| em 10 novembro 2011

Professor repelente X professor atraente

Sua postura antes, durante e depois da aula define a que grupo você pertence

A Educação Cristã é um departamento que enfrenta tempos difíceis. Isso porque educar tem se tornado a mais complicada tarefa para o ser humano. Com o passar dos anos, os nossos alunos vêm adquirindo comportamentos que deixam os educadores preocupados e até com muitas dificuldades para realizar sua função.

Hoje, ensinar adolescentes tem sido um desafio para grandes mestres e professores de vasta experiência na área. Mesmo assim, o resultado não tem sido satisfatório. O maior obstáculo enfrentado por todos os ensinadores é descobrir os anseios, desejos e problemas da adolescência, alcançando a mente e o pensamento desse grupo.

A indisciplina dos nossos alunos adolescentes tem deixado muitos professores sem vontade de ensinar, desestimulados e enfraquecidos na sua prática. Dizer que esses problemas não acontecem na nossa querida Escola Dominical seria negar uma verdade tão evidente. É certo que na área secular os problemas são maiores e mais complexos, mas precisamos estar alerta com relação às dificuldades já enfrentadas no ensino da Palavra de Deus, principalmente nas classes de crianças e adolescentes.

Neste artigo, gostaria de destacar, entre os diversos tipos de professores de adolescentes, os dois mais notados entre os docentes da Escola Dominical: O Professor Repelente, que tem uma prática reprovada e sem sucessos; e o Professor Atraente, que, por sua vez, é dinâmico tendo uma prática exemplar.

Para compreendermos melhor esse tema e refletirmos juntos, vamos estabelecer um paralelo entre os dois tipos de professores acima mencionados.

Professor repelente

Não gosta dos alunos – o professor repelente não demonstra interesse em conhecer o seu aluno, não permitindo aproximação. Parece não apreciar as atitudes e maneiras de ser dos adolescentes. Não permite diálogo com a classe e mostra-se sempre distante deles, assumindo uma atitude crítica, não proporcionando a oportunidade de ajudá-los a ter desejo e gosto pelo aprendizado. Um professor com essas características não consegue cativar a classe e acaba imprimindo nos seus alunos muito desinteresse para as próximas aulas.

Vive desatualizado – ele é descomprometido com a atualidade. Não lê jornais, revistas ou livros atuais; não busca novas notícias e não proporciona oportunidade de discutir com os alunos sobre os acontecimentos de sua época.

Além disso, vive sem noção do tempo, espaço e informações. Agir assim é demonstrar-se incapaz de ensinar, é permanecer despreparado para desenvolver qualquer habilidade na área do ensino da Palavra de Deus. Afinal, ele não estuda a própria Bíblia.

Permite indisciplina – sua maneira de ser gera alunos indisciplinados, pois o próprio professor contribui para isso. Ele acaba transformando sua autoridade e domínio de conteúdo e classe em desorganização e desrespeito. A indisciplina deixa a aula sem objetivos e propósitos, reduzindo as chances de o aluno aprender e atrapalhando o processo ensino-aprendizagem. Quando tolera a indisciplina em sua aula, o professor incentiva o desrespeito e estraga o relacionamento professor/aluno, levando também à desorganização das etapas do planejamento e do desenvolvimento das atividades necessárias àquela aula.

Não planeja aulas – o professor que não se prepara para dar aula está desrespeitando seus alunos. E podemos considerá-lo sem vocação para tal ofício. Sem o preparo adequado da aula semanal, é impossível haver ensino e, consequentemente, aprendizagem e mudança de vida e comportamento, o que deveria ser o alvo de todo professor de ensino das Escrituras. Essa maneira de ser do docente deixa o adolescente sem vontade de voltar na próxima aula.

Não utiliza recursos didáticos – trabalhar com adolescentes exige obrigatoriamente o uso de recursos didáticos. Os jovens gostam de criatividade, surpresa, movimento e dinamismo. Já o professor repelente não sabe motivar sua classe de Escola Dominical, pois geralmente não apresenta nenhuma novidade. Ele não usa dinâmicas ou qualquer atrativo para mudar o estilo de sua monótona aula. Na maioria dos domingos, apenas lê a lição, tornando a aula muito cansativa. Um professor assim, sem estratégias e recursos, deixa seus alunos apáticos e dispersos durante a aula.

Professor atraente

Conhece e gosta dos alunos – os adolescentes apreciam uma boa conversa. A comunicação com colegas de sua idade é algo fundamental para torná-los preparados para participar e aprender. O professor atraente conhece seus alunos e chama-os pelos nomes. Sabe as necessidades deles e procura conversar e dar atenção a cada um, o que é imprescindível no processo ensino-aprendizagem.

Ele gosta dos alunos como eles são, com as dificuldades, jeito de falar, escrever ou se vestir; convive com as diferenças deles. Esse tipo de postura favorece o diálogo com a classe e possibilita conscientizá-los a mudar de atitudes. Gostar deles é fundamental para envolvê-los nas atividades da aula e obter sucesso pedagógico.

Planeja positivamente aulas – planejar com prazer as aulas é garantia de que sabe o que vai ensinar. O professor atraente prepara as lições com amor, a fim de conseguir a participação de todos no desenvolvimento das atividades. Ninguém pode ensinar o que não sabe. Por isso a preparação do professor envolve estudo minucioso. Fazer com que todos aprendam deve ser seu permanente objetivo. Assim o professor, além de estudar, busca aperfeiçoar seu trabalho; procura estar sempre atualizado por meio de leituras e pesquisas; tem domínio do conteúdo; sabe ouvir as dúvidas, sugestões e críticas reconhecendo o que há de bom em seus alunos; e busca diversificar e estimular suas aulas, transformando teoria em prática e estabelecendo uma boa liderança como um professor competente. Tudo isso é fundamental para elaborar e desenvolver um planejamento adequado.

Procura surpreender e cativar os alunos – adolescentes gostam de novidades, surpresas e atividades diferentes que tragam algo novo e divertido. O professor atraente procura renovar seus métodos saindo da mesmice e da rotina, trazendo para aula uma nova dinâmica, uma pesquisa, um joguinho bíblico ou um simples objeto que tenha relação com a aula ou apenas um cartãozinho de boas vindas ou agradecimento pela presença naquele domingo. Dessa forma, os nossos adolescentes ficam ansiosos para voltar na próxima aula e participar das atividades com prazer e vontade de aprender. Assim, como todo bom educador, os professores de adolescentes da Escola Dominical precisam sempre surpreender e cativar seus alunos.

Utiliza recursos didáticos – O professor atraente utiliza vários recursos que podem ir de uma simples conversa ao uso diversificado da tecnologia para ilustrar sua aula, como vídeos, CD, DVD, pesquisas na internet, livros, revistas, jornais, fotos, figuras, etc. São pequenas técnicas de um professor criativo que desenvolvem no aluno o gosto de aprender e têm um valor extraordinário no processo de ensino. Para que eles aprendam, o mais importante não é utilizar grandes e sofisticados recursos, mas desenvolver atitudes de comunicação. Esses detalhes, às vezes, interferem grandemente na participação da turma e no alcance dos objetivos da aula. Adolescentes gostam de ler, pesquisar, falar, escrever, responder, discutir e argumentar. Portanto, o professor precisa trabalhar as aptidões que eles já têm e abrir oportunidades para que desenvolvam outras habilidades necessárias à vida cristã. Ajudá-los a adquirir bons hábitos e boas atitudes nessa fase é fundamental para o crescimento espiritual e a aprendizagem da Palavra de Deus. Usando o equilíbrio entre planejamento flexível, criatividade e organização, o professor terá como adaptar cada situação, aceitando os imprevistos e gerenciando o inesperado, se por acaso surgir.

Avalia para ensinar melhor – O professor atraente leva os adolescentes a aprender percebendo o próprio desenvolvimento, um processo que pode ser feito pela avaliação coletiva e a autoavaliação. Professor e aluno juntos, numa parceria de respeito e mútua ajuda, obtêm melhores resultados na aprendizagem. Jamais poderemos melhorar o processo de ensino da Palavra de Deus na Escola Dominical se não descobrir em que aspecto estamos falhando mais. E isso é feito na autoavaliação do desempenho do educador: suas atitudes em classe, a maneira de falar, o relacionamento com os adolescentes, as atividades desenvolvidas e a avaliação no final de cada aula e trimestre. É aqui que o professor descobre que não é o “senhor sabe-tudo”, mas é aquele que, com esforços, busca conhecimentos, aprende e se prepara para ensinar. É criando estratégias diversificas de avaliação para vários momentos da aula que o professor consegue melhorar o ensino.

Querido professor, refletir sobre a atitude e o desempenho de sua função no magistério cristão só lhe trará o bem. Não é em vão que os nossos mais renomados mestres sempre estão lendo e nos sugerindo bons livros nesta área que podem aprimorar nossos conhecimentos e nos capacitar cada vez mais para esse ofício tão árduo. Em que perfil você se encaixa: Professor Repelente ou Professor Atraente? Você sabe que ensinar para adolescentes na Escola Dominical é uma tarefa que requer compromisso e responsabilidade.

É tempo de analisar o que você está fazendo e como está conduzindo para o Céu os adolescentes sob sua responsabilidade. Saber como está contribuindo para que eles se tornem jovens convictos da salvação em Cristo Jesus é tarefa altamente gratificante. A maior recompensa desse trabalho é descobrir no futuro que nossos alunos tornaram-se grandes homens e mulheres usados por Deus, com uma vida cristã equilibrada, verdadeiros cristãos e mestres na Palavra de Deus. Isso é muito compensador!


Dicas para se tornar um professor atraente

- É necessário conhecer e amar os alunos, zelar por suas vidas espirituais, ajudá-los a louvar a Deus e adotar uma vida cristã equilibrada;

- É necessário fazer com que o aluno descubra verdades por meio do próprio testemunho; é preciso motivar o aluno a pensar, a aprender com gosto e a trabalhar com amor, entre outras.


Alderi Ribeiro de Moura Cruz, professora licenciada em Letras, pós-graduada em Gestão e Cordenação Pedagógica e coordenadora geral de Educação Cristã da AD em Rio Branco (AC).

Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 12 - Nº 47 - CPAD
http://www.cpad.com.br



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