| em 04 maio 2011

O Maravilhoso Perfume de Cristo

Aroma Agradável

“e queimará tudo isso sobre o altar; é holocausto, oferta queimada, de aroma agradável ao SENHOR” (Lv 1.9, RA)


Há uma grande e importante diferença entre oferta que era simplesmente “queimada”, e a outra que era “queimada, de aroma agradável ao Senhor”. No capítulo 1 de Levítico, a oferta queimada é “de aroma agradável ao Senhor”. Esse tipo de oferta está presente nos três primeiros capítulos do livro, justamente os textos que não tocam nas palavras pecado e culpa, que só aparecem a partir dos capítulos 4 e 5, respectivamente.

Se na “oferta queimada” a meta é a purificação de pecados e culpas, na “oferta queimada de aroma agradável”, o alvo é o coração do Pai. Na Bíblia tudo ocorre na ordem da propriedade de Deus, e o que vem em primeiro lugar no livro de Levítico é a oferta de aroma agradável. Portanto, Jesus morreu em primeiro lugar para agradar o Pai, e, conseqüentemente, poder salvar o homem; mas, o Pai é o Seu alvo principal:

“Depois ele disse: ‘Estou aqui ó Deus, para fazer a tua vontade’. Assim Deus acabou com todos os antigos sacrifícios e pôs no lugar deles o sacrifício de Cristo” (Hb 10.9, NTLH).

Cristo assumiu a forma humana para o Pai se agradar da humanidade representada nele, significando que Deus se agrada do homem que está em Cristo. O holocausto não é a expiação dos nossos pecados, mas é a substituição da humanidade caída, adâmica, para a humanidade restaurada e cheia de graça.

“... Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus” (Ef 5.2, NVI).

Ao se entregar por nós como aroma agradável a Deus, Jesus nos abriu a porta do Reino para que pudéssemos entrar e desfrutar de todas as benesses da Casa do Pai. Somos bem-vindos, somos amados e agradáveis a Deus, por causa do aroma de Cristo que nos impregna.

Quando alguém se aproxima de um quartel para nele entrar tem de pronunciar uma senha, se a qual o vigia não permite a entrada. Para adentrar os domínios do Reino de Luz a senha é o aroma que alguém exala, e o perfume tem de ser o de Cristo.

“Porque somos como o cheiro suave do sacrifício que Cristo oferece a Deus, cheiro que se espalha entre os que estão se perdendo” (2 Co 2.15, NTLH).

O holocausto do Filho Deus ocorreu na Páscoa, e, no hemisfério norte, a Páscoa é na estação das flores; Jesus é a Primavera da Vida e os que estão mesclados com Ele são portadores do mesmo aroma, do cheiro que agrada a Deus. Nos, em Cristo, exalamos uma fragrância singular, pois o nosso olor particular, amalgamado ao de Cristo, é único, é o nosso identificador, o nosso código de barras espiritual. É a vida de Cristo presente no fiel, através do Espírito Santo manifesto no cristão, espalhando o aroma divino entre a humanidade. O cristão é chamado a exalar o amor de Cristo em todas as circunstâncias da existência; eis a importância do testemunho.

Testemunhar de Cristo não é apenas professar uma determinada religião, ou se tornar membro desta ou daquela denominação. Testemunhar de Cristo é mais do que exercer cargos eclesiásticos, pregar a Palavra ou contribuir para missões. Testemunhar de Cristo passa longe de seguir regras legalistas ou incorporar modismos referentes a tipos de roupas ou corte de cabelos.

Testemunhar de Cristo é repetir o que Ele fazia, ou melhor, permitir que Ele se realize através de nós. Testemunhar é manifestar o Seu carinho e atenção pelo ser humano, mesmo que seja um pária da sociedade. Por isso Jesus espantou os religiosos ao jantar na casa de um cobrador de impostos, chamado Zaqueu:

“Todos os que viram isso começaram a resmungar: - Este homem foi se hospedar na casa de um pecador!” (Lc 19.7, NTLH).

O Deus feito homem não se intimidava com a especialidade da tradição religiosa. Para Ele, o homem, este sim, é especial. Jesus preocupava-se em abrir o cofre da vida, que é o coração do homem, e nele colocar o bem mais precioso para Deus: o aroma da vida abundante.

Jesus provou que até mesmo o pior dos pecadores, de Zaqueu ao bandido que se arrependeu na cruz, se borrifado pelo perfume divino da afabilidade e da consideração, encontrará o verdadeiro sentido da vida:

“Então Jesus disse: - Hoje a salvação entrou nesta casa... (se referindo a Zaqueu). Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar quem está perdido” (Lc 19.9-10, NTLH).

Na Judéia, na época de Jesus, quando uma mulher era apanhada em adultério, sobre ela despencava um dilúvio de pedras. Quando uma adúltera foi jogada aos pés do Senhor Jesus, ao contrário da costumeira tempestade de insultos verbais e agressões físicas, orvalhou suavemente a misericórdia e o perdão. Jesus sequer pronunciou palavra contraditória: “Vai e não peques mais”.

O testemunho que damos da presença de Cristo em nós está associado à intensidade de misericórdia e benignidade que exalamos, pois o resto é religião terrena, animal e diabólica. A religião celestial sobe como aroma agradável a Deus.

Na mesa de Cristo tinha assento homens oriundos dos mais diversos segmentos da sociedade. É p respeito pela posição diferente do outro, é dar ao outro o direto de pensar e manifestar o seu pensamento, mesmo que discordante do meu, é o evangelho sem barreiras e preconceitos.

A igreja é a perfumaria das mais diferentes fragrâncias associadas ao “Aroma Divino”. Podemos citar dois representantes de lados extremos, politicamente opostos. O primeiro era Mateus, o publicano, judeu que cobrava impostos, alguém aliado ao invasor romano, que se submetia para também tirar proveito financeiro. Os publicanos eram desprezados por trabalhar para o dominador estrangeiro e por serem desonestos (Lc 3.12, 13 DBA). O segundo era Simão, o Zelote, membro de um partido nacionalista judeu do tempo de Cristo. Os zelotes, também chamados de cananeus ou cananitas, usavam de violência na oposição ao domínio romano (Mt 10.4; Lc 6.15, DBA). Simão era um típico representante dos insubordinados. Jesus veio para derrubar a barreira da inimizade e unir a humanidade em uma babel ao contrário. Todos falando um mesmo idioma, o idioma da tolerância, da compreensão e do respeito. Testemunhar de Cristo é compreender a grandeza do evangelho pela multiforme sabedoria da graça de Deus:

“E isso aconteceu a fim de que agora, por meio da Igreja, as autoridades e os poderes angélicos do mundo celestial conheçam a sabedoria de Deus em todas as suas diferentes formas.” (Ef 3.10, NTLH).

Não entendemos as pressões que sofremos em nossa vida. Somos “apertados”, e nem mesmo nos damos conta de onde vem a pressão. Mas não devemos nos esquecer do grande amor do Pai celestial por nossas vidas.

Dizem que os melhores perfumes estão em frascos menores – “Deus escolheu os pequenos, os fracos” – Se eu quero ficar perfumado, preciso aproximar o frasco, e, com um pouco de pressão, fazer exalar sobre a minha pele um pouco da fragrância, com muito cuidado para não desperdiçar o valioso conteúdo. Deus gosta muito de “perfume”, e por isso, aproxima o “frasco” que contém a valiosa fragrância e faz uma ligeira “pressão”, para nela se envolver.

A Bíblia afirma que o Espírito Santo “arde de ciúmes de nós”, tal é a paixão que Deus tem pelo ser humano. Deus ama o homem e quer uma profunda comunhão com ele – trazer o frasco para bem pertinho –, que se misturar com ele – ás vezes uma ligeira pressão é necessária para exalar o que está em nós –, e, como “Grande Perfumista” que é, resolveu juntar as emanações do Seu Filho com as dos filhos dos homens.

“Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se deu a si mesmo por mim” (Gl 2.20, NTLH).

O mundo tem seus “aromas”, e os exala sempre. A alquimia profana mistura o poder econômico e político com porções de injustiças e gera exclusão social. O secularismo combinado com esoterismo resulta na alienação humana. E o odor do misticismo cega o entendimento de muitos, inclusive no seio da família de Deus.

No holocausto o cordeiro era totalmente queimado, com exceção do couro que era transformado em veste para o sacerdote. Nós sabemos que Isaque abençoou a Jacó por causa do cheiro. Jacó não tinha mérito para receber a benção e, nem mesmo o delicioso prato poderia impressionar o pai a ponto de lhe ceder à benção. Ele precisava desesperadamente do perfume, o aroma do primogênito. Paulo ensina que o cristão tem uma veste espiritual, “vestidos com a pessoa de Cristo” (Gl 3.027, NTLH), e, por isso é aceitável, agradável ao Pai. A igreja não pode se iludir com os seus feitos, não é pelo fato de oferecer pratos sofisticados e em quantidade que irá impressionar o Pai. Nenhum “prato” deste mundo impressiona o Pai.

O mundo tem oferecido à igreja lindas roupas, extravagantes até. Roupas de brilhos psicológicos e de marketing. Vestes de auto-ajuda e um grande guarda-roupa de ativismo, entretenimento, subjetivismos e superficialidade bíblica. Estamos produzindo uma igreja numerosa, mas qual o cheiro que exala dessa roupagem? Está na hora de voltarmos para a simplicidade do Evangelho, abrir o armário e vestir novamente o couro do primogênito Cordeiro de Deus.

Se Deus quisesse distribuir riquezas, teria criado um banco.

Se Deus quisesse o governo, teria criado um partido político.

Ele quer “apenas” derramar o Seu bálsamo aromático, e por isto fez de cada filho uma perfumaria andante. A igreja evangélica brasileira tem como vocação exalar o bom perfume de Cristo, o aroma do amor, da tolerância e da inclusividade e, quando a fragrância da unidade da igreja for derramada em solo brasileiro, esta nação será curada.


Por Solon Diniz Cavalcanti, pastor da Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia do Brasil-SP, professor de Teologia e Mestrado em Ciências das Religiões – Universidade Lusófona – Lisboa, Portugal.

Fonte: Revista Visão Bíblica



Arquivado em | , .





Receba novas postagens por e-mail


ATENÇÃO! - As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Comentário(s):