| em 21 abril 2011

Principais dúvidas e tratamentos para dor pélvica


A pelve (lat. pelvis = bacia, tigela) encontra-se na cintura pélvica dos Tetrapoda. É composta por uma série de ossos longos (em anfíbios, répteis e aves) ou chatos (em mamíferos), quase sempre apresentando os seguintes componentes: sacro, ílio, ísquio e púbis. É nesta estrutura que se inserem os membros inferiores e se apoiam uma série de músculos ligados ao seu movimento.

Nos seres humanos a pelve é a região de transição entre o tronco e os membros inferiores. O períneo, na anatomia humana, é geralmente definido como a região superficial entre a sínfise púbica e o cóccix, tanto em homens quanto em mulheres.

A pelve óssea (esqueleto da pelve) possui grande resistência e é formada pelos ossos:

- Osso do quadril - formado pela fusão do ílio, ísquio e púbis
- Sacro
- Cóccix

Nos seres humanos, a pelve (ou popularmente chamada de bacia) contém os principais componentes abdominais: a bexiga, partes terminais dos ureteres, órgãos genitais, pélvicos, reto, vasos sangüíneos, vasos linfáticos e nervos. Nas mulheres, também aloja ovários e útero. Para acomodar um feto no final da gestação, a pelve feminina é mais larga do que nos homens, uma característica útil para a determinação do sexo em ossadas e fósseis humanos.

Existem quatro tipos de forma da abertura superior da pelve humana:

- Ginecóide: arredondada, mais favorável ao parto. É a mais comum entre as mulheres.
- Andróide: possui forma de coração. É a mais comum entre os homens.
- Antropóide: possui forma alongada.
- Platipelóide: possui forma achatada
A cavidade pélvica é dividida em pelve maior (pelve falsa) e pelve menor (pelve verdadeira).


Dr. William Kondo, especialista em Cirurgia Laparoscópica, entre outras especialidades, fala sobre a Dor Pélvica, um dos assuntos mais comentados da coluna 'Ginecologista Explica', do Dr. Daniel Habib.

A Dor Pélvica

"Dor pélvica crônica é definida como a dor que ocorre abaixo do umbigo, na região pélvica, que dura pelo menos seis meses. Pode ou não estar associada com os ciclos menstruais. A dor pélvica crônica não é uma doença, mas sim um sintoma que pode ser causado por diferentes condições.", afirma Dr. William Kondo.

Causas Ginecológicas

As causas ginecológicas correspondem à causa da doe pélvica crônica em cerca de 20% das mulheres. Algumas das causas ginecológicas de dor pélvica incluem

Endometriose: a camada de revestimento dentro do útero é chamada de endométrio. A endometriose é uma condição em que o tecido endometrial está presente também fora do útero. Algumas mulheres com endometriose não têm sintomas, enquanto outras experimentam desconforto e dor importantes e podem ter problemas relacionados à fertilidade.

Doença inflamatória pélvica crônica: a doença inflamatória pélvica é uma infecção causada por organismos transmitidos sexualmente. Ocasionalmente, é causada por um episódio prévio de apendicite perfurada ou cicatriz resultante de uma cirurgia pélvica prévia. Pode se desenvolver no útero, ovários e trompas. A doença inflamatória pélvica pode causar dor, sangramento uterino anormal e sintomas de infecção como febre e calafrios.

Outras Causas

As causas não ginecológicas de dor pélvica crônica podem estar relacionadas ao sistema digestivo, urinário, ou dor nos músculos e nervos da pelve.

Síndrome do intestino irritável: é uma condição gastrointestinal caracterizada por dor abdominal crônica e alterações do hábito intestinal (como fezes amolecidas, aumento da freqüência de evacuações com o início da dor, e dor que alivia após a evacuação) na ausência de qualquer causa específica.

Síndrome da bexiga dolorosa e cistite intersticial: são termos usados para a dor nos tecidos da bexiga e nos nervos e músculos ao redor da mesma, que não é causada por infecção. Os sintomas incluem a necessidade freqüente de urinar e a sensação de necessidade urgente de urinar. Algumas mulheres com síndrome da bexiga dolorosa têm dor abdominal ou pélvica associada aos sintomas do trato urinário.

Diverticulite: o divertículo é uma saliência em forma de saco que algumas vezes se forma na parede muscular do cólon (ou intestino). A diverticulite ocorre quando o divertículo se torna inflamado. Isto geralmente causa dor abdominal; náusea e vômito, constipação, diarréia e sintomas urinários podem ocorrer também.

Dor no assoalho pélvico: os músculos do assoalho pélvico podem, em algumas ocasiões, tornar-se encurtados, endurecidos e dolorosos; isto é chamado de disfunção do assoalho pélvico. O assoalho pélvico inclui músculos que se ligam aos ossos pélvicos e sacro. Normalmente, esses músculos têm a função de dar suporte aos órgãos pélvicos e quadril. Não está claro por que este problema se desenvolve. Sintomas podem incluir dor pélvica, dor durante a micção, constipação, dor durante a relação sexual, ou sensação urgente ou freqüente de urinar.

Fibromialgia: é uma das desordens do grupo das dores crônicas que afetam estruturas do tecido conectivo, incluindo músculos, ligamentos e tendões. É caracterizada pela dor muscular difusa (ou mialgia) e sensação dolorosa em certas áreas do corpo. As mulheres com fibromialgia podem apresentar fadiga, desordens do sono, dores de cabeça e alterações do humor (como depressão e ansiedade).

Diagnóstico

Como um grande número de condições diferentes pode causar dor pélvica crônica, às vezes é difícil de se encontrar a causa específica.

História e Exame Físico

Uma história clínica completa e um exame físico detalhado do abdome e pelve são componentes essenciais para a avaliação de mulheres com dor pélvica. Em particular, o exame deve incluir a região lombar baixa, abdome, quadril e pelve (exame interno). Testes laboratoriais são indicados dependendo dos resultados do exame físico e incluem hemograma, exame de urina, testes para infecções sexualmente transmitidas e teste de gravidez.

Ultrasom-Pélvico

Alguns procedimentos diagnósticos podem ser úteis na identificação da causa da dor pélvica crônica. Por exemplo, o exame de ultra-som pélvico é acurado na detecção de massas pélvicas, incluindo cistos ovarianos (algumas vezes causados por endometriose ovariana) e miomas uterinos. No entanto, o ultra-som não é útil no diagnóstico de síndrome do intestino irritável, diverticulite, ou síndrome da bexiga dolorosa.

Laparoscopia

Um procedimento cirúrgico chamado de laparoscopia pode ser útil no diagnóstico de algumas causas de dor pélvica crônica tais como endometriose e doença inflamatória pélvica crônica.
A laparoscopia é um procedimento que é freqüentemente realizado com uma internação de 24 horas. Anestesia geral é realizada e uma fina câmera de 10mm é inserida através de uma incisão na região umbilical. Com esta câmera é possível avaliar a cavidade abdominal, especialmente os órgãos reprodutivos. Se a laparoscopia é normal, o médico pode direcionar seus esforços para o diagnóstico e tratamento de causas não ginecológicas de dor pélvica. Se a laparoscopia é anormal (por exemplo, havendo identificação de áreas de endometriose ou tecido anormal), a doença encontrada pode ser tratada ou biopsiada durante o procedimento.

Lidando com a dor

Aconselhamento psicológico pode ser oferecido para ajudar as mulheres a lidarem com sua dor pélvica. Há vários tipos de suporte psicossocial:

A psicoterapia envolve consultas com psicólogo, psiquiatra ou assistente social para discutir respostas emocionais de se viver com dor crônica, falhas ou sucessos no tratamento, e/ou relações pessoais;

Psicoterapia de grupo permite que as pessoas comparem suas experiências, superem a tendência de desistir e se tornarem isoladas com a dor, e dá suporte para que a pessoa tente um tratamento mais efetivo;

Grupos de suporte locais ou on-line que lidam com dor crônica podem também ser úteis;

Técnicas de relaxamento podem aliviar a tensão músculo-esquelética, e pode incluir meditação, relaxamento muscular progressivo, hipnose e biofeedback.

Tratamento

A dor pélvica crônica devido a uma condição ginecológica geralmente é tratada clinicamente. Em alguns casos, no entanto, a cirurgia pode ser o tratamento de escolha.

Tratamento Clínico

Medicação pode ser prescrita uma vez que os exames laboratoriais e de imagem sugiram que a dor é devido a uma condição ginecológica. Drogas que podem ser usadas incluem:

- Anti-inflamatórios não esteróides;
- Anticoncepcionais orais;
- Antibióticos, em casos de doença inflamatória pélvica;
- Análogos do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), usados para tratar alguns casos de endometriose.

Fisioterapia

A fisioterapia de assoalho pélvico é freqüentemente útil para mulheres com músculos pélvicos dolorosos e tensos. Este tipo de fisioterapia visa diminuir a tensão nestes músculos; o tratamento é direcionado aos músculos na vagina, quadril, coxas e região lombar baixa. Os fisioterapeutas que realizam este tipo de fisioterapia devem ser especialmente treinados.

Tratamento Clínico

Se as medicações não são efetivas no tratamento da dor, a mulher deve ser encaminhada a uma clínica especializada no manejo da dor. Os serviços de dor utilizam múltiplas modalidades de tratamento, incluindo:

- Acupuntura;
- Biofeedbck e técnicas de relaxamento;
- Estimulação nervosa;
- Injeção de anestesia local nos pontos dolorosos.Os serviços de dor podem ajudar mulheres que se tornaram dependentes de narcóticos para o alívio da dor.

Tratamento Cirúrgico

Poucas causas ginecológicas de dor pélvica crônica podem ser tratadas cirurgicamente. Por exemplo, algumas mulheres se beneficiam com a remoção cirúrgica de focos de endometriose. A histerectomia pode aliviar a dor pélvica crônica, especialmente quando esta é decorrente de desordens como adenomiose e miomas. No entanto, a dor pode persistir mesmo após a histerectomia, particularmente em mulheres jovens e em mulheres com história de doença inflamatória pélvica crônica ou disfunção do assoalho pélvico. Histerectomia não é uma boa escolha para o manejo da dor pélvica crônica em mulheres que ainda pensam em engravidar.
A cirurgia para se cortar alguns nervos da pelve também tem sido estudada como tratamento para dor pélvica crônica, mas até o momento esta alternativa não provou ser efetiva para a maioria das mulheres.


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Fontes:
Universo Feminino
Wikipédia



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