| em 01 julho 2011

Daniel, um profeta de valor

UM TERREMOTO abala a base de nossa segurança; um tornado faz toda uma vida de riquezas ir pelos ares; uma bala de assassino muda a história nacional; um motorista embriagado tira a vida de um inocente; um divórcio despedaça um lar. Tragédias pessoais e internacionais fazem o nosso mundo parecer um lugar assustador, que transborda o mal e aparentemente está fora de controle. As notícias de bombardeios, golpes, assassinatos e desastres naturais podem nos levar a pensar que Deus está ausente ou impotente. “Onde está Deus?” Gritamos, mergulhados em tristeza e desespero. Vinte e cinco séculos atrás, Daniel poderia ter se desesperado. Juntamente com milhares de compatriotas, ele foi deportado para uma terra estrangeira após a conquista de Judá. Daniel achou-se diante de um déspota egocêntrico e cercado por idólatras. Ao invés de desistir ou desesperar-se, este jovem corajoso manteve firme a fé em seu Deus, pois sabia que, apesar das circunstâncias, Deus era soberano e realizava seu plano para as nações e para os indivíduos.


A Vida de Daniel (1.1 – 6.28)

Enquanto Ezequiel ministrava aos cativos na Babilônia, Daniel foi recrutado como um conselheiro do rei Nabucodonosor. Com a ajuda de Deus, Daniel interpretou dois sonhos do rei, seus três amigos foram resgatados da inevitável morte na fornalha ardente, e Daniel foi salvo na cova dos leões. A vida de Daniel é uma lustração do triunfo da fé a fim de que também possamos viver corajosamente cada dia.

A primeira parte da vida de Daniel demonstra que há muito mais na vida do jovem do que apenas cometer erros. Nenhuma característica conquista mais rapidamente o coração dos adultos do que a sabedoria nas palavras e ações de uma pessoa jovem. Daniel e seus amigos tinham sido levados de seus lares, em Judá, para o exílio. O futuro era incerto, mas todos eles possuíam características pessoais que os qualificavam para o trabalho no palácio, na presença do rei. Eles tiravam proveito da oportunidade sem deixar que esta tirasse proveito deles. O primeiro sinal da dignidade Daniel é visto quando ele se recusa discretamente a desistir de suas convicções. Daniel tinha aplicado a vontade de Deus a sua vida e era contrário a mudar os bons hábitos que formara. Tanto o alimento físico quanto o espiritual eram uma parte importante de seu relacionamento com Deus. Alimentava-se cuidadosamente e vivia em oração. Um dos benefícios de estar em treinamento para o serviço real era comer da mesa do próprio rei. Daniel escolheu com discernimento um cardápio mais simples e provou ter sido esta uma escolha saudável. Assim como Daniel, as horas das refeições são testes óbvios e regulares de nosso empenho em controlar os apetites. Enquanto controlava sua ingestão de alimentos, Daniel entregava-se à oração. Podia comunicar-se com Deus porque fez disto um hábito. Ele colocou em prática suas convicções, mesmo quando isto significou ser lançado em uma cova de leões famintos. Sua vida provou que tinha feito a escolha certa.


A educação de Daniel e outros jovens hebreus na corte de Nabucodonosor

Nascido no tempo do rei Josias (2 Rs 22 – 33), Daniel cresceu durante as reformas do reino. Nessa época, provavelmente Daniel ouviu Jeremias, um profeta citado por ele em 9.2. Em 609 a.C, Josias foi morto na batalha contra o Egito e, num período de quatro anos, o Reino do Sul de Judá voltou aos seus maus caminhos. Em 605 a.C, Nabucodonosor tornou-se reis da Babilônia. No mês de setembro daquele ano, ele devastou a Palestina, cercou Jerusalém e tornou Judá seu estado vassalo. Para demonstrar seu domínio, Nabucodonosor tomou os homens mais sábios de Jerusalém e maior parte das mulheres belas como cativos. Daniel encontrava-se neste grupo.

Nabucodonosor, o supremo líder da Babilônia, era temido em todo o mundo. Quando invadia um país, seu trinfo era certo. Após uma vitória, os babilônios normalmente levavam as pessoas mais talentosas e hábeis para a Babilônia e deixavam somente os pobres para trás, permitindo que estes tomassem a terra que desejassem e ali vivessem pacificamente (2 Rs 24.14). Tal sistema favorecia a lealdade dos que permaneciam nas terras conquistadas, ao mesmo tempo em que assegurava um suprimento constante de pessoas sábias e talentosas para o serviço civil.

Em determinadas ocasiões, Deus permite que sua obra sofra. Aqui, os babilônios invadiram o Templo de Deus e levaram as peças de decoração para o templo de um deus na Babilônia. Talvez este tenha sido Bel, também chamado Marduque, o principal deus dos babilônios. Aqueles que amavam ao Senhor devem ter se sentido desalentos e sem ânimo. Ficamos muito desapontados quando nossas igrejas sofrem danos materiais, divisões, fecham por razões financeiras ou são alvos de escândalos. Não sabemos por que Deus permite que sua igreja experimente tais calamidades. Porém, assim como o povo que testemunhou o saque do Templo pelos babilônios, devemos confiar que Deus está no controle e zela por todos aqueles que confiam nEle.

O idioma comum na Babilônia era o aramaico, enquanto a língua erudita incluía o antigo e complicado idioma babilônio. O programa acadêmico provavelmente incluía matemática, astronomia, história, ciência e magia. Estes jovens demonstravam não somente aptidão, mas também disciplina, um traço de caráter que, aliado à integridade, muito lhes serviu naquela nova cultura.

Nabucodonosor mudou os nomes de Daniel e seus três amigos porque queria torná-los babilônios – a seus próprios olhos e aos olhos do povo babilônico. Novos nomes poderiam ajudar na assimilação da cultura. Em hebraico, Daniel significa “Deus é meu juiz”; seu nome foi mudado para Beltessazar, que significa “Bel proteja a sua vida!” Hananias significa “O Senhor demonstra a sua graça”; seu novo nome, Sadraque, provavelmente significa “sob o comando de Aku” (o deus-lua). Misael significa “quem é como Deus?”; é possível que seu novo nome, Mesaque, signifique “quem é como Aku?” Azarias significa “O Senhor ajuda”; seu novo nome, Abede-Nego, significa “servo de Nego/Nebo” (ou Nabu, o deus do aprendizado e da literatura). Foi deste modo que o rei tentou transferir a fidelidade destes jovens ao Deus de Judá para os deuses da Babilônia.

Daniel resolveu não comer de certos alimentos, ou porque eram proibidos pela lei judaica, como a carne de porco (ver Lv 11), porque aceitar o alimento e a bebida do rei seria o primeiro passo para a dependência de seus presentes e favores. Daniel permanecia obediente às leis de Deus, embora estivesse em uma cultura que não dava honras a Ele.

Daniel “decidiu’ ser fiel aos seus princípios e se comprometer com um determinado modo de ação. Quando resolveu não se contaminar, estava sendo leal a uma decisão vitalícia de fazer o que era correto e não desistir sobe as pressões que estavam a sua volta. Freqüentemente, somos pressionados a comprometer os nossos padrões e a viver de acordo com o mundo ao redor. Apenas querer ou preferir a vontade de Deus não é suficiente para resistir aos violentos ataques da tentação. Como Daniel, devemos decidir obedecer a Deus.

Torna-se mais fácil resistir à tentação quando antes refletirmos sobre nossas convicções. Daniel e seus amigos tinham decididos ser fiéis às leis de Deus antes de serem confrontados com as gentilezas do rei, e assim não hesitaram em manter as suas convicções. Encontraremos problemas se não tivermos decidido previamente o caminho a seguir. Antes de surgirem tais situações, determine os seus compromissos e o que irá fazer. Daí, quando a tentação chegar, você estará pronto para dizer “não”.

Os babilônios tentavam mudar: o modo de pensar destes jovens, dando-lhes uma educação babilônica; a sua fidelidade, dando-lhes um novo nome; e seu estilo de vida, através de uma nova dieta. Daniel não se comprometeu, e encontrou uma maneira de viver de acordo com os padrões de Deus em uma cultura que na honrava a Deus. Sabiamente, escolheu negociar ao invés de rebelar-se e seguiu uma dieta experimental por dez dias à base de legumes e água, em lugar da comida e do vinho oferecidos pelo rei. Como parte do povo de Deus, podemos nos adaptar a nossa cultura, contanto que não comprometamos as leis de Deus.

Como os cativos sobreviveram em uma cultura estrangeira? Eles aprenderam à cultura local, atingiram a excelência no trabalho que realizavam, serviram as pessoas, oraram pedindo a ajuda de Deus e mantiveram sua integridade. Podemos nos sentir estrangeiros sempre que experimentamos mudanças. As culturas estranhas podem ser um novo trabalho, uma nova escola ou uma nova vizinhança. Usar estes princípios irá nos ajudar na adaptação de novas circunstancias sem que abandonemos a Deus.

Daniel foi um dos primeiros cativos levados à Babilônia, e viveu para ver os primeiros exilados retornarem a Jerusalém, em 538 a.C. Durante esse tempo, Daniel honrou a Deus, e Deus o honrou. Enquanto serviu como conselheiro do rei da Babilônia, ele foi o porta-voz de Deus para o Império Babilônico. Esta nação má poderia ter sido pior não fosse a influência de Daniel.

Você mantém tão firmemente sua fé em Deus que, não importa o que aconteça, fará o que Deus lhe disser? Tal convicção o mantém uma passo à frente da tentação e lhe dará sabedoria e estabilidade diante das mudanças. Em oração, viva as suas convicções no dia-a-dia e confie em Deus quanto aos resultados.


Por Filadélfia

Referência: Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Tradução do Texto Bíblico: Sociedade Bíblica do Brasil
Notas e Comentários: Casa Publicadora das Assembléias de Deus



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