| em 01 abril 2011

Jonas, o missionário renitente


O pecado é livremente praticado pela sociedade – as manchetes diárias e as prisões lotadas são um dramático testemunho deste fato. Com pedofilia, pornografia, assassinatos em série, terrorismo, anarquia e cruéis ditadores, o mundo parece transbordar de violência, ódio e corrupção. Ao ler e ouvir sobre essas tragédias – e talvez até sofrendo alguma delas – começamos a entender a necessidade do juízo de Deus. Podemos até descobrir que desejamos vingança, qualquer que seja ela, contra os autores destes tipos de violência. Com certeza estão muito longe de qualquer salvação! Mas suponha que em meio a essas conjecturas Deus lhe peça que leve o evangelho ao pior dos criminosos – o que você responderia? Jonas recebeu essa incumbência. A Assíria, aquele império tão grande e tão pecador, era o mais temível dos inimigos de Israel. Os assírios ostentavam seu poder perante Deus e o mundo através de numerosos atos de impiedosa crueldade. Portanto quando Deus lhe pediu para ir a Assíria conclamar o povo ao arrependimento, Jonas tomou a direção oposta.

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi um profeta israelita da Tribo de Zebulão, filho de Amitai, natural Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) (Fonte: Wikipédia)

O livro de Jonas conta a história da fuga deste profeta e como Deus o deteve e o fez retornar. Porém esta é mais do que a história de um homem e de um grande peixe; na verdade, é uma profunda ilustração da graça e da misericórdia de Deus.

Ao ler o livro de Jonas, procure visualizar o quadro completo do amor e da misericórdia de Deus, e entender que ninguém está fora do alcance da redenção. O evangelho é para todos os que se arrependem e crêem. Comece a orar por aqueles que parecem estar mais distantes do Reino e procure maneiras de ensinar-lhes a respeito de Deus. Procure aprender com a história deste relutante profeta, decida obedecer a Deus, faça tudo que Ele lhe pedir e vá de boa vontade qualquer lugar que Ele deseja lhe enviar.

A vocação de Jonas, a sua fuga e o seu castigo

Jonas é mencionado em 2 Reis 14.25. Ele profetizou durante o reinado de Jeroboão II, que foi o rei de Israel de 793 a 753 a.C., e provavelmente pertenceu ao grupo de profetas mencionado em conexão com o ministério de Elias (2 Rs 2.3). Deus ordenou a Jonas que fosse pregar em Nínive, a cidade mais importante da Assíria, um emergente poder mundial de seus dias. Dentro de 50 anos Nínive tornar-se-ia a capital do vasto Império Assírio, Jonas não diz muito a respeito da impiedade desta cidade, mas o profeta Naum nos fornece mais informações, ao declarar que Nínive era culpada de: (1) conspirações contra Deus (Na 1.9); (2) exploração dos desamparados (Na 2.12); (3) crueldade na guerra (2.12-13); (4) idolatria, prostituição e feitiçaria (Na 3.4). Deus disse a Jonas que fosse a Nínive, situada cerca de 800 quilômetros a nordeste de Israel, para advertir seus habitantes sobre o juízo divino e informar que caso se arrependessem, poderiam receber a misericórdia e o perdão de Deus.

Nínive era uma cidade poderosa e perversa. Jonas odiava os assírios e temia suas atrocidades. Seu ódio era tão forte que não desejava que recebessem o perdão de Deus. Na verdade, temia que aquele povo se arrependesse (4.2-3). A atitude de Jonas representa a relutância que Israel tinha de compartilhar com outros povos o amor e a misericórdia de Deus, mesmo ciente que essa era a missão que Ele lhes confiaria (Gn 12.3). Da mesma forma que Jonas, o povo de Israel não queria que os que não fossem judeus (gentios) recebessem o favor de Deus.

Jonas sabia que Deus tinha uma tarefa específica para ele, mas não queria realizá-la. Társis provavelmente fosse um dos portos ocidentais da Fenícia, enquanto Nínive estava localizada a leste. Portanto, Jonas resolveu dirigir-se, o quanto possível, para o oeste. Às vezes, receio ou teimosia, fugimos quando Deus nos envia diretrizes através de sua Palavra e reclamamos dizendo que Ele nos pede muita coisa. Diante da grandeza da misericórdia divina, o medo ou a ira provavelmente fez com que Jonas fugisse. Mas a fuga lhe trouxe uma conseqüência muito pior. Ao final, Jonas entendeu que o melhor teria sido, em primeiro lugar, obedecer á ordem que Deus lhe dera. No entanto, nessa ocasião ele já pagara um preço muito alto por sua rebeldia. É muito melhor obedecer desde o início.

Os israelitas, antes de se instalarem na terra prometida, foram nômades e peregrinaram de um lugar para outro á procura de boas pastagens para seus rebanhos. Embora não fosse um povo voltado à prática da navegação, a localização de Israel, ao longo da costa do mar Mediterrâneo, nas proximidades das potências marítimas da Fenícia e da Filístia, permitia um considerável contato com navios e marinheiros. A embarcação que Jonas usou foi, muito provavelmente, um grande navio mercante que possuía um amplo convés.

A desobediência de Jonas para com Deus colocou a vida dos tripulantes do navio em perigo. Temos a grande responsabilidade de obedecer à Palavra de Deus, porque nosso pecado e nossa desobediência podem prejudicar aqueles que nos rodeiam.

Em meio à forte tempestade, Jonas dormia profundamente no porão do navio. Mesmo após fugir de Deus, aparentemente os atos de Jonas não incomodavam sua consciência. Porém, a ausência de sentimentos de culpa nem sempre representa um medidor confiável, que nos permite saber se agimos corretamente. Por podermos negar a realidade, não estamos em condição de medir a obediência por meio de nossos sentimentos. Portanto, devemos comparar nossas ações com os padrões que Deus estabeleceu para a vida.

A tripulação lançou sortes para descobrir o culpado, confiante em sua superstição para obter a resposta. Seu método somente funcionou devido à interferência de Deus, que desejava fazer Jonas entender que não deveria fugir.

Não é possível alcançar o amor de Deus, e ao mesmo tempo fugir dEle. Jonas logo percebeu que, onde quer que fosse, não poderia se esconder do Senhor. Porém, antes de poder voltar-se a Deus, Jonas precisaria primeiramente parar de caminhar na direção oposta. O que o Senhor lhe pediu para fazer? Se quiser receber mais de seu amor e poder, você deverá estar disposto a assumir a responsabilidade que Ele lhe deu. Além disso, ninguém pode dizer que verdadeiramente crê em Deus se não lhe obedecer (1 Jo 2.3-6).

Jonas sabia que desobedecera e que era culpado pela tempestade; porém, nada declarou até que a tripulação lançasse sortes (1.7). Ele, então, mostrou-se disposto a dar sua vida para salvar os marinheiros, embora tivesse se recusado a fazer o mesmo pelo povo de Nínive. O ódio que nutria pelos assírios afetara sua perspectiva.

Ao tentar salvar a vida de Jonas, os marinheiros pagãos demonstravam ter mais compaixão do que ele, porque o profeta se recusava a advertir os habitantes de Nínive a respeito do futuro juízo de Deus. Os crentes devem se envergonhar quando aqueles que não conhecem o Senhor demonstram maior preocupação e compaixão do que eles. Deus deseja que mostremos nossos cuidados para com todos, tanto aos perdidos como aos salvos.

Jonas desobedecera a Deus. Porém, durante sua fuga, parou e decidiu obedecer-lhe. Então, a tripulação do navio adorou a Deus porque observou que a tempestade cessara. Deus é capaz de usar até nossos erros para ajudar outros a conhecê-lo. Pode ser doloroso, mas admitir nossos pecados pode servir como um poderoso exemplo àqueles que não conhecem a Deus. Ironicamente, os marinheiros pagãos realizaram o que a nação de Israel não faria – oraram a Deus e prometeram servi-lo.

Jonas no ventre do grande peixe, sua oração e seu salvamento

Muitos já procuraram rejeitar esse evento milagroso, pois consideram apenas ficção, mas a Bíblia não o descreve como sonho ou lenda. Não tentamos explicar esse milagre como se pudéssemos selecionar e escolher em qual dos prodígios da Bíblia acreditamos ou não. Esse tipo de atitude nos permitiria questionar parte da Bíblia e nos faria perder a confiança que temos no livro que representa a verdadeira e confiável Palavra de Deus. A experiência de Jonas foi usada pelo próprio Senhor Jesus Cristo como uma ilustração de sua morte e ressurreição (Mt 12.39-40).

Essa é uma oração de ação de graças e não uma petição por libertação. Jonas simplesmente mostrava seu agradecimento por não ter morrido afogado. Ele foi liberto de uma forma surpreendente e ficou assombrado por ter escapado da morte certa. Mesmo de dentro do peixe, sua oração foi ouvida por Deus. Podemos orar em qualquer lugar e a qualquer hora, certos de que Deus sempre nos ouvirá. Para ele, nosso pecado nunca é demasiadamente grande, nem nossa situação demasiadamente difícil.

Jonas disse: “Quando desfalecia em mim a minha alma, eu me lembrei do SENHOR” (2.7). Muitas vezes agimos da mesma maneira. Quando tudo na vida vai bem, nossa tendência é considerar a presença de Deus como certa; mas quando perdemos a esperança clamamos a Ele. Esse tipo de relacionamento produz uma vida espiritual inconsistente, cheia de “altos e baixos”. Um compromisso diário e consistente é a chave de um sólido relacionamento com Deus. Busque a Deus nos momentos bons e maus, e você terá uma vida espiritual muito mais forte.

Jonas retratou sua difícil situação dentro do peixe, como se tivesse sido enterrado vivo.

Obviamente, Jonas não estava em condições de argumentar com Deus e, simplesmente, lhe agradeceu por salvar sua vida. Nossos problemas podem nos tornar interessantes apegados a Deus, ao ponto de não nos importarmos com a dor. Podemos agradecer e louvar a Deus por quilo que Ele já nos concedeu e por seu amor e misericórdia.

Foi necessário um grande livramento para fazer com que Jonas executasse aquilo que Deus lhe ordenara. Como profeta, Jonas era obrigado a obedecer á Palavra de Deus; porém, ele tentara fugir á sua responsabilidade. Nesse momento, prometeu manter seu compromisso com Deus. A história de Jonas começa com uma tragédia, mas algo ainda maior teria acontecido se Deus tivesse permitido que ele continuasse fugindo. “Homens de Deus em fuga de Deus, trazem maldição aonde quer que vá” [Caio Fábio]. Quando você sabe que Deus deseja que faça alguma coisa, não fuja. Pode ser que Ele não lhe impeça como fez com Jonas.

Você pode se sentir pouco qualificado para servir a Deus por causa de erros cometidos no passado. Mas servir a Deus não é uma posição que se ganha. Ninguém está qualificado para o seu serviço, mas ainda assim Ele nos pede para levar a usa obra adiante. Pode ser que Ele ainda lhe conceda outra oportunidade assim como deu a Jonas.

Jonas deveria pregar somente o que Deus lhe ordenara – uma mensagem de condenação para uma das mais poderosas cidades do mundo. Essa não era uma tarefa agradável; porém, aqueles que levam a Palavra de Deus aos semelhantes não devem deixar que as pressões sociais ou o temor das pessoas orientem suas palavras. Deus tem chamado pessoas para pregar sua mensagem e verdade, e não importa o quanto estas possam ser consideradas impopulares.

A Palavra de Deus destina-se a todos. Apesar da iniqüidade dos habitantes de Nínive, estavam abertos á mensagem de Deus e arrependeram-se imediatamente. Se simplesmente anunciarmos a mensagem da salvação que é concedida por Deus, surpreender-nos-emos pelo número de pessoas que nos ouvirão.


Por Filadélfia

Referência: Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Tradução do Texto Bíblico: Sociedade Bíblica do Brasil
Notas e Comentários: Casa Publicadora das Assembléias de Deus



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