| em 03 fevereiro 2012

Quando os filhos sofrem preconceito

Como agir quando eles se envolvem com alguém de diferente cor, religião ou origem social

Foto: Reprodução
Um dos principais motivos do sucesso das novelas é retratar conflitos que acontecem na vida real. Quem não se lembra da história do casal Júlia e Evilásio interpretado pelos atores Débora Falabella e Lázaro Ramos na novela Duas Caras. Ela ilustra um problema muito comum: o preconceito dos pais em relação aos amigos ou namorados dos filhos. Entenda por que esse problema acontece e como as famílias devem lidar com ele, segundo os especialistas.


Medo do diferente

Na novela, Evilásio, negro e pobre, é discriminado pelo pai de sua namorada, que é rica e branca. Na vida real, os preconceitos mais comuns envolvem cor, origem social e religião. Segundo a psicoterapeuta gaúcha Iara Camaratta Anton, o preconceito ocorre por fraqueza do ser humano. "Na tentativa inconsciente de sobrevivência e desenvolvimento, os grupos vão repassando modelos de conduta, crenças e valores, e acabam criando um fortalecimento interno que os impedem de enxergar o que acontece fora dali", explica.


Rebeldia adolescente

Muitos adolescentes buscam amigos ou namorados diferentes do padrão idealizado pelos pais justamente para chocá-los. Esse comportamento, segundo os especialistas, costuma fazer parte do processo de amadurecimento. “O filho que nunca se rebelou agora terá de enfrentar os obstáculos que vêm pela frente. E o conflito é um aprendizado”, afirma o psicólogo Ildo Rosa da Fonseca, de São Paulo. Já os pais sofrem porque ainda mantem idealizações antiquadas. “O ideal é ter em mente que nem sempre o que planejamos para a vida dos nossos filhos irá acontecer. Os jovens têm suas próprias ideias, suas manias, criam novos costumes e cabe aos pais respeitar essas atitudes”, completa Fonseca. O respeito deve prevalecer a todo custo quando as famílias receberem em casa pessoas de etnia, origem social ou crenças diferentes. Afinal, ninguém é obrigado a gostar do outro, mas respeitar sim.


Três situações comuns

Especialistas mostram como vencer esse conflito em diferentes situações:

1) “Não aceito que meu filho namore pessoas de outra religião, raça ou nível social!”

• Essa postura, segundo a psicóloga Iara Anton, demonstra radicalismo. “Quem tenta proibir o namoro por preconceito corre o risco de deixar escapar o próprio filho”, diz a especialista. No futuro, pode-se perder também o contato com os netos e com a futura família que se formará.

- Conselho de especialista:

“Tente abrir a mente e procure enxergar as qualidades do outro.”

2) “Não quero interferir na escolha do meu filho, mesmo que não concorde com ela.”

• Provavelmente, nesta família, o que importa é o bem-estar de todos e a harmonia que deve existir, independentemente dos parceiros dos filhos. Para o psicólogo Ildo Fonseca esse é um modelo a ser seguido. “às vezes, a família não aceita totalmente o namoro, mas guarda aquilo para si e respeita o relacionamento. É um dos grandes desafios para se tornar alguém melhor”, explica o terapeuta.

- Conselho de especialista:

Se você tem preconceito, mas não quer interferir na escolha do seu filho, deve conversar abertamente com ele sobre o assunto.

3) “Meu filho está sendo discriminado pela família da namorada.”

• Prepare-se, pois é bem provável que a sua própria família acabe virando um porto seguro para o casal. Os jovens sabem que é no seu lar que receberão força e serão entendidos. O ideal é manter a serenidade, a cortesia e tentar entender que os pais da namorada não estão rejeitando seu filho por maldade, mas porque acreditam em valores diferentes.

- Conselho de especialista:

“Envolva-se e tente se aproximar, sutilmente, da família. Se mesmo assim a porta da outra casa estiver sempre fechada para vocês, abra a sua porta para todos. Vale convidar para um jantar ou almoço. Eles podem nem vir, mas perceberão o quanto vocês são solícitos e abertos a conhecer novas culturas”, diz a psicóloga Iara Camaratta.

por Blog Filadélfia

Texto de Patrícia Boccia e Silvia Regina | Revista Ana Maria - Nº 584 [www.revistaanamaria.com.br]



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