| em 16 junho 2012

A importância da relação entre o homem e os animais



A interação entre homens e animais é de longa data. Nunca vivemos sem nos relacionarmos com os animais. Eles, assim como nós, herdaram o planeta e coexistem conosco desde sempre.

Infelizmente, nesta relação os animais sempre saíram perdendo, os homens nunca deram muita atenção para a real importância desse relacionamento. Na realidade, o homem sempre achou que a única função dos animais no mundo era servi-lo.

Definitivamente, os animais não existem apenas para nos servir, eles são importantes peças de um quebra cabeças do qual nós também fazemos parte. Coabitamos e coexistimos em um mesmo planeta, juntos formamos o elenco de uma peça espetacular, em que não existem atores principais.

Todos somos elementos com a mesma importância diante da grandiosidade do Criador e a ausência de qualquer uma das peças, gera defeitos na grande máquina planetária.

Entretanto, cabe a nós humanos, na condição de seres pensantes, a responsabilidade de proteger e respeitar as outras formas de vida que convivem conosco. Devemos entender que cada elemento tem seu papel fundamental e que sem o qual haverá um grande desequilibro, que afetará todas as formas de vida.

Exemplos de interações positivas entre homens e animais não faltam: são elementos importantes nas terapias desenvolvidas visando à recuperação de deficientes físicos ou mentais, colaborando na recuperação de pacientes depressivos, participando no resgate de vítimas em incêndios, auxiliando deficientes visuais e auditivos em busca de inclusão ou então salvando vidas em atos heroicos.

Muitos animais sofrem com a crueldade das pessoas. Observamos diariamente o desrespeito aos animais. Baleias são cruelmente massacradas pelo interesse econômico de algumas nações, focas são cruelmente assassinadas em nome da supremacia humana, animais silvestres são retirados de seu habitat natural, onde cumprem um papel importante no ecossistema, para servirem de moedas vivas nas mãos de homens ávidos por dinheiro.

Onde estão a ética e respeito dos seres humanos? Por onde andam a gratidão e a compaixão, sentimentos ditos inerentes da espécie humana?

Texto de Fernanda Aparecida de Gouvêa Oliveira Beco dos Gatos.
Bióloga – CRBio 43684/01 - Protetora animal independente. Educadora Ambiental.


Deus não criou os animais somente para enfeitar o mundo. Pense nisso!

1) Como o convívio com os animais pode beneficiar uma pessoa?

Recentemente um menino com autismo teve sua vida transformada quando a família adotou um gato que havia sido abandonado pelo antigo dono. O animal conseguiu libertá-lo de seu isolamento. Confira!.

Os animais, por sua relação instintiva com os humanos, trazem a tona os afetos mais primitivos e despidos de máscaras, do homem. É como se o homem se entregasse afetivamente quando afaga a cabeça de um cachorro ou quando recebe por parte do papagaio, o direito de lhe fazer cafuné. É um sentimento de excitação e entrega comum às crianças - livre de preconceitos, medos, rituais – é a troca afetiva pura.

A fidelidade, lealdade e entrega do animal também comove e toca o ser humano que vê nestes, exemplos de relações afetivas e troca relacional positiva.

Em consultório, quando há pacientes muito resistentes ao tratamento, ou com dificuldade em lidar com certos afetos, como o luto, a perda, a alegria, a troca, usa-se como técnica, a zooterapia. Por meio do contato com o animal, muitas vezes o paciente vai afrouxando sua rigidez e seus receios, trazendo a tona seus afetos e permitindo a catarse afetiva. Animais são excelentes co-terapeutas, pois agem diretamente pela linguagem instintiva, facilitando a aproximação e a troca afetiva. Por exemplo: certo paciente com quadro diagnóstico de autismo, 6 anos de idade, apresentava muito medo, ficando recolhido nos cantos do consultório. Sua atenção foi despertada quando incluí dois jabutis nas sessões. Estes, quando o garoto se aproximava abruptamente, se escondiam no casco, frustrando-o. Aos poucos, por querer contatar com estes divertidos e medrosos animais, foi observando e aprendendo a se aproximar aos poucos, fazendo com que os jabutis não se escondessem e, finalmente, permitissem que ele lhes acariciasse o casco e as patas. Tal conquista foi marcada pela flexibilidade em sua habitual retração e pela presença de expressões sonoras de prazer e alegria, anteriormente raras. Os jabutis passaram a ser presença de destaque e constante no tratamento deste paciente que, hoje, brinca com cachorros e também monta a cavalo, nas sessões de equoterapia.

Em ambulatórios clínicos infantis e hospitais psiquiátricos, muitas vezes o animal é utilizado como ferramenta clínica, pois facilita a aproximação, a troca, o contato, auxiliando no tratamento e no quadro clínico dos pacientes.

Os filmes da Walt Disney perceberam a importância simbólica do animal em nossa vida e a utilizaram em diversos filmes voltados para o público infantil e adulto. Tais filmes despertam e estimulam diversos afetos na plateia, transformando a experiência cinematográfica em um veículo para expressão afetiva de alegria, tristeza, raiva, amor, entre outras.

2) Para os casais, especificamente, quais seriam os benefícios de ter um animal?

Muitas vezes, casais recorrem a um animal doméstico como um treino para a gestação e criação de um filho. Obviamente, são relações completamente diferentes, mas o animal doméstico também exige cuidados diários, recreação, atenção, brincadeiras. Assim, para muitos casais, o animal funciona como uma divertida prévia, afastando muitas fantasias e receios envolvidos no cuidar de um ser indefeso, menor, dependente.


3) Que tipo de animal seria recomendado, por exemplo, para quem é solteiro e mora sozinho (como companhia)?

Muitos animais, por suas características dinâmicas e de personalidade, atraem pessoas que estão em sintonia com estas características, ou seja, uma pessoa mais introspectiva, racional poderia se dar muito bem com um gato, enquanto uma extrovertida e sentimental preferiria um cachorro. Entretanto, é difícil estabelecer uma regra generalista, podemos citar exemplos, mas estes não vão caber a todos.

Em minha experiência com equoterapia - tratamento por intermédio da montaria de equinos - percebo que a aproximação e vinculação com o cavalo por parte do paciente variam muito de acordo com as características individuais de cada um. Alguns têm medo, outros nojo, alguns demonstram admiração, alegria e tais reações são captadas rapidamente pelo animal, que por sua parte reage a estes. Demora-se algum tempo para estabelecer uma sintonia e vinculação com aquele animal, mas depois de estabelecida, percebemos, como terapeutas, que o cavalo funciona como facilitador de processos, não só no sentido fisioterapêutico, mas principalmente no social e afetivo.

Uma pessoa que mora sozinha e tem um grande quintal, pode sentir-se estimulada a ter vários cachorros ou de repente ter uma criação de coelhos. Há aqueles, considerados excêntricos, que têm cobras, escorpiões e grandes felinos como animais de estimação. Esta característica vai variar de pessoa para pessoa.

O mais comum, por questões econômicas, facilidade de acesso e cuidados gerais, é o cachorro. Nossa sociedade desenvolveu muitos aparatos para tornar o cachorro, membro ativo da família humana. Nas grandes cidades temos diversos pet-shops, hospitais veterinários, hotéis e até cemitérios voltados para cachorros, evidenciando a relação estreita entre homem e animal.

4) E quando o animal morre, como superar a perda?

O luto é a melhor forma de superação da perda – e este, é vivido por cada ser humano, de maneira singular, pois dependem da maturidade, história e experiência de vida de cada um.

O luto requer tempo e movimento. Muitos recorrem à adoção de outro animal, como forma de substituição. Bem, afetivamente este novo animal terá outra carga afetiva e lugar, pois aquela, ocupada pelo animal anterior, não pode ser substituída, mas sim, transformada após o passar do tempo e da convivência.

A perda nos transforma, pois envolve uma carga emocional muito grande – fez-se um investimento afetivo sobre um animal, que tinha nome, trejeitos próprios, cheiro, manias, e ele parte, deixando um vazio. Este vazio vai se dissolver e transformar com o tempo, mas isto depende do movimento que a pessoa fizer.

A perda de um animal é uma forma de ensinar, por mais difícil que seja a perda para as crianças. Quando o animal morre, a criança precisa lidar com a tristeza, mágoa, frustração, raiva. E muitas vezes o adulto vai ensiná-la a lidar com estes sentimentos e emoções, por já ter amadurecido com outras perdas, por já conhecê-las. Claro, nunca estamos preparados para a perda e para o que ela deixa atrás de si, mas desenvolvemos ferramentas psíquicas para seguir adiante, continuar construindo.

5) Alguma outra dica que poderia servir para quem está pensando em adotar um animal?

O contato inicial com o animal é ótimo para facilitar tal escolha. O animal vai despertar afeto e sentimento particulares em cada um, ninguém melhor do que nós mesmos para julgar com qual animal nos sentimos mais a vontade e estimulados.

Visitar alguns pet shops e fazendas com diversos animais para tomar contato com os mesmos – hoje em dia há muitas entidades que proporcionam o contato com os mais diversos tipos de animais em condições seguras e controladas – é uma dica acessível.

Outra seria estudar algumas espécies e verificar o que determinado animal lhe causa, afetivamente, e o que você pode proporcionar a ele, afinal é muito complicado ter um cachorro da raça Pastor Alemão ou Rottweiler num apartamento, por exemplo.

Cada animal implica em cuidados específicos de ambiente, alimentação, vitaminas, dentre outros. Por isso é importante verificar estas questões antes de se adotar um.

Entrevista concedida à Revista Medialuna Comunicações, ao Repórter Milson Veloso (Janeiro 2011), sobre a temática da relação homem e animal doméstico. Via René Schubert - Psicologia e Psicanálise



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