| em 12 agosto 2011

Enxaqueca: Muito mais que uma simples dor

Embora a enxaqueca não ofereça risco de morte, ela pode arruinar a qualidade de vida e acarretar sérios problemas no cotidiano familiar, profissional e social do paciente.


Conheça os sintomas, os tratamentos e os cuidados que você deve ter se sofre deste problema, que pode ser hereditário e tem cura.

Para quem sofre de enxaqueca, o problema geralmente é sinônimo de uma dor sem fim. Para a ciência, a doença nada mais é que um desequilíbrio químico no cérebro, envolvendo hormônios e peptídeos. Apesar de não escolher idade, período da vida (gestantes e crianças não estão livres do problema) ou mesmo o tempo de duração (que pode ser três horas ou três dias), a enxaqueca tem cura – desde que você leve o tratamento a sério e tenha disciplina.

A doença pode ser influenciada pela vida e pelos hábitos do paciente e também por aspectos neuroquímicos e hormonais. A predisposição genética também é um fator decisivo: entre as pessoas afetadas pela enxaqueca, cerca de 80% a 90% herdou o problema de seus familiares. O mecanismo fisiológico que a provoca é alvo de discussões. Ao mesmo tempo em que estudos demonstram que a dor pode estar ligada aos neurotransmissores, alguns médicos acreditam que o problema tem relação com os vasos sanguíneos cerebrais. Nesse caso, a diminuição do diâmetro das veias provocaria uma redução do fluxo de sangue, a dilatação das veias e conseqüentemente, a dor.

Durante uma crise, ocorre a dilatação das artérias extracranianas (ramos da carótida externa), que provocam uma inflamação neurogênica e a sensação de dor. Outros incômodos sentidos pelos pacientes são náuseas, fotofobia, fonofobia e/ou osmofobia, provocados pelo aumento da temperatura em determinadas áreas do cérebro. O organismo, por sua vez libera substâncias – como a serotonina, bradicinima, histamina e prostaglandinas – que ajudam a reduzir o desconforto.



Estima-se que 12% da população mundial sofram com o problema – e as mulheres são as mais afetadas

Identifique os sintomas

Apesar de não existirem exames específicos para identificar a enxaqueca, os médicos conseguem fazer o diagnóstico ao avaliar o histórico do paciente. Os sintomas da enxaqueca variam em função da zona do cérebro que é afetada e podem ir muito além da clássica dor de cabeça. Você também pode sentir incômodo na região dos dentes, dos seios da face e da nuca. Além da dor, os outros sintomas são náuseas (enjôo), vômitos, aversão à claridade, ao barulho e aos cheiros, hipersensibilidade do couro cabeludo, visão embaçada, irritabilidade, variações de humor, ansiedade, depressão (mesmo fora das crises) e lacrimejamento.

A dor varia de acordo com cada pessoa e existe até quem não sinta dor. Porém, esse é o sintoma mais conhecido e sua intensidade, apesar de variável, vai de moderada a severa na maioria dos casos. Ela pode ser latejante (pulsátil), em peso, ou uma sensação de “pressão para fora”, como se a cabeça fosse explodir. A freqüência também é variável: você pode sentir apenas uma vez na vida, uma vez por dia e até mesmo várias vezes ao dia. A localização varia de crise para crise (e também de pessoa para pessoa), e raramente dói no mesmo lugar.

Se você apresentar sintomas não relacionados à enxaqueca, serão necessários outros testes para verificar as causas da dor de cabeça. E fique atento: se as dores de cabeça se alterarem repentinamente quanto à intensidade e aos sintomas, pode ser sinal de algum problemas mais grave como meningite, trombose ou mesmo hemorragia cerebral.

Evite a automedicação

No Brasil, a incidência anormal de casos de enxaqueca pode ser fruto da automedicação indiscriminada. Por ser uma doença progressiva, é recomendável jamais tomar analgésicos mais de duas vezes por semana; caso contrário, a dor de cabeça aumenta e se torna diária, e o remédio pode, com o passar do tempo, fazer o efeito contrário, provocando a dor (efeito rebound). Quem toma diariamente um analgésico (mesmo que em doses pequenas), pode ficar mais vulnerável à enxaqueca do que quem toma uma única dose mais forte uma vez por semana. Se você toma analgésicos (ou medicamentos para enxaqueca) mais de duas vezes por semana, deve procurar um médico e verificar a possibilidade de interromper ou trocar de medicação.


O que você come também conta

O estresse e má qualidade do sono são dois fatores que podem desencadear uma crise. Luzes muito fortes, cheiros intensos, sons muito altos e a exposição ao fumo também devem ser evitados. Mas o que muita gente nem imagina é que alguns alimentos podem desencadear uma crise. Na “lista negra” da enxaqueca estão os queijos, a cerveja, o vinho, o café, o chá, os refrigerantes à base de cola, o chocolate, os doces em geral, os adoçantes, os cremes, os cítricos, a banana, as nozes, os glutamatos e outros aditivos alimentares, as conservas e os alimentos embutidos. Até mesmo um inocente sorvete, num dia de calor, pode fazer mal, devido ao choque térmico que pode causar.

A enxaqueca é classificada em dois tipos: com aura e sem aura. A aura é um conjunto de sintomas que antecedem a dor de cabeça que (em geral) acompanha a enxaqueca – ou seja, uma espécie de “aviso” que o organismo emite. O desconforto dura, na maioria dos casos, entre cinco a 20 minutos e pode provocar visão embaçada ou dupla, escurecimento da visão (cegueira parcial) de um ou de ambos os olhos, diminuição da força muscular em um dos lados do corpo, formigamentos, tonturas, diarréia e a sensação de estar vendo pontos brilhantes.

Se você tem mais de dois ataques duradouros por mês, pode investir em um tratamento preventivo. Entretanto, você precisa ter disciplina, uma vez que as inúmeras substancias empregadas nesse tipo de tratamento só fazem efeito após 50 dias. O tratamento de uma crise, por sua vez, deve ser feito logo após os primeiros sinais, sempre com a menor dose de remédios possível. Na fase aguda, repouso, analgésicos ou anti-inflamatórios ajudam a aliviar os sintomas. Nos casos mais graves, geralmente é prescrito o uso de remédios derivados do sumatriptano e da ergotamina (que pode causar inúmeros efeitos colaterais e, com o tempo, provocar dependência, dores de cabeça espontâneas e contrações vasculares no coração).

Algumas pessoas preferem terapias alternativas para amenizar a intensidade das crises, como acupuntura, shiatsu e quiropraxia. Entretanto, a PROTESTE aconselha que você faça o tratamento médico tradicional e investe nesses outros métodos como forma complementar.

Se você tem enxaqueca, procure adotar um estilo de vida saudável, com horários para as refeições e para o descanso. E se fuma, tente largar o vício.


Fonte: Revista ProTeste – Ano IX – Nº 95
www.proteste.org.br

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