 a 20%, o maior entre os transtornos psicológicos, geralmente matando por ataque cardíaco, devido à falta de potássio ou sódio (que ajudam a controlar o ritmo normal do coração). Pode ser causada por distúrbio da auto-estima.

Causas e grupos de risco

A anorexia nervosa afeta muito mais pessoas jovens (entre 15 a 25 anos), e do sexo feminino (95% dos casos ocorrem em mulheres). Tem sido enfatizada, em debates populares, a importância da mídia para o desenvolvimento de desordens como anorexia e bulimia, por alegadamente promover ela uma identificação da beleza com padrões físicos de magreza acentuada. Qualquer papel a ser exercido pela cultura de massa na promoção dessas desordens, no entanto, está ainda para ser demonstrado. Na busca da etiologia de perturbações da saúde mental, inclusive da anorexia nervosa, comumente são procuradas causas de ordem intrapsíquico, ambiental e genético.

Até agora, os seguintes fatos têm emergido na busca das causas desse transtorno:

Causas genéticas/ambientais:

- Estudos sobre desenvolvimento de transtornos alimentares envolvendo irmãs gêmeas têm sugerido um fundo genético para o desenvolvimento da anorexia.
- Pais e mães de pacientes diagnosticadas com essa desordem possuem, relativamente a grupos de comparação da população não seleta, níveis mais elevados de perfeccionismo e preocupação com a forma física.

Características sociopsíquicas de anoréxicas:

- Independentemente do subtipo de anorexia desenvolvida, restritiva ou purgativa, anoréxicas possuem, relativamente a pessoas saudáveis de sua idade e sexo, uma incidência maior de transtornos da ansiedade (especialmente o transtorno obsessivo-conmpulsivo) e do humor.
- Níveis exageradamente elevados de perfeccionismo (busca por padrões de conquista e realizações notavelmente altos, necessidade de controle, intolerância a "falhas" ou "imperfeições") são comuns, e mesmo centrais, no desenvolvimento da anorexia. A presença dessa busca por padrões de perfeição transcende o desenvolvimento da doença, sendo anterior a ela e permanecendo em pacientes que já foram curadas da doença. Alguns estudos sugerem que, apesar de uma inteligência média na faixa regular, anoréxicas possuem níveis mais altos de performance escolar e envolvimento acadêmico, o que sugere que o perfeccionismo nelas presente não se limita a temas relacionados apenas com comida e forma corporal.
- Outros traços obsessivos-compulsivos, além do perfeccionismo, são notados na infância de anoréxicas, principalmente inflexibilidade, forte adesão a regras estabelecidas, observação dos padrões mantidos por autoridades, etc.
- Incidência de abuso físico ou sexual é mais elevada em grupos de anoréxicos; em um estudo efetivado na América do Norte, a presença de um histórico de abuso sexual na infância apresentou uma forte associação com o desenvolvimento de transtornos alimentares em grupos de homens homossexuais.

Tratamento

Deve-se ter duas vertentes, a não-farmacológica e a farmacológica. Entretanto deve-se ter em mente a importância de uma relação médico-paciente satisfatória,uma vez que a negação pelo paciente é muitas vezes presente. Dependendo do estado geral da paciente pode-se pensar em internação para restabelecimento da saúde. Correção de possíveis alterações metabólicas e um plano alimentar bem definido são fundamentais. Além disso, o tratamento também deve abordar o quadro psicológico, podendo ser principalmente a terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia individual. Em relação a abordagem farmacológico tem-se utilizado principalmente os antidepressivos, mas que é uma área que carece de muitos resultados satisfatórios tendo em vista a multicausalidade da doença. Dessa forma, é importante uma abordagem multi-disciplinar, apoio da família e aderência do paciente. As recaídas podem acontecer, daí a importância de se ter um acompanhamento profissional por grandes períodos.


Como lidar com um distúrbio alimentar na família

Veja o que fazer e o que não fazer para ajudar pessoas próximas com o problema


Nunca encare os distúrbios alimentares como problemas passageiros e de menor importância. Eles são doenças e podem estar relacionados a complicações emocionais ainda mais graves, como depressão e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

O alerta é da Associação Nacional de Distúrbios Alimentares, entidade norte-americana que realiza campanhas pela detecção precoce da doença. Os distúrbios alimentares são mais frequentes do que se imagina.

Só a anorexia, considerando todos os níveis da doença, tem prevalência de 20% entre a população feminina de adolescentes e jovens nos Estados Unidos. Já a bulimia, caracterizada pelo ato de comer em grandes quantidades e forçar o vômito, atinge 7% das mulheres norte-americanas em algum momento da vida, segundo estima a entidade.

Familiares e amigos de mulheres com distúrbios alimentares podem desempenhar um papel fundamental no diagnóstico e no tratamento da doença. Segundo a associação, basta seguir algumas recomendações básicas.

Veja a seguir dicas da entidade para lidar com a doença.

É recomendado

1) Obter informações sobre distúrbios alimentares. Conhecer os jargões;
2) Aprender a diferença entre mitos e fatos sobre peso, nutrição e exercícios;
3) Perguntar à pessoa com distúrbio o que você pode fazer para ajudá-la;
4) Ouvir de maneira aberta e reflexiva;
5) Ser paciente e não julgar;
6) Ter compaixão quando a pessoa falar sobre assuntos dolorosos e relacionados ao distúrbio;
7) Demonstrar que você quer apenas o bem da pessoa com o problema;
8) Lembrar a pessoa de que existe gente preocupada com ela;
9) Sugerir ajuda profissional de maneira gentil;
10) Se oferecer para ir junto na consulta;
11) Encorajar todas as atividades sugeridas pela equipe médica;
12) Estimular atividades sociais que não envolvam comida;
13) Incentivar a pessoa a comprar alimentos que ela queira comer, e não apenas alimentos “saudáveis”;
14) Ajudar a pessoa nas atividades domésticas;
15) Perguntar sempre como a pessoa está se sentindo;
16) Ter sempre em mente que a recuperação leva tempo.

Não é recomendado

1) Acusar ou causar sentimento de culpa na pessoa com distúrbio;
2) Invadir a privacidade ou entrar em contato com o médico dela sem que ela saiba;
3) Exigir mudanças de peso;
4) Insistir que a pessoa coma todo tipo de alimento colocado na mesa;
5) Convidar a pessoa para sair em alguma atividade cujo foco principal seja a alimentação;
6) Levar a pessoa para comprar roupas;
7) Focar a conversa em alimentos, roupas e aparência física;
8) Fazer ameaças (exemplo: se você fizer isso mais uma vez, eu vou...)
9) Oferecer mais ajuda do que você está qualificado para dar;
10) Tentar mudar a atitude da pessoa sobre alimentação;
11) Tentar controlar a vida da pessoa;
12) Usar táticas baseadas no medo para fazer com que a pessoa procure tratamento;
13) Fazer promessas ou criar regras que você não conseguirá seguir (exemplo: prometer que não vai contar para ninguém).


Fontes:
http://delas.ig.com.br / http://pt.wikipedia.org



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ATENÇÃO! - As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

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