| em 08 julho 2011

Câncer de mama: “Se toque” para este problema


Muito comum entre as mulheres, o câncer de mama é raro antes dos 35 anos, mas acima dessa faixa etária sua freqüência cresce rapidamente.


O câncer de mama é provavelmente o mais temido entre as mulheres, devido à sua alta freqüência e, sobretudo, pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. No Brasil, é o tipo de câncer que mais causa mortes entre as mulheres. O aumento de incidência tem sido acompanhado de perto pelo aumento da mortalidade, o que pode ser atribuído, principalmente, a uma demora no diagnóstico e na instituição de terapêutica adequada.


O papel da detecção precoce

A descoberta da doença em suas fases iniciais proporciona chances elevadas de cura e, na maioria dos casos, permite tratamentos não mutiladores. As estratégias para a detecção precoce do câncer de mama são, basicamente, três: a realização do autoexame (que deve ser mensal), o exame clínico anual das mamas após os 40 anos (que deve ser realizado por médicos e enfermeiros) e o exame mamográfico (que deve ser realizado anualmente por mulheres com idades entre 50 e 69 anos). O câncer de mama é caracterizado por alterações que determinam um crescimento celular desordenado, alterando os tecidos das mamas. Sabe-se que 80% dos casos se manifestam na forma de um tumor indolor. Apenas 10% das pacientes queixam-se de dor – e sem a percepção do tumor. O nódulo mamário (ou tumor) é uma área definida, de consistência variada, de limites precisos ou não, que pode ser a manifestação de um simples cisto (tumor de conteúdo líquido ou sólido), de caráter benigno ou maligno. Tumores menores que um centímetro dificilmente serão detectados clinicamente, pois poderão estar com a mobilidade preservada ou aderidos à pele ou ao gradil costal (ou a ambos). A pele que cobre a mama, por sua vez, poderá estar íntegra, ulcerada pelo tumor ou apresentar-se como uma casca de laranja. Outro sintoma comum são os nódulos palpáveis na área das axilas. Os tumores são invasivos, chamados tumores in situ, apresentam índices de cura próximos a 100%. Para os tumores invasivos com diâmetro de até dois centímetros, o índice é de 95%.


Somente os exames podem ajudar

A gravidade do tumor varia de acordo com a sua natureza, que deve ser conhecida através do exame clínico e também em exames como mamografia, ultrassonografia e por meio de procedimentos, como o exame citológico e a biópsia. O exame clínico das mamas é o exame físico que deve ser realizado rotineiramente pelo médico durante a consulta em mulheres a partir de 25 anos, de preferência na primeira semana após a menstruação. Ele também pode ser realizado por outro profissional de saúde treinado e tem fundamental importância para a detecção precoce do câncer de mama. Durante o exame, sinais como assimetria, abaulamentos, retrações, eczemas, ulcerações, gânglios linfáticos e nódulos devem ser cuidadosamente pesquisados. O profissional também deve fazer uma série de perguntas à mulher a fim de investigar as possibilidades de tratar-se de uma paciente com câncer de mama (são levantados, entre outros aspectos, sinais e sintomas, histórico familiar, menopausa e resultados de biópsias da mama anteriores). É nessa hora avaliada a necessidade de se realizar exames complementares (mamografia ou ultrassonografia) ou procedimentos, como a punção aspirativa por agulha fina (paaf) ou punção por agulha grossa (core biopsy).


Observações

1) Autoexame ajuda, mas sozinho é pouco

Apesar de o autoexame viabilizar a descoberta de alterações existentes nas mamas, o Instituto Nacional do Câncer não estimula a prática como estratégia isolada de detecção precoce de câncer de mama. Ou seja, o exame das mamas realizado pela própria mulher não substitui o exame realizado pelo profissional da saúde, e se você têm alguma suspeita, consulte um médico de sua confiança o mais breve possível. O melhor período para o autoexame é entre sete a dez dias após a menstruação, pois fica mais fácil encontrar alterações. Para as mulheres que não menstruam, realizaram histerectomia ou estão amamentando, basta escolher um dia do mês. O objetivo do autoexame é realizar uma busca periódica mensal por alguma alteração – basicamente, o endurecimento nodular localizado.

2) Homens não estão livres

Pouca gente sabe, mas os homens também desenvolvem o tumor de mama. Embora a incidência ainda seja considerada baixa (1% dos cânceres malignos), vem aumentando a cada ano. Geralmente, esse tipo de câncer acomete o homem de idade mais avançada, sendo mais freqüente na faixa etária de 50 a 60 anos. O principal sintoma é o aparecimento de nódulo indolor na região da aréola, podendo provocar coceira e irritação.

3) Desodorante não mata

O fato de quase todos os casos de câncer de mama acontecer na região das axilas nada tem a ver com o uso de desodorante, como muita gente pensa. Diversos estudos já mostraram não haver relação entre o uso do produto e a ocorrência do câncer de mama. Portanto, use roll-on sem medo.


Tipos de cânceres e sintomas

Muitos nódulos são de natureza benigna. Os mais comuns são os fibroadenomas (sem potencial de malignização e comuns em mulheres de 15 a 30 anos; apresentam-se na forma de nódulos duros e eslásticos, sólidos, não dolorosos, móveis à palpação, de limites precisos e que medem de 1 a 3 cm) e os cistos (de conteúdo líquido, facilmente palpáveis, de consistência amolecida, que podem atingir grandes volumes e evoluir para uma lesão maligna). Entre os cânceres de mama, o mais comum é o carcinoma ductal, pois a maioria dos casos acomete justamente as células dos ductos das mamas. Ele pode ser in situ (quando não passa da primeiras camadas de célula destes ductos) ou invasor (quando atinge os tecidos em volta). Já os sarcomas originam-se do tecido glandular e se disseminam pela corrente sanguínea. São raros, mas quando acontecem, podem crescer rapidamente e atingir grandes volumes. O carcinoma de Paget, por sua vez, é uma lesão especial que, freqüentemente, se manifesta em forma de dermatite, por isso requer biópsia para o diagnóstico. Entre as formas mais agressivas estão o carcinoma inflamatório, um tumor caracterizado pelo comprometimento difuso da mama, que adquire características de inflamação, e o carcinoma lobular, que começa nos lóbulos e acomete as duas mamas.


Tratamento envolve várias etapas

O tratamento é um processo de múltiplas etapas, cujas modalidades terapêuticas são a cirurgia, a radioterapia, o tratamento sistêmico (quimioterapia e hormonioterapia) e a reabilitação. O sucesso do tratamento do câncer de mama dependerá de fatores prognósticos. Do ponto de vista clínico, os mais importantes são extensão do comprometimento axilar e tamanho do tumor. Quanto menores o tumor e o comprometimento axilar, maiores serão as chances de cura. Sabe-se que a associação dos tratamentos cirúrgico, quimioterápico e radioterápico é mais eficaz para reduzir a possibilidade de reaparecimento da doença. Mas nem sempre todos são necessários. A mastectomia simples é um tratamento curativo em 98% dos casos, mas é excessivamente mutilante em uma considerável parcela dos casos. A quimioterapia apresenta alguns sintomas colaterais (e transitórios), em diversos graus de intensidade e de acordo com a droga utilizada. As mais freqüentes são a toxicidade gástrica, que se manifesta por náuseas e vômitos, e a queda de cabelo. A radioterapia resulta, muitas vezes, em radioepidermite, uma espécie de queimadura da pele sobre a qual foi aplicada. Terminado o tratamento quimioterápico e radioterápico, a paciente volta a ser acompanhada pelo médico, que realizará exames físicos em intervalos que irão variar entre seis meses e um ano.


Fator genético também conta

O histórico familiar é um importante fator de risco para o câncer de mama, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) tiverem a doença antes dos 50 anos de idade. Entretanto, o câncer de mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% do total de casos de cânceres de mama.

• Outros fatores de risco - A idade constitui outro fator de risco, havendo um aumento da incidência conforme o envelhecimento. A menstruação precoce, a menopausa tardia, a ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos e a nuliparidade (não ter tido filhos) também são fatores de risco. Ainda é controvertida a associação do uso de contraceptivos orais com o aumento do risco para o câncer de mama. Entre os fatores de risco, estão ciclos menstruais menores que 21 dias na pré-menopausa, dieta rica em gordura animal, dieta pobre em fibras, obesidade (principalmente após a menopausa), radiações ionizantes, ausência de atividade sexual, residência em área urbana e cor branca.


A vida segue após o tratamento

• Gestação – Se você teve um câncer de mama, é jovem e tem vontade de engravidar, saiba que, embora não haja um consenso, a maioria dos estudiosos no assunto acredita que a gravidez não piora o prognóstico. Por isso, permita-se a gravidez depois de decorridos dois anos após o início do tratamento, pois este representa um período crítico para as recidivas locais.

• Anticoncepcionais – Nas mulheres em idade reprodutiva e que se submetem ao tratamento de câncer de mama, sugere-se o planejamento familiar através de métodos naturais, de barreira (diafragma, preservativo) ou colocação do DIU (dispositivo ultrauterino). Não é recomendado a utilização de pílulas anticoncepcionais, devido aos hormônios que elas contém.

• Reposição hormonal – Geralmente, na pré-menopausa não se faz uso de hormônios estrogênicos. Evita-se terapia hormonal caso não haja risco de doença cardiovascular ou osteoporose. Mulheres portadoras de tumor de bom prognóstico e com alto risco cardiovascular e ósseo podem receber terapia estrogênica. Medidas não hormonais devem ser estimuladas.


Fonte: Revista ProTeste – Ano X – Nº 102 – www.proteste.org.br



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