| em 19 abril 2012

Mais probióticos no seu prato

Conheça melhor esses potentes estimulantes do sistema imunológico, que podem ser consumidos em todas as idades.

No passado, a regra básica da boa alimentação era escolher ingredientes que suprissem as necessidades diárias de nutrientes. Com a evolução da Nutrição, essa prática se aprimorou e, hoje, além de ser nutritiva, a dieta deve ser funcional, isto é, rica em alimentos cujos componentes influenciam determinadas funções orgânicas. O objetivo é garantir o bem-estar físico, mental e, principalmente, reduzir o risco de doenças.


Entre os alimentos funcionais, os probióticos – termo que significa “a favor da vida” – chamam a atenção. Definidos como micro-organismos vivos (bactérias ou fungos), eles equilibram a flora intestinal, potencializando o sistema imunológico.

Suzana Marta Isay Saad, farmacêutica-bioquímica e professora associada da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), diz que a introdução desses micro-organismos nas dietas tem a finalidade de melhorar a saúde. Há anos estudando o uso dos probióticos, a especialista explica que existem vários tipos deles, mas os mais utilizados são os lactobacilos e as bifidobactérias. “Os 56 tipos que pertencem ao primeiro grupo auxiliam na digestão da lactose (açúcar presente no leite), reduzem a constipação e a diarréia infantil e do viajante, previnem a salmonela, aliviando também a síndrome do intestino irritável. As bifidobactérias, com 29 espécies, estimulam o sistema imunológico, a produção de vitamina B, inibem a multiplicação de agentes causadores da doença, reduzem a concentração de amônia e colesterol no sangue, bem como ajudam no restabelecimento da flora, após o uso de antibióticos”.

Mil e uma propriedades

As causas de tantos benefícios são as características desses micro-organismos, hábeis na multiplicação das chamadas bactérias boas em detrimento da proliferação daquelas prejudiciais. A conseqüência para o organismo é o reforço dos mecanismos naturais de defesa. “Quanto maior a resistência gastrintestinal aos agentes causadores de doenças (patógenos), e quanto maior for a redução desses agentes por meio dos compostos antimicrobianos, maior será a promoção da digestão da lactose, o alívio da constipação, a absorção de minerais e também a produção de vitaminas”, explica Suzana.

Diminuir o risco de câncer de cólon e de doenças cardiovasculares são alguns dos resultados de estudos científicos preliminares que justificam o entusiasmo pelos probióticos. Na prevenção do câncer, uma recente pesquisa dirigida por Ingrid Wollowski, publicada pelo The American Journal of Clinical Nutrition, revelou que esses micro-organismos parecem neutralizar as mutações genéticas estimuladas pelos tumores. Outras investigações reconheceram o mérito dos probióticos na melhora da saúde urogenital das mulheres e nos níveis sanguíneos de lipídeos, além do controle da pressão sanguínea.

O notável desempenho dos probióticos já tinha sido descrito pelos gregos no século II a.C. Naquela época, imaginava-se que o consumo de iogurte levava à substituição das bactérias potencialmente patogênicas que vivem no intestino. Mas, segundo Guilherme T. Araújo, médico residente de Nutrologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – Ribeirão Preto, “as ações dos probióticos vão muito além”. Na opinião do nutrólogo, a principal função desses alimentos é diminuir reações alérgicas e doenças inflamatórias intestinais. “Se administrados na época correta, os probióticos podem diminuir o pH intestinal, estimular a produção de antibióticos naturais pelo organismo e melhorar a barreira intestinal, impedindo a passagem de bactérias do intestino para o sangue”, explica Araújo.

Doses diárias

Lacticínios como leites fermentados e iogurtes são as principais fontes desses micro-organismos, mas alguns suplementos nutricionais são com eles enriquecidos. O nutrólogo Gabriel Araújo pondera que é importante ler a bula desses produtos para se certificar sobre a presença de probióticos e, em caso positivo, saber quais deles estão disponíveis. E adverte: “A maioria dos suplementos é enriquecida com probióticos, substâncias que estimulam o crescimento de bactérias potencialmente benéficas ao organismo, um verdadeiro combustível das bactérias boas”.

Para garantir efeitos contínuos no organismo, os probióticos devem ser ingeridos diariamente, recomenda Suzana Saad. “No entanto, as doses benéficas para a saúde devem corresponder a pelo menos 10 milhões de bactérias dos grupos bifidobactérias ou lactobacilos. Contudo, muitos produtos não possuem a dose ou as cepas das bactérias adequadas”, esclarece Luciana Kalluf, nutricionista do Instituto Alpha de Saúde Integral.

Além do iogurte

Produtos derivados da soja têm se revelado veículos apropriados de culturas probióticas. Além desses, outros alimentos têm o mesmo potencial e já estão sendo devidamente estudados: maionese, carnes, patês, extratos de sementes vegetais e peixe.

Apesar do aumento da disponibilidade e do fácil acesso a esses alimentos, Araújo explica que seu consumo não deve ser indiscriminado, pois cada gênero atua de forma distinta. “Um probiótico capaz de prevenir uma doença pode não ser eficiente em prevenir outras. Por isso a orientação nutricional é tão importante nesses casos”.

Da criança ao adulto

Embora os probióticos sejam bactérias ou fungos, eles são seguros e de livre consumo para todas as faixas etárias. “A incidência de reações adversas é muito rara, e até as gestantes podem se beneficiar deles”, revela o nutrólogo.

Estudo dirigido por Emma Marschan, da Universidade de Helsinki (Finlândia) e publicado pelo Journal of the American Dietetic Association, evidenciou que seu consumo nas últimas duas ou quatro semanas da gestação, e ainda no período de aleitamento, diminui o desenvolvimento de alergias nos bebês: a ação é resultado do poder estimulante do sistema imunológico. Esse benefício se estendeu até os 7 anos de idade.

Entre os idosos, o uso contínuo de probióticos garante menos chance de infecções, mas se elas se instalarem, a recuperação é mais rápida.


Probióticos nas prateleiras

YakultLactobacillus casei Shirota: 1 unidade ao dia* 16 bilhões de lactobacilos. Melhora do trânsito intestinal; Alívio dos sintomas de renite aguda; Prevenção de diarreia associada ao uso de antibiótico.

Yakult 40Lactobacillus casei Shirota (para adultos): 1 unidade ao dia* 40 bilhões de lactobacilos. Melhora do trânsito intestinal; Alívio dos sintomas de renite aguda; Prevenção de diarreia associada ao uso de antibiótico.

ActimelLactobacillus caasei defensis: 1 a 3 unidades ao dia* 10 bilhões de lactobacilos. Melhora do trânsito intestinal; Alívio dos sintomas de renite aguda; Prevenção de diarreia associada ao uso de antibiótico.

ActiviaBifidobacterium animallis DN-173: 1 a 3 unidades ao dia* 1 a 10 bilhões de bifidobactérias. Melhora do trânsito intestinal.

ChamytoLactobacillus paracasei: 1 unidade ao dia* Melhora do trânsito intestinal.

* O fabricante da Chamyto não informou a quantidade de probióticos do produto


Por Blog Filadélfia

Texto de Cristina Almeida – revista Viva Saúde | www.revistavivasaude.com.br



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