| em 23 abril 2011

Chá: informações e curiosidades sobre esta fabulosa bebida milenar

Apesar de antiga no oriente, o brasileiro ainda não conhece bem a bebida. A seguir, onze dicas para apreciar melhor o chá (e mais onze para não errar no preparo)


Quando em contato com frutas e flores, como jasmim, o chá absorve aroma e sabor

O chá é ingrediente de uso milenar no oriente. No Brasil, porém, talvez por falta de conhecimento ou hábito, o verdadeiro chá continua sendo pouco conhecido. A passos lentos, é verdade, ele se faz notar especialmente em São Paulo, que tem a numerosa colônia japonesa como aliada na sua divulgação. Lojas modernas despontam na capital da gastronomia no país, resgatando a atmosfera tradicional da bebida, e o uso do chá na cozinha joga luz sobre o apaixonante produto. Por aqui, aliás, até o nome gera confusão: somente a planta Camellia sinensis pode ser chamada de chá – no caso, ela dá origme aos chás verde, branco, preto e oolongo. Bebidas feitas com hortelã, capim cidreira e outras ervas são ótimas infusões - ou seja, a rigor, não são chás.

Algumas informações e curiosidades para ajudar a entender e a apreciar o chá que, além de saboroso, tem uma porção de benefícios para a saúde.

1. A origem do uso do chá data de 2.700 a.C., na China. Foi nessa época que as características medicinais da planta foram descobertas. As folhas eram colhidas das árvores e iam direto para a panela e o resultado, claro, era uma bebida muito amarga. A fim de manter suas propriedades e suavizar o sabor, foram desenvolvidos os primeiros procedimentos para transformar as plantas em chás: secagem, moagem, cozimento.

2. No Brasil, o que muita gente não sabe é que os chás verde, preto, dourado, branco e vermelho são feitos de uma mesma planta, a Camellia sinensis, mencionada antes. O que os diferencia é a maneira como a erva é tratada depois de colhida. Acontece que as folhas entram em um processo de oxidação logo que são tiradas do pé. Esse processo é interrompido em diferentes momentos, dependendo do resultado desejado:

- Chás brancos são feitos do broto da planta, que muitas vezes ficou protegido do sol.

- Nos chás verdes a folha verde tem a oxidação interrompida (por calor, vapor ou cozimento). É muito consumido no Japão e tem conhecida ação antioxidante.

- O chá dourado é semi-oxidado e também conhecido como oolongo.

- Chás vermelhos são totalmente oxidados. Sua coloração é decorrente do local em que a planta foi cultivada. São típicos da China e conhecidos por ativar o metabolismo.

- Chás pretos são totalmente fermentados e comuns na Inglaterra e na Índia. Entre seus benefícios, é dito que fazem bem para a circulação e artérias.

3. Mas e os sabores? Como explicar o gostinho ou o aroma de jasmim ou pêssego que alguns chás têm? Segundo Patrícia Moraes, gerente da Loja do Chá, em São Paulo, eles podem ser aromatizados com flores, frutos e especiarias. “As folhas agregam sabor muito rapidamente à receita, e a simples mistura com alguns ingredientes, durante algum tempo, faz com que ela adquira suas notas”, explica.

4. Como escolher um entre os mais de 5000 tipos de chás que existem? “O importante é que sejam orgânicos, isentos de agrotóxicos”, afirma Patrícia. “Esses produtos comprometem sua naturalidade.” Para ela, chás a granel não são melhores do que os práticos saquinhos. O que deve ser observado na hora da compra é a procedência.

5. Para extrair o melhor da erva, alguns cuidados com a temperatura devem ser observados. Jogar o chá na água fervente, por exemplo, não trará resultado satisfatório. “O chá preto deve ser feito com água a até 95 graus e ‘descansar’ por 3 a 4 minutos antes de ser servido. O verde e o vermelho aguentam no máximo 85 graus, sendo que o repouso do primeiro é mais rápido: 2 minutos”, explica Juan Vartanian, gerente da recém-inaugurada Tea Connection, em São Paulo. Por isso, um termômetro culinário é objeto indispensável no kit do apreciador de chá. Na dúvida sobre temperaturas e tempos adequados, vale seguir as indicações de preparo impressas na embalagem do produto – não são todos, mas muitos vêm com instruções.

6. O chá frio tem preparo idêntico ao do servido quentinho. Mas só pode ser resfriado quando estiver em temperatura ambiente.

7. Tomar chá com leite é coisa dos ingleses, que começaram a consumir o produto em substituição ao café. O hábito pegou por causa das propriedades digestivas, perfeitas para aplacar os pratos pesados que consumiam. Logo, o chá foi incorporado no lanchinho da tarde, ao lado de sanduíches, doces, bolos.

8. Até hoje, essa bebida tem importante papel em rituais orientais. No Japão, a cerimônia do chá culmina no preparo de um exemplar verde em pó com água quente, que deve ser compartilhado entre os presentes. Todo o cerimonial tem um significado que sintetiza o estilo de vida zen budista, e somente mulheres com muitos anos de prática conseguem realizá-la. (Este documentário de três minutos, de David Anthoine, mostra bem do que se trata).

9. Mesmo sem uma simbologia profunda, alguns chás possibilitam um verdadeiro encanto visual. É o caso dos que são incrementados com uma flor - que pode ser malva, jasmim, lavanda etc - que se abre a olhos vistos. No caso, ela é prensada com o broto do chá branco por fora e é revelada quando a bebida quente entra em contato, na xícara. Lembra da cena do filme de Maria Antonietta, de Sofia Coppola? Os dois ficam encantados com a performance da flor de jasmim.

10. Agora que você já sabe alguma coisa sobre chá, é hora de lotar a despensa de casa com eles, certo? Errado. “Quando guardados em latas ou potes com fechos herméticos, o sabor e o aroma são mantidos por até um ano”, diz Patrícia. Quem preferir as embalagens decoradas de madeira deve notar as recomendações da especialista: “As cheirosas comprometem o produto”. Ingredientes como café, que tem aroma forte e predominante, também não devem dividir o armário com eles.

11. O chá pode ser um ingrediente interessante em comidas, mas seu uso pede cautela. Priscila Herrera, chef do restaurante Banana Verde, em São Paulo, criou uma série de docinhos feitos com chá verde. “Demorei para encontrar um produto que desse bom resultado. Consegui com um japonês, em pó”, diz. Em doces mais delicados, como musses, ela sugere adicionar infusões à receita, no lugar do chá propriamente dito. “Fica muito mais suave.” Quitutes mais doces, como brigadeiros e carolinas, podem ser feitos com o ingrediente em pó. “Mas é preciso adicioná-lo com parcimônia, pois o efeito é mais potente.” Priscila também já testou e aprovou o uso do chá em pratos salgados. “Gosto de usar como detalhe. Ele dá um toque no missô e também fica muito bom no lugar da água para cozinhar legumes no vapor.”


Veja também: Onze orientações para não errar no preparo do chá


Fonte: http://delas.ig.com.br/



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