| em 06 julho 2011

Esquizofrenia: Assistência da família é fundamental

Esse transtorno, cuja causa permanece desconhecida, ocorre de forma crônica. Mas hoje existem remédios modernos que permitem ao paciente ter uma vida mais estável.


No filme Cisne Negro, a atriz Natalie Portman interpreta uma bailarina que tem dificuldades em diferenciar o que é ou não real. Essa incapacidade de distinguir a realidade do imaginário é um dos sintomas que caracterizam, e muitas vezes até incapacitam, os portadores deste transtorno mental crônico e severo. Indivíduos com esquizofrenia podem ouvir vozes que ninguém mais ouve acreditar que outras pessoas estão lendo seus pensamentos e controlando suas mentes ou conspirando para prejudicá-los. Eles podem ficar extremamente agitados ou catatônicos, dependendo da crise. Isso faz com que as famílias e a sociedade que convive com eles também sejam afetadas, já que dificilmente conseguem se fixar em um emprego ou se cuidar sozinhos, exigindo auxílio constante. Os tratamentos ajudam a aliviar muitos dos sintomas, mais a maioria das pessoas quem tem o distúrbio precisa lidar com a doença para sempre. No entanto, muitas conseguem ter vidas gratificantes e significativas em suas comunidades. A boa notícia é pesquisadores estão desenvolvendo medicamentos cada vez mais eficazes, assim como ferramentas novas para entender as causas da esquizofrenia, o que poderá ajudar a prevenir e tratar melhor a doença no futuro.


Quem tem parentes de primeiro grau com esquizofrenia apresenta mais chances de desenvolver a doença

Embora a causa exata ainda seja desconhecida, cientistas sabem que, enquanto a doença afeta 1% da população em geral, ela ocorre em 10% das pessoas que têm um parente de primeiro grau com o transtorno (pai, mãe, irmão, irmã). Estudos indicam que vários genes estão associados a um risco elevado de esquizofrenia, mas que nenhum é unicamente causador da doença. Acredita-se que uma interação entre genes e ambiente, como problemas durante o parto, é necessária para o desenvolvimento da esquizofrenia. Cientistas também apontam alterações estruturais e químicas do cérebro, como um desequilíbrio nos neurotransmissores e mudanças em células, como um importante papel na esquizofrenia.

• Sintomas surgem entre 16 e 30 anos

A esquizofrenia afeta homens e mulheres igualmente. Os homens tendem a manifestar os primeiros sinais da doença um pouco mais cedo do que as mulheres, mas os sintomas começam geralmente entre idades de 16 e 30 anos. Os sintomas são divididos em três categorias: positivos, negativos e cognitivos. Os sintomas positivos são comportamentos psicóticos nos quais o indivíduo perde a conexão com a realidade. Eles incluem alucinações (visões e vozes que só ele vê ou ouve), delírios (como acreditar que é uma pessoa famosa), desordens de pensamento (dificuldade para organizar seu raciocínio ou falar) e desordens de movimento (agitação ou catatonia). Os sintomas negativos caracterizam-se por uma ruptura com as emoções e atividades cotidianas. Facilmente confundidos com depressão, incluem falta de prazer nas atividades diárias e pouca ou nenhuma expressão verbal. Já os sintomas cognitivos são mais sutis e difíceis de reconhecer e podem se manifestar como dificuldades em entender informações e problemas de memória.


A disfunção sócio-ocupacional é uma das mais graves conseqüências do transtorno

• Evolução ou prognóstico variam

Existem pessoas que tem apenas uma crise, permitindo que levem uma vida normal e com poucos sintomas interferindo em suas atividades diárias. Há outras que passam por crises recorrentes, tornando-as dependentes de auxílio constante. No entanto, a grande maioria sofrerá cronicamente com esquizofrenia, alternando entre surtos de maior e menor intensidade. O maior problema reside, contudo, na disfunção sócio-ocupacional, que é a dificuldade de manter um emprego, ter relações interpessoais ou cuidar da própria higiene. Ela é causada pela dificuldade da pessoa lidar com a doença, juntamente com os efeitos da medicação. A compilação mais séria da esquizofrenia é o suicídio, associado ou não ao consumo de drogas e álcool. Como as causas do transtorno são praticamente desconhecidas e não existe um exame para detectá-la, chegar a um diagnóstico torna-se igualmente complicado. Médico faz uma detalhada entrevista com o paciente e sua família para obter um histórico de sua vida e de seus sintomas. Ele tenta também classificar o paciente em um dos vários subtipos da doença, como paranoide, no qual predominam delírios e alucinações.

O tratamento da esquizofrenia, predominantemente medicamentoso, é feito com remédios antipsicóticos. Eles incluem duas categorias: os antipsicóticos típicos, disponíveis desde os anos 50, como clorpromazina e haloperidol, e os modernos, de segunda geração, chamados atípicos, que incluem risperidona e olanzapina. Alguns pacientes param de tomar a medicação subitamente, quando sentem uma melhora ou até por acreditarem que eles não são mais necessários. Mas nunca se deve fazer isso antes de uma conversa com o médico que, caso concorde, retirará a medicação gradualmente. Tratamentos psicossociais aliados à medicação, como psicoterapia e apoio e orientação familiar, também podem ajudar o indivíduo a lidar melhor com os desafios diários da doença.

• Esquizofrênicos fumam mais

Indivíduos com esquizofrenia têm uma probabilidade muito maior de usar drogas e álcool do que a população em geral. Essas substâncias podem tornar o tratamento menos eficaz, além de piorar os sintomas. Mas a nicotina é a substância mais abusada. A taxa de esquizofrênicos viciados em cigarro é três vezes à da população em geral (75% a 90% em esquizofrênicos contra 25% a 30% na população em geral). Pesquisadores estão estudando se existe uma base biológica para explicar por que pessoas com essa doença têm uma propensão tão maior ao fumo, que, além dos prejuízos à saúde, pode tornar os antipsicóticos menos eficazes.


A família tem um papel crucial para ajudar o doente a aceitar sua doença e a se tratar corretamente

• Assistência da família é fundamental

Embora o tratamento seja indispensável e dure de dois anos à vida inteira, muitos esquizofrênicos resistem a se tratar. Isso acontece por vários motivos: muitos acreditam que seus delírios ou alucinações são reais, não aceitando que estão doentes e negando, assim, a medicação, enquanto outros têm um pensamento tão desorganizado que se esquecem de tomar o remédio. A assistência da família torna-se, portanto, fundamental. É vital que parentes ajudem o paciente a entender que, mesmo que ele não aceite estar doente, e apesar dos efeitos colaterais, a medicação terá um efeito positivo. Eles podem estabelecer uma rotina para a tomada da medicação e precisam entender, acima de tudo, que tomá-la corretamente é quase sempre uma longa negociação, que requer muita paciência de todas as pessoas envolvidas.


Outros transtornos mentais confundidos com esquizofrenia

1) Depressivo

Os transtornos depressivos caracterizam-se por sintomas que interferem na capacidade de trabalhar, estudar e sentir prazer em atividades antes gratificantes. Eles incluem pessimismo, fadiga, alterações de sono e de apetite e pensamentos de suicídio, entre outros. Os principais são:

• Depressão maior
• Distimia
• Transtorno bipolar

2) De ansiedade

Os transtornos de ansiedade incluem sintomas como ansiedade geral excessiva e medo irracional em situações cotidianas, como interagir com outras pessoas ou falar em público, por exemplo. Os principais transtornos de ansiedade são:

• Transtorno obsessivo-compulsivo
• Síndrome do pânico
• Estresse pós-traumático
• Fobia social

3) De personalidade

Pessoas com esses transtornos têm traços emocionais ou comportamentos inflexíveis. Os principais são:

• Transtorno de personalidade paranoide
• Transtorno de personalidade borderline
• Transtorno de personalidade narcisista
• Transtorno de personalidade antissocial (psicopatia)
• Transtorno de personalidade dependente

por Filadélfia

Fonte: Revista ProTeste – Ano X – Nº 102 - www.proteste.org.br



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