| em 11 junho 2011

Como as amígdalas podem influenciar no desenvolvimento das crianças

Adenóide (AO 1990: adenoide) é o nome dado à hiperplasia (aumento de tamanho) das tonsilas faríngeas. A tonsila faríngea faz parte do chamado Anel Linfático de Waldeyer. É uma formação linfoide que cerca as cavidades nasais e bucais para a garganta, estando localizada na parede posterior da nasofaringe, região que serve como passagem do fluxo aéreo nasal, caixa de ressonância na fala e é o local de abertura das tubas auditivas. Ela normalmente aumenta de tamanho (junto com aumento das amígdalas) durante a infância em resposta a estímulos antigênicos, tais como infecções virais e bacterianas, alimentos, alérgenos e irritantes ambientais, sendo que, na maioria das pessoas, involui durante a adolescência.

As queixas relacionadas às adenóides ou às amígdalas estão entre as mais comuns encontradas na população em geral. O indicador mais significativo de obstrução nasal produzida pelas adenóides é a respiração pela boca, cuja imagem clássica é a da criança que dorme com a boca aberta, ronca e baba no travesseiro. Estão associados com o quadro:

• distúrbios do ouvido secundários à obstrução do óstio da tuba auditiva (otites médias secretoras ou supurativas agudas), os quais podem manifestar-se por diminuição da audição, dor de ouvido, febre e choro;

• respiração bucal de suplência com os problemas que dela advêm: rinites, sinusites (conseqüência da obstrução nasal), rouquidão e faringites;

• distúrbios de fonação, em que não há emissão de sons nasais (rinolalia clausa);

• alteração, na criança em crescimento, dos padrões anatômicos, determinando problemas ortodônticos de má oclusão, palato ogival, prognatismo e outras anomalias nos traços faciais que levam à fascies adenóide, caracterizada por face alongada, boca aberta, olheiras, palato ogival, protrusão dental e hipoplasia de maxila.

O aumento de volume adenotonsilar é a causa mais comum de apneia obstrutiva do sono na criança, definida como parada da respiração por, no mínimo, 10 segundos). Esta relaciona-se com a retenção de CO2, o que determinará retardo no crescimento, debilidade no status físico e psicológico da criança, hipersonolência diurna, cefaléia matinal, sono agitado e enurese (em crianças que já tinham adquirido o controle miccional). As adenoides apresentam-se com mais frequência entre os 4 e os 7 anos.

O raio X de cavum define o grau de obstrução à passagem do ar pela rinofaringe por meio da presença do tecido linfóide aumentado. Atualmente, pela disponibilidade de fibras ópticas flexíveis, a endoscopia nasal pode ser utilizada para esse diagnóstico por meio da visão direta da tonsila faríngea na coana e do grau de obstrução da mesma.

A cirurgia para remoção das adenoides é chamada adenoidectomia, sendo realizada por um médico otorrinolaringologista.


Médicos do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em Saõ Paulo, desenvolveram estudos com base em pesquisas já existentes e comprovaram: a retirada de grandes amígdalas e adenoides (aquela “carne esponjosa” que fica atrás do céu da boca) ajuda no crescimento das crianças.


A pesquisa

• Durante o ano passado, 26 crianças entre três e oiti anos de idade, ambos os sexos, foram acompanhadas.

• Em comum, elas tinham as amígdalas e adenoides em tamanho maior que o normal, a ponto de receberem indicação cirúrgica.

• Foram realizados exames que dosaram o hormônio do crescimento IGF-1 (Fator do Crescimento do Tipo Insulina 1) nos peuqenos pacientes antes e depois de serem operados.

• “Um mês após a cirurgia, houve aumento nos valores desses hormônios, o que comprova as pesquisas de outros autores”, aponta a médica Gabriela Robaskewicz Pascoto, uma das autoras do estudo.

Consequências

• As amígdalas e adenóides produzem células que ajudam na defesa do organismo, gerando anticorpos.

• Quando esses órgãos inflamam e aumentam de tamanho, eles prejudicam a respiração, fazendo com que a criança tenha que respirar pela boca.

• Durante o sono, esse tipo de respiração pode levar ao ronco e à apneia do sono, (Ocorre quando o ar não chega até os pulmões durante o sono, provocando paradas sucessivas na respiração) o que interfere negativamente na produção dos hormônios relacionados ao crescimento.

• “Sabe-se que o hormônio do crescimento é liberado durante o sono e os níveis desses hormônios poderiam ser afetados em decorrência da diminuição da qualidade do sono”, explica a especialista.


Atenção, pais!

- O aumento do tamanho das amígdalas e adenóides é comum durante o início e o meio da infância.

- Porém, se ele for excessivo, pode ocasionar obstrução respiratória nos pequenos.

- Crianças com este tipo de problema apresentam má qualidade de sono. Além disso, por estarem mais sujeitas a infecções e inflamações nas amígdalas, acabam não conseguindo engolir a comida, o que diminui o apetite e prejudica a alimentação. Assim, podem ocorrer, inclusive, alterações em seu desenvolvimento.

- Por isso roncar e respirar de boca aberta nem sempre é normal. Fique atenta ao seu filho enquanto ele dorme: se ele tiver esse hábito, procure um otorrinolaringologista.

- O médico indicará os exames necessários e, caso o pequeno apresente aumento significativo desses órgãos, com prejuízos à saúde dele, poderá recomendar a cirurgia.


Consultoria: Gabriela Robaskewicz Pascoto, médica residente do serviço de otorrinolaringologia do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos e uma das autoras do estudo. Site. www.hpev.com.br

Referências:

• Revista Malu – Ano 13 – Nº 467
www.revistamalu.com.br

• COSTA, Cruz e Oliveira. Otorrinolaringologia: Princípios e Prática, 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006



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