| em 02 novembro 2012

Compulsão sexual, doença ou desculpa?

Vício em sexo: distúrbio ou apenas um mal comportamento?

O Comportamento Sexual Compulsivo é real e afeta entre 3% a 6% da população, predominantemente homens, e costuma ter início no final da adolescência ou a partir dos 30 anos.


Nos últimos anos, "vício em sexo" foi a desculpa de muitos famosos flagrados pela imprensa de celebridades traindo seus parceiros. Mas será que o que psicólogos chamam de "transtorno hipersexual" é uma patologia real ou apenas uma desculpa esfarrapada para o mau comportamento?

Há a chance de o transtorno ser incluído na próxima revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), considerado a "bíblia" dos psicólogos e psiquiatras.

Adicção Sexual

Ninfomania (em mulheres), Satiríase (em homens), Hipersexualidade, Apetite sexual excessivo ou ainda Desejo Sexual Hiperativo (DSH) é uma disfunção sexual caracterizada por um nível elevado de desejo e atividade sexual. Trata-se de um tipo de adicção, com sintomas compulsivos, obsessivos e impulsivos, e seu tratamento é similar ao de outros vícios. A prevalência está em torno de 5%, sendo mais comum em homens, porém a dificuldade dos participantes em assumirem o problema por questões morais e sociais indicam que a frequência deve ser maior.

Foto: Revista Época
Só é classificado como transtorno psicológico quando o comportamento e desejo sexual elevados prejudicam significativamente suas atividades diárias e relacionamentos afetivos. Alguns autores classificam a ninfomania e a satiríase como um tipo de compulsão. Mas atualmente é melhor classificada como uma adicção pois transtornos compulsivos e obsessivos (TOC) estão relacionados a atividades desagradáveis que o indivíduo não consegue resistir e parar de pensar. Já a adicção está associada a uma atividade prazerosa e dificuldade em conter impulsos. É possível também que se compulsão sexual e adicção sexual sejam tratados como transtornos distintos de acordo com seus sintomas.

Popularmente acredita-se que a pessoa com hipersexualidade deseja ter atos sexuais com diversos parceiros e obtém grande prazer em todos eles, mas não necessariamente é o que ocorre. Uma pessoa considerada ninfomaníaca pode não conseguir satisfazer seus desejos sexuais e por isso sentir a necessidade de ter vários atos sexuais seguidos na tentativa de alcançar um orgasmo. O ato sexual pode ser seguido por culpa e arrependimento, o que não impede novos impulsos para outro ato, assim como nas compulsões alimentares.

Pesquisas brasileiras indicaram que a média de orgasmos é de 3 por semana entre os homens. Com base nesse dado estimou-se que mais de 7 orgasmos por semana ou mais de 15-25 horas vendo pornografia podem ser um sintoma de hipersexualidade. Os próprios portadores geralmente relatam sentirem preocupados e desconfortáveis com o excesso de desejo sexual e que seu tempo poderia ser melhor gasto em outras atividades mais satisfatórias e produtivas.

Tipos

Segundo Coleman (1992) existem cinco tipos de Transtorno Sexual Hiperativo:

• Sexo compulsivo e múltiplos parceiros;
• Fixação compulsiva na obtenção de um parceiro inatingível;
• Masturbação compulsiva;
• Compulsão por múltiplos relacionamentos afetivos ou;
• Sexo compulsivo com um único parceiro.

O abuso de pornografia virtual, sexo por telefone e formas anônimas de sexo também podem ser usados para classificar sub-tipos de hipersexualidade.

Diagnóstico

Existem diversas propostas médicas para diagnosticar a hipersexualidade, dentre elas uma das mais aceitas pelos psiquiatras é:

1) A existência de fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos ou comportamentos sexuais que persistam durante um período de pelo menos seis meses e se encaixem na definição de parafilias.

2) As fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais causam desconforto ou comprometimento clinicamente significativo na área social, ocupacional ou outras áreas importantes.

3) Os sintomas não encontram causa em outros transtornos, como por exemplo, no episódio maníaco.

4) Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (abuso de droga ou medicamento) ou à afecção clínica geral.

Tratamento

Terapia cognitivo-comportamental ensina o paciente a controlar seus impulsos e a manter relacionamentos sexualmente saudáveis e satisfatórios não necessariamente diminuindo a frequência sexual (por exemplo pode focalizar em ensinar a pessoa a restringir seu número de parceiros sexuais, melhorar a qualidade do ato e sempre usar preservativos). Pode também ser voltada para o desenvolvimento de habilidades para lidar melhor com a ansiedade, desconforto e carência afetiva ou de assertividade (saber dizer "não" gentilmente).

Antidepressivos que regulam a serotonina (ISRS) podem ajudar a diminuir a libido, a ansiedade, os pensamentos obsessivos e aumentar o auto-controle e bom humor. Psicoterapia de casal e psicoterapia de grupo especialmente voltada para adicção sexual também tem demonstrado bons resultados.

Wikipédia



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