| em 18 julho 2011

Doação de leite materno: Mais que uma obrigação, um gesto de amor

Foto: Samara Felippo, atriz
Para você é leite. Para criança é vida.

Bancos de leite humano de todo o país sofrem coma a falta de doadoras. Desinformação é a principal barreira para que as mães brasileiras ajudem a salvar milhares de prematuros


Boa parte da população desconhece o problema, mas o País vive uma crise de leite: aos poucos, o número de doadoras de leite materno, usado para alimentar bebês prematuros vem diminuindo. O Brasil conta hoje com 202 bancos de armazenamento e distribuição e 99 postos de coleta espalhados por todas as regiões do País. Enquanto que entre 2003 2 2009 o número de doadoras cresceu mais de 160% (de 60.441 para 157.278), no ano passado os bancos começaram a sentir uma queda nas doações. Ainda que a diferença entre 2009 2 2010 pareça pequena – 3% menos voluntárias – os 4.121 litros de leite que deixaram de ser coletados fizeram muita falta na recuperação dos milhares de bebês prematuros que nasceram. Segundo os dados mais recentes do IBGE, em 2006 nasceram 194,7 mil prematuros, ou seja, 6,7% do total de nascidos vivos.

“Antigamente a gente sentia uma diminuição somente no período de férias escolares e no carnaval. Nessas épocas, nosso estoque fica muito baixo mesmo, chegando a cair pela metade o volume de leite. Nos demais meses, porém, a situação voltava ao normal, mas faz um tempo que estamos notando uma queda sustentada em todos os meses”, aponta a pediatra Isa Yoshikawa, membro da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (Rede BLH).

De acordo com a pediatra e membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, Maria Beatriz Nascimento, a captação de doadoras é o grande desafio. “A participação das mães dos bebês internados é insuficiente para atender à demanda das unidades neonatais. Há necessidade de maior informação das gestantes e da comunidade sobre a importância e possibilidade de doação de leite. Toda “mulher saudável, que esteja amamentando seu filho e que tenha excesso de leite, pode ser uma doadora”, avalia.

Para a enfermeira Renata Oliveira Giesta, da Maternidade Paulista, outra barreira é o medo que algumas mulheres têm de que, com a doação, ela possa ficar sem leite para seu bebê. “Esse tipo de temor é totalmente infundado. Na verdade quanto mais leite a mulher retira, maior será a produção”, garante.

Denise de Jesus, de 25 anos, deu à luz recentemente. Seu bebê nasceu saudável, dentro do peso e consegue se alimentar do peito. Foi ser convidada por uma enfermeira para conhecer o banco de leite que ela decidiu de forma voluntária fazer doações. “Graças a Deus meu bebê nasceu com muita saúde e eu tenho com muito leite. Não faço mais do que a minha obrigação ao ajudar outros bebês e mães que não tiveram a mesma sorte”.

Os bancos de leite têm como missão diminuir os índices de mortalidade infantil e melhorar a qualidade de vida dos recém-nascidos em casos em que a própria mãe não pode amamentar. Quando não há leite humano para todos os internados, os mais debilitados recebem o alimento e os demais, ima fórmula artificial. “O leite materno é o ideal. Há bebês que não aceitam a fórmula e desenvolvem alergias”, diz a nutricionista Ana Márcia Gomes.

Além de coletar e oferecer o leite doado, os bancos ainda prestam orientação às mulheres que têm dúvidas com respeito ao aleitamento. Foi com esse objetivo que Priscila Andrade de Oliveira, de 28 anos, mãe de Gabriela de apenas 17 dias, procurou o banco de leite da Maternidade de Barros, em São Paulo. “Minha filha mamava, mamava, mas parou de ganhar peso. Alguns parentes disseram que meu leite era fraco. Por isso resolvi buscar orientação”, conta. Ela aproveitou para aprender a retirar o leite e estar apta a fazer futuras doações. “Agora já sei como fazer. Vou tentar tirar em casa o excedente e doar”, diz.

É possível fazer a coleta em casa, sempre tomando os devidos cuidados. “Somente vontade de ajudar não adianta. A mulher precisa retirar o leite corretamente para que ele esteja em condições de servir de alimento para um bebê debilitado. Já chegamos a receber frascos com formigas ou cabelo. Esse leite acaba no lixo. É um desperdício”, lamenta Ana Márcia. No banco, o leite passa por um rigoroso controle de bactérias e vírus.


Quem pode doar?

Mulheres saudáveis, que não fumem, não bebam ou não estejam tomando medicamentos.


Como doar?

A mulher deve procurar a unidade de saúde mais próxima de sua casa e se informar onde existe um banco de leite. Alguns têm sistema de coleta em casa.


Quem recebe?

O leite estocado nos bancos vai para recém-nascidos prematuros ou doentes, internados em unidades de cuidados neonatais em todo o País.


Vantagens para a mãe e o bebê

Crianças que mamam têm menos riscos de sofrer de doenças respiratórias, infecções urinárias ou diarréias, problemas que podem levar a internação e até a morte. A mulher que amamenta corre menos risco de contrair câncer de mama e ovário. Amamentar também ajuda a mulher a voltar ao peso normal mais rápido.


COMO PROCEDER PARA TIRAR O LEITE EM CASA

1) Higiene pessoal antes de iniciar a coleta

• Lave as mãos e os braços até o cotovelo com bastante água e sabão e as mamas apenas com água. Utilize uma toalha limpa para secá-las.


2) Preparo do Frasco

• Lave um frasco com tampa de plástico (maionese, por exemplo), retirando rótulo e o papel de dentro da tampa. Coloque o frasco e a tampa em uma panela, cobrindo-os com água e ferva por 15 minutos. Escorra sobre um pano limpo até secar e feche o frasco sem tocar com a mão na parte interna da tampa.


3) Como retirar o leite

a) Massageie as mamas com a ponta dos dedos, partindo das aréolas (parte escura)

b) Com o polegar acima da aréola e o indicador abaixo, firme os dedos e pressione até sair o leite

c) Pressione e solte. A ação não deve doer. O leite pode demorar um pouco para sair, não desista

d) Despreze os primeiros jatos ou gotas

e) Abra o frasco, aproxime-o da mama e colha o leite

f) Mude a posição dos dedos ao redor da aréola para esvaziar todas as áreas

g) Alterne a mama quando o fluxo de leite diminuir e repita a massagem e o ciclo várias vezes

h) Lembre que este processo leva cerca de 30 minutos em cada mama, especialmente nos primeiros dias


Se você quer doar seu leite entre em contato com um Banco de Leite Humano.
Clique aqui e encontre o mais próximo de você.


por Raquel Maldonado
Raquel.maldonado@folhauniversal.com.br

Fonte do artigo: Jornal Folha Universal em 17 de julho de 2011



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