| em 17 janeiro 2017

Melhor Idade — Sem lugar para a tristeza


Atitudes positivas afastam o fantasma da depressão na terceira idade

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano de 2025, a população idosa, no Brasil, crescerá 16 vezes mais, contra cinco vezes a população total. Isso fará com que o País possua a sexta maior população do mundo em idosos, correspondendo a mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos de idade ou mais que precisam estar em dia com a saúde.



Foto / Reprodução


Com o passar dos anos, é comum o aparecimento de algumas limitações e perdas que afetam diretamente o estado emocional desses idosos e, por tabela, os faça passar, às vezes, pela depressão. Aliás, isso pode acontecer até mesmo na juventude, em função do ritmo de vida frenético que algumas pessoas vêm levando.

Como explica a médica Dra. Maria Cristina De Stefano, de Jundiaí (SP), na terceira idade, algumas doenças podem vir a se tornar crônicas ou terem seus sintomas agravados naturalmente.

"Entes queridos morrem ou atividades rotineiras não podem ser feitas com tanta facilidade e isso faz com que o idoso entre, por exemplo, em depressão", lembra.

Há casos, segundo a profissional, em que a pessoa já tinha inclusive uma depressão leve e o quadro foi evoluindo com situações mais emotivas, a piora de doenças degenerativas ou perdas significantes.

"Um dos sinais é o agravamento de comportamentos já existentes e a piora de traços da personalidade, como a raiva constante, irritação por qualquer fato, teimosia, labilidade emocional (instabilidade afetiva), queixas constantes de dor mal-estar, reclamações dos parentes e empregados, desconfiança e suspeitas", diz.

"Também podem ocorrer fatores estressantes, como o abandono, a desatenção dos familiares ou a dificuldade de sobreviver sem cuidados especiais, que podem levar à piora do transtorno depressivo", pontua.

Portanto, para reverter esse quadro, é importante que o idoso procure tratamento. Um geriatra (médico especializado no cuidado com pessoas idosas) poderá, por exemplo, indicar a terapia ou os medicamentos mais apropriados, que ajudem a reverter o quadro.

Vale lembrar, também, que o primeiro passo para afastar a depressão, de uma vez por todas, é adotar uma postura positiva em relação à vida, ter uma alimentação saudável, cercar-se de pessoas queridas e, sobretudo, amar-se e reconhecer quando precisa de ajuda.

" É possível encontrar um equilíbrio emocional com o apoio especializado e de parentes e amigos para que tudo volte ao normal", pondera a Dra. Maria Cristina.



Foto / Reprodução


Para a coordenadora e docente do curso de Psicologia da Faculdade Pitágoras de Uberlândia (MG), Rosário Afonso Ribeiro Avelino, há ainda a questão social, já que vivemos numa sociedade capitalista que muito valoriza a produção, e a pessoa aposentada se sente excluída, muitas vezes, do funcionamento social, além de ter seus ganhos financeiros diminuídos.

"Por isso, devemos estar atentos à singularidade, às limitações físicas e emocionais, às condições de vida, enfim, aos fatores individuais e sociais que envolvem a vida do idoso", analisa. "A medicina evoluiu muito no que diz respeito à média de vida dos indivíduos, mas não basta viver mais, é preciso viver bem", ressalta.


DIAGNÓSTICO CORRETO

Estima-se que uma em cada dez pessoas acima de 65 anos possam se afetadas pela depressão. Muitas vezes, a doença é confundida com os quadros de demência por apresentar sintomas muito semelhantes. Por isso, é muito importante o acompanhamento da família quanto aos sintomas frente ao comportamento do idoso e a procura de um especialista para avaliar a melhor conduta terapêutica.

Para o professor de Psicologia Social da Faculdade Arnaldo, de Belo Horizonte (MG), Luciano Gomes dos Santos, diversos sinais podem ser observados pelos familiares. "Isolamento, querer permanecer deitado, sem apetite, evitar sair de casa, falta de comunicação, semblante triste, falta de humor estão entre os quadros mais comuns que indicam a depressão", explica.

"A preparação para a vida idosa saudável e feliz começa desde a nossa a juventude, com bons hábitos físicos e mentais, ou seja, esportes, alimentação, estudos e pesquisas", conclui.


ATITUDES E HÁBITOS PARA UMA VELHICE FELIZ

• Faça passeios que estimulem o conhecimento, a criatividade e, sobretudo, a diversão;

• Mantenha a autoestima em alta: cuide-se;

• Pratique esportes com orientação médica;

• Mantenha uma alimentação adequada;

• Veja bons filmes, vá a teatros e shows;

• Mantenha o contato com velhos amigos, mas não se esqueça de fazer novas amizades;

• Controle seu peso e, caso utilize medicamentos, seja disciplinado;

• Tenha objetivos, sempre: de estudar, viajar, adquirir algo etc.;

• Participe de eventos e projetos sociais: ajudar o próximo faz bem a quem recebe e mais ainda a quem pratica a ação!


Por Tatiana Ferrador | Ponto de Encontro, a revista da Drogarias Pacheco, Nº 24

Consultoria: Dra. Maria Cristina De Stefano, médica psiquiatra, Jundiaí (SP). Rosário Afonso Ribeiro Avelino, coordenadora e docente do curso de Psicologia, Faculdade Pitágoras, Uberlândia (MG). Luciano Gomes dos Santos, professor de Psicologia Social, Faculdade Arnaldo, Belo Horizonte (MG).



Arquivado em | , .





Receba novas postagens por e-mail


ATENÇÃO! - As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Comentário(s):