| em 16 julho 2013

É preciso saber usar o dinheiro!

As pessoas devem ter uma relação saudável com as finanças já na infância. E são as lições de agora que ajudarão seu filho a ser um adulto sem dívidas!


Ensinar a criança a lidar com o dinheiro desde cedo é um dos segredos para formar um adulto responsável. As lições passadas, agora, mesmo aos filhos menores, sobre como eles devem administrar seus ganhos vão ficar na memória e serão usadas no futuro. Até as escolas públicas e particulares já oferecem essa matéria como diferencial de ensino. “É comum à pessoa se formar, estar preparada para entrar no mercado de trabalho, mas não saber lidar com o dinheiro”, diz Alessandra Bonafé, analista de investimentos e autora do livro "O Exercício da Beleza e da Felicidade" e "Vivendo o Presente e Planejando o Futuro Financeiro" (ABEV Editora).

“A consequência disso é que a pessoa se encanta com os primeiros salários e começa a gastar mais do que recebe e entrar em um ciclo de dívidas, que dificilmente acaba”, diz Alessandra. Veja como ensinar seu filho a dar valor ao dinheiro desde pequeno. Assim, ele não será um adulto consumista e nem viverá endividado, como tantos brasileiros.


Ensinamentos para cada idade


ATÉ OS 5 ANOS

• Leve a criança à feira, mercado, padaria... Fale sobre dinheiro perto dela e mostre a importância de pesquisar preços.
• Nesses locais, peça para a criança entregar o dinheiro e pedir troco.
• Acostume seu filho a ouvir os termos “caro”, “barato”, “isso vale mais a pena”, “conferir conta”.
• Faça-o pensar: é melhor comprar um chocolate ou dois pacotes de biscoito? “Use produtos que tenham o valor equivalente e que exijam da criança a escolha de um ou outro”, orienta Alessandra Bonafé.

Lição: Permitir que a criança conheça e pratique a comparação de preços. Isso vai fazer com que ela entenda desde cedo o valor do dinheiro.


DOS 6 AOS 14 ANOS

• Comece a dar semanada, e não mesada. A criança ainda não tem noção do tempo e fazer render o dinheiro um mês inteiro pode desanimá-la.
• Não vincule o valor a um gasto específico, como a merenda escolar. A criança é quem escolhe com o que quer gastar.
• Incentive-a poupar. “Quando ela atingir o valor do brinquedo que quer, leve-a à loja para comprar o produto para ela vivenciar essa conquista”, ensina Alessandra Bonafé.
• Depois dos 10 anos, os filhos podem passar a receber mesada.
• O valor pode aumentar, mas sem exageros.
• Não vincule a mesada ao cumprimento de tarefas domésticas e nem a notas altas na escola.

Lição: Saber a importância de ter o próprio dinheiro e que poupar vale a pena para conseguir o que se quer. Não ver o dinheiro só como recompensa.


DOS 15 ANOS EM DIANTE

• Aumente um pouco o valor da mesada. Se ele gastar mais do que deve, é importante conversar para definir se o valor é suficiente - lembrando que não deve ser muito alto. A mesada não equivale a um salário!
• “Essa é a fase mais crítica. É a idade em que os jovens gostam de sair e tendem a gastar mais”, confirma Alessandra Bonafé.
• Se o jovem precisar de mais dinheiro para ir a algum lugar ou comprar alguma coisa, converse sobre a real necessidade do pedido dele. Os pais podem emprestar o dinheiro extra e descontar nas próximas mesadas.

Lição: Entender como funciona quando a pessoa precisa fazer uma dívida e aprender que tem de arcar com seus compromissos financeiros.


OS MAIORES ERROS

Tentar substituir o carinho e a atenção por presentes ou dinheiro

Muitos pais não têm tempo para ficar com os filhos e, para compensar sua ausência, compram presentes caros e fazem todas as vontades dos pequenos. “Esse comportamento vai resultar em uma criança carente de afeto e com uma visão errada da vida adulta. Afinal, um adulto não tem tudo o que deseja, tem que saber administrar suas finanças para adquirir algum bem”, explica a especialista.

Remunerar os filhos por tarefas

A criança deve estudar para ter um bom futuro, deve ajudar em casa para aprender a dividir tarefas e se preparar para a vida adulta. E não para ganhar dinheiro dos pais!

Dar o exemplo errado

Jovens querem consumir roupas e acessórios de marca. As crianças e adolescentes seguem muito o exemplo dos pais, se eles buscam tudo de marca, provavelmente os filhos farão da mesma forma. Mas, se não for esse o caso, os pais podem mostrar o que é possível fazer com aquele valor que se gastaria com uma roupa cara. A solução é ensinar o adolescente a escolher entre um acessório de marca, ou pegar o mesmo valor e comprar outras coisas de qualidade, sem marcas. E deixe-o fazer a escolha.


OS MAIORES ACERTOS

Ter um cofrinho desde cedo

Isso cria o hábito de poupar. “Quando o cofrinho estiver cheio, pode-se explicar como funciona uma poupança, abrir uma só para a criança e transferir o valor para essa conta”, explica Alessandra Bonafé.

Estimular a criança a separar brinquedos para doar

O grande benefício é a lição de cidadania: saber dividir e saber que outras crianças não têm as mesmas possibilidades. Aprender também que ele não tem a necessidade de ter tantos brinquedos, que pode partilhar o que tem e, principalmente, fazer bom uso daquilo que já virou inútil. Além disso, a criança vai entender que não precisa comprar tanto, nem acumular tantas coisas para se divertir.

Presentear com brinquedos só em datas especiais

Tudo é questão de equilíbrio. Comprar roupas e sapatos são necessidades, afinal, crianças crescem e perdem tudo com rapidez. Mas comprar aquele tênis de marca para seu filho adolescente já não é tão prioritário e pode esperar até o aniversário ou natal. Os brinquedos, principalmente os mais caros, também devem ser comprados apenas em datas comemorativas. Dê o exemplo: evite o consumismo.


Esta reportagem faz parte do Projeto Educar para Crescer. Saiba mais em www.educarparacrescer.com.br


Por Roberta Cerasoli

Fonte: Revista impressa Ana Maria - Nº 826 | www.revistaanamaria.com.br



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