| em 31 março 2012

Como lidar com problema conjugal na presença dos filhos

Crianças que presenciam brigas violentas dos pais têm mais dificuldades em se relacionarem. Estas constantes discussões na presença dos filhos podem afetá-los até a vida adulta.


Foto: Shutterstock


Casais sempre brigam, discutem e muitas das vezes até ficam sem se falar por algumas horinhas. Diferentemente de uma briga de namorados, onde o desentendimento se resolve por si só e ninguém se mete. Mas quando são casados e tem filhos, a coisa muda totalmente de figura. Então Segure a onda e evite bate-boca na frente deles.


COMPORTAMENTO DAS CRIANÇAS DIANTE DA RELAÇÃO CONJUGAL DOS PAIS

• Quanto melhor a interação familiar, menos estressante é a relação entre pais e filhos.
• Quanto mais as crianças percebem a desarmonia dos pais, menos regras os adultos colocam e mais elas são consideradas "difíceis" por eles.
• Quanto mais as crianças percebem um clima conjugal negativo, menor o índice de habilidades sociais.
• Quanto mais estressante a vida do casal, mais frequentes as punições físicas em relação às crianças.
• Crianças cujos pais têm uma relação harmônica têm melhores relacionamentos com os amigos.


Por que não é bom discutir na frente dos filhos

Quando o objetivo de uma conversa é agredir o outro e não se entender, é bom os filhos não estarem por perto. E existem três grandes razões para isso. A primeira delas é que crianças menores de cinco anos são egocêntricas. Acreditam que tudo o que acontece tem a ver com elas. "Quando os pais brigam na sua frente, mesmo que não tenha nada a ver com ela, a criança acha que é a culpada. Ela cria uma culpa em seu imaginário e acredita que a desarmonia da casa acontece por sua causa", explica Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo Pompeia, em São Paulo. E isso acontece mesmo com as bem pequenas, que sentem o clima ruim e ficam angustiadas. É preciso mudar a energia do casal para ela ter a sensação de amor e segurança de volta. Para as que já entendem um pouco, é necessário explicações. Quando o assunto não é conversado - ou é mal conversado -, o resultado é uma criança culpada, um verdadeiro estrago em sua autoestima em construção.

O segundo motivo: crianças com menos de 3 anos não entendem o que é ironia. E por que isso é um problema? Porque as discussões raramente começam explosivas. Geralmente são dois adultos conversando, que começam a trocar farpas, com direito até a algumas risadas. Em determinado momento, um dos dois perde a paciência e explode. Do ponto de vista infantil, não há como entender por que duas pessoas que conversam (ela não capta que já estão discutindo) de repente começam a gritar e chorar. Fica a referência de que os diálogos dos pais sempre terminarão em gritos e isso gera o sentimento de instabilidade. Ela começa a desconfiar dos adultos, já que não sabe como eles irão reagir. A criança passa a ter um sentimento de impotência e insegurança. Ama os pais, sabe que precisa deles e, quando assiste às brigas, fica com a sensação de que as relações são muito frágeis. Para piorar, dependendo da idade, ela pode até tentar entrar na discussão e muitas vezes, no calor da raiva, o adulto pede para ela se calar, não vendo que o objetivo é apenas proteger a unidade familiar. Além disso, muitas vezes o filho pensa que deve sair em defesa de um dos pais, o que causa bastante sofrimento.

Por último, é sempre bom lembrar que os pais servem como uma referência. Eles são os tradutores da vida. A criança vai imitá-los, tentando resolver seus problemas com outras crianças também com gritos e choro. Pode acabar repetindo os mesmos padrões de hostilidade em suas relações sociais.


O lado bom das discussões
Discutir nem sempre é brigar. Assistir a uma conversa em que os adultos usam um tom relativamente normal, expõem seus argumentos e trocam ideias para chegar a um acordo pode ser saudável e educativo para a criança. Ela aprenderá como é importante defender suas opiniões, sempre de forma gentil e educada. Também saberá que o pai pode ter uma posição sobre determinado assunto, a mãe outra e ele poderá ter outra ainda. E tudo bem. Com o tempo, vai desenvolver sua capacidade de argumentação, de raciocínio, de crítica e de lógica. E também saberá ser mais tolerante e aceitar o ponto de vista do outro.

Nunca ver uma discussão saudável entre os pais cria um ambiente que não é verdadeiro. A criança não aprende que pode lutar por suas ideias. Não saberá como funciona uma discussão - lembre-se de que ela aprende por imitação. Ou, o que pode ser pior: se um dos pais, para manter a paz familiar, decide simplesmente acatar a opinião do outro sem discutir ou dar vazão aos seus sentimentos, isso também ensina algo que não é legal. A criança corre o risco de fazer o mesmo no futuro, achando que o correto é esconder o que sente para evitar discussões.

Mas atenção! Quando o assunto é a criança, como questões referentes à sua educação ou ao comportamento, jamais o faça na frente dela, mesmo que a forma de discussão seja saudável. "Isso fragiliza o modelo parental. As divergências devem ser sanadas e, posteriormente, deve ser informada aos filhos qual a posição dos pais como uma unidade. Isso faz com que exista uma consistência e passa para a criança a ideia de unidade, segurança", explica Ricardo Halpern, pediatra e presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Se os seus filhos presenciarem uma briga séria, converse com eles depois e peça desculpas.


Como agir quando a discussão é mais violenta
Brigas mais sérias, envolvendo palavrões e até atos de violência, podem acontecer. Nesse caso, a situação merece uma atenção ainda mais especial. "Quando a discussão for muito agressiva, destemperada, com palavrões e às vezes com atos violentos, é importante conversar com a criança num momento mais calmo, explicando que o que aconteceu não é normal, nem natural, nem desejável, mas às vezes acontece. E vale a regra de explicar que ela não precisa se preocupar nem procurar ajudar, pois os adultos vão resolver entre eles", avisa a psicóloga Daniela. Mas realmente aguarde vocês se acalmarem. Em um primeiro momento, apenas a tire da cena, explicando que está tudo bem, que vocês apenas perderam a calma e que mais tarde vocês irão conversar. Durante esse tempo, mantenha-a fazendo algo de que goste. Vale até pedir a ajuda discreta de um amigo ou parente, enquanto os adultos resolvem a situação.



SEIS DICAS DAS TERAPEUTAS PARA NÃO TRAUMATIZAR OS FILHOS

1) Evite ao máximo brigar seriamente na frente dos filhos, especialmente crianças pequenas, que acham isso assustador.

2) Lembre-se de que crianças são sensíveis, observadoras e perceptivas. Elas sentem facilmente tensões, segredos e mal-estar. Como não sabem as causas, podem achar que são culpadas pelos desentendimentos dos pais.

3) Leve em conta que brigar na frente dos filhos não é um bom comportamento; os pais devem ir a outro cômodo ou esperar os filhos dormirem.

4) Se os seus filhos presenciaram uma briga séria, é preciso que eles vejam a resolução da situação. Assim, aprenderão que conflitos são normais e podem ser resolvidos através da comunicação. Deixe claro que as crianças não são culpadas de nada.

5) Se saiu do sério, explique que a falta de controle foi um erro, em um momento de nervosismo, e peça desculpas.

6) Nunca, sob hipótese alguma, inclua os filhos em uma briga. Também não peça que eles tomem partido de um ou de outro, jamais.

Referências: mulher.uol.com.br | bebe.abril.com.br (Daniela da Rocha Paes Peres, psicóloga; Ricardo Halpern, pediatra e Presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria; Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo Pompeia)



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